Seguidores

Mostrando postagens com marcador escritor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador escritor. Mostrar todas as postagens

sábado, 19 de junho de 2010

A LONGA VIAGEM DO ELEFANTE




A notícia da morte de Saramago (Morte de Saramago? sinto q/ ainda não me caiu a ficha!)me alcançou num dia feliz.

Estava num hotel em Salvador com meus cunhados portugueses tramando um passeio pela Bahia histórica, onde nossos antepassados comuns, deixaram a sua marca.

Naquele momento, para mim,o sol se pôs;o maior escritor da língua portuguesa de repente, não mais estava lá;tinha ido,como ele desenhava assim a morte.

Levantada do chão fiquei eu.

Sem ter para quem apelar passei uma mensagem telepática para Blimunda,aquela que recolhia os espíritos,no livro “Memorial do Convento”,pedindo-lhe que nos trouxesse de volta este monumento da literatura mundial.

Sem resposta, juntei a coragem e as lições de vida e paciência que recebi do Cipriano Algor,tentando imaginar-me sem novos livros de Saramago.

O escritor, dizia ele,é como todos os homens:sonha.

Então, vamos considerar como um mau sonho esse acontecimento.

Saramago vive!

Vive nas centenas de personagens que criou, vive nos livros que espiam para mim na prateleira da minha biblioteca,vive nos momentos de felicidade que esses textos me proporcionaram,vive no autógrafo que me deu em Lisboa,esse fato,por si mesmo,uma estória de amor.

Meu marido, o português Raul, que detesta filas chamem-se elas filas ou bichas,como em Lisboa,ficou ,de pé,cerca de uma hora até conseguir para mim o autógrafo daquele que ele sabia ser o autor do meu coração.

Está aqui, o livro “Ensaio sobre a cegueira”,agora,ao meu lado,como uma presença eterna do escritor que tanto admirei e admiro,estando nesta ou noutras paragens.

Que não me deixe muito cair na cegueira mental e nem me deixe faltar a sua presença através da sua obra que contém toda a humanidade.

Termino com as palavras do próprio Saramago,que,como eu,também teve o seu pilar aonde pudesse descansar as costas batidas pela vida.Como o português Raul é para mim.

"Viver aquilo que ainda tenho para viver, que, com esta idade, não pode ser muito, mas vou tentar por duas, três ou quatro razões vivê-lo bem. Não é viver na farra porque nunca fui disso, viver bem como tenho vivido com a Pilar que foi algo que eu não podia esperar que me sucedesse",



quarta-feira, 26 de maio de 2010

BIENAL DO LIVRO




Realmente, é uma festa literária!

Quem ama os livros, vê-se rodeado por todos os lados de edições de autores clássicos e modernos, autores consagrados e jovens autores esperando consagração , ou ao menos,um lugar ao sol brilhante da literatura.Como diz o escritor baiano Antonio Torres:”a fila está andando”;com paciência e talento chegará a nossa vez.

A Literatura é uma amante possessiva e sôfrega que requisita para si quase todo o nosso tempo; exigente e cara , até se colher os louros,muita água passará por debaixo da ponte.

Convivi com vários jovens autores baianos e me surpreendi com a quantidade de talentos que estão emergindo da obscuridade e um dia serão grandes; mesmo as propaladas “panelinhas” literárias não deterão a marcha dos talentosos;os leitores sabem e,embora direcionados pela mídia ,logo,logo,se voltam para aqueles que realmente têm uma bela mensagem para passar.Escritores “midiáticos” fazem um sucesso relativo enquanto estão no “ar”,porém,como caudas de cometa,desaparecem e,ninguém fala mais deles;é o caso de certos “globais” e até-pasmem!-do próprio Paulo Coelho, de quem não vi um único livro nas prateleiras das editoras. Parece que o tempo dele passou e hoje existem centenas de paulos coelhos por aí ,dando sopa.

O lançamento do CD”Maktub”, uma experiência maluca que quis fazer com um livro eletrônico.durante a Bienal da Babia,em 2009, deu certo também em Minas; vendi todas as unidades durante os dez dias da Bienal.Fui entrevistada pela TV da Universidade de Minas e pela rádio FM; pois bem,pude avaliar a força da mídia: no fim de semana após a entrevista,quando eu entrava na Expominas , muitos me cumprimentavam e apontavam:”aquela é a escritora da televisão”;resultado,os cd’s foram todos vendidos;eu sei que é um bom trabalho,bem feito com cuidado e carinho;mas,sem a ajuda da mídia,talvez não vendesse tudo.

Outra grande vantagem de uma bienal, além da exposição ao público; ficamos conhecendo escritores,livreiros,distribuidores e sendo conhecidos por eles; no “Café Literário”,podemos debater com escritores do porte de Frei Beto, os Ruy ,Castro e Espinheira,Rubem Alves,Moacyr Scliar ;graças a uma interferência minha na Arena Jovem,recebi muitas visitas no stand,de pessoas interessadas no livro “Contos E Causos”,da minha autoria,que esgotou em dois dias de Bienal Sim, a Bienal é interessante para o novo escritor; sim,ele deve participar.
O Céu e os manes da Literatura não ajudam aquele que não age!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

UM COLOSSO DA LITERATURA



A Rússia sempre foi berço de grandes escritores:Tolstoi,Bunin,Gorki,Gogol,mestres que nos deram pérolas literárias nunca esquecidas. Porém, a meu ver, nenhum como Dostoievski.Conhecia a alma dos homens como poucos,mergulhava na imensidão deste precipício como nenhum outro escritor e,principalmente, desnudou o povo russo, suas emoções e sentimentos. Fédor Dostoievski nasceu em 1821 e desde cedo foi destinado à carreira militar. Sua alma sensível e romântica logo trocou a carreira das armas pela literária, combatendo melhor com a pena do que com a espada. Seu primeiro livro,” GENTE POBRE”,despertou a ira dos poderosos por denunciar a semi-escravidão em que o povo russo estava mergulhado. Não se intimidou, nem arrepiou caminho;suas convicções inabaláveis rendeu-lhe quatro anos na Sibéria,fato que marcou todos os anos da sua existência. Essa experiência foi imortalizada no livro”Recordações da casa Dos Mortos” que fala da miséria e do desespero dos prisioneiros enterrados vivos naquele lugar terrível,condenados a trabalhos forçados nos confins da Ásia. Crime e Castigo, um clássico da literatura,emocionou a todos pelo seu conteúdo doloroso e pungente e pelo estudo profundo dos sentimentos humanos.Até onde vai o Homem pressionado pelo seu desespero? A esse seguiram-se “O Idiota”,”Os Possessos”,”O Adolescente” e,finalmente “Os Irmãos Karamazov”,que deixou inacabado. Quem não ficou marcado pela personalidade de Dimitri, pela beleza de Grushenka e pelo odioso caráter do velho Karamazov? O que torna um escritor inesquecível? Neste caso, a compreensão e simpatia pelas almas transviadas e criminosas, que dão um toque patético a sua obra. Morreu em 1881, mas, deixou um legado imortal para todos os que apreciam a leitura.

quarta-feira, 24 de março de 2010

VIDA DE ESCRITOR




Quando você acaba de escrever um livro, você está morto.
Mas,ninguém sabe que você está morto.
Tudo o que eles enxergam é a irresponsabilidade que resulta da terrível responsabilidade de escrever.
Ernest Hemingway,escritor americano

sábado, 13 de março de 2010

PAPAI BALZAC E O CASAMENTO




Balzac ,apesar de celibatário convicto,sabia das coisas.
Seu livro,”A Fisiologia do Casamento”,narrava com humor e irreverência,os prazeres e percalços da vida conjugal,vista à maneira francesa nos idos de 1830.
O maior problema do casamento nesta época,era o desconhecimento,para as moças do que aconteceria no leito conjugal e,para os homens ,o total descaso sobre os mecanismos da fisiologia feminina,cujo despertar do desejo era mais tardio e totalmente diferente do desejo masculino;o amor romântico recém inventado,povoava de contos de fadas o imaginário dessas garotas e a violência brutal do desejo masculino,”exigindo carícias,plenas,obscenas”,como fala a música de Chico,assustava de tal modo as donzelas,que,praticamente, o casamento terminava aí.
Balzac aconselhava:-“Nunca comecem o casamento por uma violação”.
Ele comparava,de modo magistral ,o recém casado a um orangotango tentando tocar violino.
Um rico banqueiro estava a tocar seu violino , no jardim,quando Balzac reparou o macaco do dono,trazido de Bornéo,vir se achegando,de mansinho,embevecido,escutando os sons.
Num dado momento,o banqueiro se ausentou e deixou o violino no parapeito da janela;como a corrente que prendia o bugio era muito comprida,ele passou a mão no violino e correu com ele para baixo de uma árvore.
O nosso antepassado agarrou o instrumento e cheirou-o,como se fosse uma banana.
O violino emitiu um acorde e o macaco sacudiu a cabeça,voltou-o,mirou-o,de todos os ângulos,levantou-o no ar,agitou-o,colocou-o perto do ouvido,o largou no chão,tornou a apanhá-lo,com um ar de completa desconfiança e agradável surpresa.
Pôs o violino debaixo da barba e segurou com força,mas,ao ver o violino mudo,achou que não valia a pena perder tempo aprendendo a lição.Começou a puxar as cordas com vigor e saíram sons discordes,como era de se esperar.
Enraivecido com o seu fracasso ao produzir música,agarrou o arco e começou a surrar as cordas,sem dó,nem piedade;depois de destruir completamente o violino,sentou-se e começou a desfiar as louras sedas do arco,feito em pedaços.
Deste dia em diante, sempre que vou a um casamento,diz Balzac,não deixo de comparar o novel marido a um orangotango tentando tocar violino.
O amor é a mais doce e melodiosa das harmonias,disso sabemos.
A mulher é um delicado instrumento de prazer( as feministas vão querer o meu sangue,mas,sosseguem,garotas,é o Balzac dizia,não eu),mas,é necessário conhecer-lhe as cordas vibráteis,estudar-lhes a posição,dedilhar com maestria o teclado,acariciar as cordas.
Quantos orangotangos – digo- maridos casam sem ter noção do corpo da mulher!
Despedaçam o coração que não compreendem e falam de amor do mesmo jeito que escravos natos falam de liberdade;por ouvir dizer.
Começam por arrombar a porta alheia e querem ser bem recebidos na sala.
Mas,qualquer artista sabe que a dedicação e o conhecimento do seu instrumento,anos de observação e estudo é que cria a harmonia da música;assim,tocam uníssonos e ambos se tornam uma só alma.
Homens,maridos ou amantes,ajudei em alguma coisa?
Se querem uma melodia maravilhosa aprendam, ao menos ,a tocar o instrumento.

LEIA TAMBÉM:
TODO PODER ÀS MULHERES

FALA O LEITOR:
15/03/2010 17:33 - Maria IaciHoje, pelo menos, a mulher tem a prerrogativa de experimentar antesde casar... Bela crônica! Um beijo na testa. :)

15/03/2010 22:39 - Maria Olimpia Alves de Melop/mail
Uma crônica impecável, da primeira a última linha.


15/03/2010 15:19 - Rejane Chica TU ÉS SEMPRE FANTÁSTICA! E A IMAGEM,RSSRS,...BEIJOS,TUDO DE BOM,CHICA


17/03/2010 10:25 - Ivone Alves SOL,poetisa
Perfeita em estética linguística, humor e mensagem! Sua página é aprendizado e entretenimento. A imagina ficou ótima! Bjs, Miriam!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

A DURA BATALHA DO ESCRITOR!



Você,leitor,senta-se na sua poltrona confortável e abre um livro.
Você terá, com certeza ,horas divertidas ou instrução garantida,uma viagem magnífica pela mente de outra pessoa e novos conceitos surgirão dentro de si mesmo, mudando idéias pré-estabelecidas e e trazendo novas maneiras de ver as coisas.
Esse pequeno objeto chamado livro pode mudar uma sociedade;e,já fez isso muitas vezes. O livro é também o seu amigo mais fiel;o livro é o cachorro impresso.

O trabalho do leitor termina ai;começou com a idéia da compra do livro,a decisão de fazê-lo,apesar dos altos preços praticados por livreiros e editores,a ida AA livraria,o prazer da degustação e escolha,a volta prá casa e,por fim,a leitura.
Se o autor for bom,você não para de virar a página;às vezes almoça de livro na mão,só o fechando quando a leitura acaba.
Que pena que terminou!
É como se um bom amigo,de conversa lúcida e agradável,de repente,partisse.Você já começa a ficar saudoso.
A gente sabe que um escritor é bom, dizia Salinger,quando o livro acaba e ficamos com vontade de telefonar prá ele.
O que o leitor comum não sabe é a verdadeira batalha inglória que é escrever um livro,no Brasil.
O autor desconhecido – e, todos começam assim –tem que se vestir de paciência e persistência para publicar sua obra.
Primeiro,o trabalho de parir um livro – como todo parto,doloroso -!
Nós inventamos um romance,ou uma crônica a partir daquilo que conhecemos e das experiências que tivemos,então escrevemos como se estivéssemos contando a estória para nossos filhos.
Depois,insistir com editores pouco ou nada acessíveis,muito mais dispostos em investir em “best-sellers” comprados a metro,do que apostar num autor novo que ninguém conhece.
A vantagem dos livros estrangeiros é que já vêm com uma larga publicidade, marketing e merchandising juntos,”trabalhando” o livro e ,aproveitando a mídia,impor o trabalho ao leitor.
–O brasileiro não lê,dizem eles.Editoras e distribuidores são negócios,como qualquer outro;como vamos perder dinheiro?
Ai,começa a” via-crucis” do autor;nenhuma editora o quer;ele trabalha duro,confia no seu taco,adora escrever,quer repassar suas experiências,modificar preconceitos,mas,esbarra na barreira dos custos.
Se pode,paga para ser publicado.
Tudo bem,uma batalha foi vencida,mas,a guerra está longe de terminar.
Pronto o livro,tem que vendê-lo.Como?
Publicidade,mídia eletrônica ou não,custa muito caro.Muitas livrarias não querem livros consignados.
Com a internet,abriu-se uma pequena luz no fim do túnel;podemos vender e divulgar nossos livros através de e-mails,blogs,sites,Google books, etc e o leitor passará a nos conhecer.
Por isso,caro leitor não se irrite se receber um e-mail assim;delete,não compre se não lhe convém (ainda é melhor que os antigos vendedores de porta- em –porta, de quem a gente custava a se livrar),porque para muitos escritores esse é o único meio de divulgar seu trabalho.
Como escritora recebo ou compro livros de muitos colegas e fico feliz de ver a qualidade dos seus trabalhos,a dedicação às letras que eles têm e,me entristeço ao pensar:-Que pena,trabalhos como esses se perdem e muitos jamais conhecerão.
E,com um riso amargo,me lembro que Balzac escrevia folhetins em papel jornal,H,G.Wells foi tapeceiro para sobreviver,Machado teve seus livros recusados diversas vezes e Shakespeare usava o teatro para divulgá-los.
E,se um golpe de sorte não os tivesse tirado do ostracismo?
Mas,não,não,me enganei nas palavras;foi uma dose de sorte,sim,porém,a palavra certa é persistência.
Eu procuro diariamente o leitor;ele pode não me dar bola,não comentar,não comprar meus livros,mas,quero me fazer presente sem ser chata,respeitando o direito do leitor que não quer receber e-mails evitando,sobretudo,spams,mas,tentando me fazer presente e mostrar meu trabalho.Agradeço o bom retorno que tive e tenho.
Como acreditava Hemingway,quando uma pessoa tem a habilidade de escrever e o desejo de escrever,não há crítico que possa causar danos ao seu trabalho se este for bom,ou salvá-lo se for ruim.
IMG:minha luta diária,no PC
Palavra do leitor:
23/02/2010 21:35 - Euripedes Barbosa RibeiroParabens minha amiga pela lucidez e contundencia deste texto. Vocesabe como ninguem a batalha que é publicar um livro neste país. E maisainda, divulgá-lo para que chegue até o leitor. Como autor anônimo, ouquase, espelho-me na sua determinação e vou publicar o meu livro sim.E correr atrás dos leitores. Da forma que me parecer viavel. BeijosMiriam. Tenha uma boa noite.
25/02/2010 00:40 - Menduina Prazer em conhece-la poetisa, lindo seu texto infelizmente o brasileiro não tem o hábito de ler, vim convidar a me visitar me dê esta honra beijos.
07/03/2010 13:22 - Helena Frenzel,Alemanha(p/mail)
E eu fico feliz por tu teres me encontrado! Recebi um email teu, oque me trouxe até aqui. Até agora estou gostando muito do que li. Seainda vivesse no Brasil, tentaria formar um grupo de escritores emontar uma editora própria, principalmente para aqueles autores que sóquerem ser conhecidos, que não pretendem viver da venda de livros,pelo menos não como renda principal. É difícil, eu sei. Me perguntocomo cada uma dessas grandes editoras começou... É que todo mundonasce pequeno, e depois cresce, não é mesmo? Acho a internet um meiode divulgação fantástico. A começar pelo poder que o produtor de bomconteúdo detém nas mãos. Acho que coisas boas se atraemautomaticamente, o bom conteúdo ao bom leitor e por aí vai. Bom, estefoi um primeiro comentário (espontâneo). Volto pra te ler mais. Gratapelo contato e pelo texto sobre o Dia Internacional da Mulher.Parabéns a ti também! Um abraço fraterno :-)

A DURA BATALHA DO ESCRITOR!

Você,leitor,senta-se na sua poltrona confortável e abre um livro.
Você terá, com certeza ,horas divertidas ou instrução garantida,uma viagem magnífica pela mente de outra pessoa e novos conceitos surgirão dentro de si mesmo, mudando idéias pré-estabelecidas e e trazendo novas maneiras de ver as coisas.
Esse pequeno objeto chamado livro pode mudar uma sociedade;e,já fez isso muitas vezes. O livro é também o seu amigo mais fiel;o livro é o cachorro impresso.

O trabalho do leitor termina ai;começou com a idéia da compra do livro,a decisão de fazê-lo,apesar dos altos preços praticados por livreiros e editores,a ida AA livraria,o prazer da degustação e escolha,a volta prá casa e,por fim,a leitura.
Se o autor for bom,você não para de virar a página;às vezes almoça de livro na mão,só o fechando quando a leitura acaba.
Que pena que terminou!
É como se um bom amigo,de conversa lúcida e agradável,de repente,partisse.Você já começa a ficar saudoso.
A gente sabe que um escritor é bom, dizia Salinger,quando o livro acaba e ficamos com vontade de telefonar prá ele.
O que o leitor comum não sabe é a verdadeira batalha inglória que é escrever um livro,no Brasil.
O autor desconhecido – e, todos começam assim –tem que se vestir de paciência e persistência para publicar sua obra.
Primeiro,o trabalho de parir um livro – como todo parto,doloroso -!
Nós inventamos um romance,ou uma crônica a partir daquilo que conhecemos e das experiências que tivemos,então escrevemos como se estivéssemos contando a estória para nossos filhos.
Depois,insistir com editores pouco ou nada acessíveis,muito mais dispostos em investir em “best-sellers” comprados a metro,do que apostar num autor novo que ninguém conhece.
A vantagem dos livros estrangeiros é que já vêm com uma larga publicidade, marketing e merchandising juntos,”trabalhando” o livro e ,aproveitando a mídia,impor o trabalho ao leitor.
–O brasileiro não lê,dizem eles.Editoras e distribuidores são negócios,como qualquer outro;como vamos perder dinheiro?
Ai,começa a” via-crucis” do autor;nenhuma editora o quer;ele trabalha duro,confia no seu taco,adora escrever,quer repassar suas experiências,modificar preconceitos,mas,esbarra na barreira dos custos.
Se pode,paga para ser publicado.
Tudo bem,uma batalha foi vencida,mas,a guerra está longe de terminar.
Pronto o livro,tem que vendê-lo.Como?
Publicidade,mídia eletrônica ou não,custa muito caro.Muitas livrarias não querem livros consignados.
Com a internet,abriu-se uma pequena luz no fim do túnel;podemos vender e divulgar nossos livros através de e-mails,blogs,sites,Google books, etc e o leitor passará a nos conhecer.
Por isso,caro leitor não se irrite se receber um e-mail assim;delete,não compre se não lhe convém (ainda é melhor que os antigos vendedores de porta- em –porta, de quem a gente custava a se livrar),porque para muitos escritores esse é o único meio de divulgar seu trabalho.
Como escritora recebo ou compro livros de muitos colegas e fico feliz de ver a qualidade dos seus trabalhos,a dedicação às letras que eles têm e,me entristeço ao pensar:-Que pena,trabalhos como esses se perdem e muitos jamais conhecerão.
E,com um riso amargo,me lembro que Balzac escrevia folhetins em papel jornal,H,G.Wells foi tapeceiro para sobreviver,Machado teve seus livros recusados diversas vezes e Shakespeare usava o teatro para divulgá-los.
E,se um golpe de sorte não os tivesse tirado do ostracismo?
Mas,não,não,me enganei nas palavras;foi uma dose de sorte,sim,porém,a palavra certa é persistência.
Eu procuro diariamente o leitor;ele pode não me dar bola,não comentar,não comprar meus livros,mas,quero me fazer presente sem ser chata,respeitando o direito do leitor que não quer receber e-mails evitando,sobretudo,spams,mas,tentando me fazer presente e mostrar meu trabalho.Agradeço o bom retorno que tive e tenho.
Como acreditava Hemingway,quando uma pessoa tem a habilidade de escrever e o desejo de escrever,não há crítico que possa causar danos ao seu trabalho se este for bom,ou salvá-lo se for ruim.


COM A PALAVRA O LEITOR:

26/02/2010 19:00 - Tércio Ricardo Kneip,escritor
Fantástico. Sempre digo na minha livraria de livros usados que "olivro é o melhor amigo do homem, mas o cachorro levou a fama" e avariante nesse texto é excelente. Aquele abraço extensivo ao povo daBahia.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

COMO SER UM ESCRITOR BADALADO!



Muita gente quer fazer sucesso como escritor; mesmo aqueles que esnobam a “Deusa-Cadela”, como D.H, Lawrence, chamava a gloria literária, no fundo, no fundo, quer ter seu talento reconhecido e aceitaria de bom grado o beijo da fama. Pensando nisso, reuni algumas dicas para todos aqueles que,um dia,querem estourar nos “Mais Lidos” da Veja e quiçá tomar o “Five o´clock tea” como os velhotes da Academia.
1_Escreva de modo empolado, usando muito latinório e um português castiço do tempo de Camilo, um texto de tal forma hermético que só você e Deus entendam, se Ele algum dia se der ao trabalho de ler.


2_È necessário aparecer, freqüentar desde sofisticadas reuniões sociais até bailes funks e sessão de descarrego das igrejas alternativas; basta um desses pastores recomendarem você ou um pilar da sociedade comentar sobre sua obra com um desses jornalistas boiolas, que sempre aparecem para filar um Johnnie Walker gratuito e você já percorreu um quarto do caminho em direção á fama.


3_Seus cartões de visita: não saia de casa sem eles. Entregue para toda gente,sem esquecer de colocar ESCRITOR,no lugar da profissão;água mole em pedra dura...


4_Escreva para todas as editoras, enviando seu trabalho, sem se esquecer de mandar flores para a mulher do editor, parabenizá-lo no seu aniversário e levar-lhe um bom vinho de presente; algo bom, você tem que mostrar bom gosto e provar que não está necessitado.


5-Ah, o prefácio!Você tem que ter um, de preferência escrito por um autor que nunca lhe viu, mas, sempre te amou depois que você entregou a bagatela de $5000 reais ao dono da editora á titulo de gratificação, por ele ter se debruçado sobre suas mal traçadas.


6-Uma pitada de sexo não fará mal á sua obra, quanto mais picante melhor; veja o sucesso da Bruna Surfistinha, você não está morrendo de inveja?Confesse!


7-Fale sempre sobre seu livro com qualquer pessoa, aonde for; diga como é interessante e quantas pessoas já leram, além de você e sua mãe, é claro. Certamente a boa senhora será a primeira compradora,e,ainda vai financiar a beca da “Noite de Autógrafos”,mais aterrorizante que a noite de núpcias;lá,você só teria que agradar a um.


8-Se você se ver com milhares de exemplares da sua obra do século, encalhada no seu corredor, não se desespere; arrume amizade com um dono de sebo ou doe sua obra para bibliotecas do interior, quem sabe um dia, você desponta; você já estará morto, mas, gloria é como liberdade: antes tarde do que nunca.


9-Se tudo der errado fique amigo do Ministro da Cultura e arranje “uma boca”, nas publicações oficiais; você pode, por exemplo, escrever os discursos de Lula; quem sabe, ganha uma bolsa em Harvard?


10-Não desanime; lembre-se que, os maiores escritores do mundo, só foram reconhecidos “post-mortem”. Você chegará lá!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

HOJE TEM:


FEIRA DE LIVROS NO TEATRO CASTRO ALVES.ORGANIZADA PELA CÂMARA DO LIVRO DA BAHIA.

VENDA DE LIVROS DE AUTORES BAIANOS A UM PREÇO DE OCASIÃO.

APAREÇA POR LÁ,VOCÊ,QUE GOSTA DE LER!

ESCRITORES BAIANOS,COMPAREÇAM!

O EVENTO SERÁ DAS 9 ÀS 17 HS,NO FOYER DO TEATRO,SITUADO NO LARGO DO CAMPO GRANDE.

SE VOCÊ É UM ESCRITOR BAIANO,FILIAR-SE À CÂMARA DO LIVRO É UM PASSO PARA REALIZAR O SEU SONHO DE PUBLICAR SEUS TRABALHOS.

FILIE-SE JÁ.

LEMBRE-SE TODA GRANDE CAMINHADA COMEÇA COM UM PRIMEIRO PASSO.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A BOA LITERATURA ESTÁ DE LUTO!...





O escritor americano Jerome David Salinger morreu ontem,aos 91 anos,de causas naturais,em sua casa,em New Hampshire,nos Estados Unidos.
Nasceu em Manhattan,em 1919,filho de pai judeu polonês e mãe irlandesa.Começou na literatura escrevendo seus contos numa revista,The New Yorker.
Depois de escrever um livro magistral,”O Apanhador no Campo de Centeio”,a mais completa obra sobre os questionamentos e temores e rebeldias de um adolescente,cujo personagem,Holden Caufield,tornou-se o símbolo de uma geração pós-guerra,Salinger ,isolou-se.
Não deu bola para a fama,nem saiu por ai dando entrevistas,nem visitou os inúmeros países onde seu livro foi traduzido e digerido,através das 60 milhões de cópias espalhadas pelo mundo.
Preferiu a solidão e o anonimato.
Ainda escreveu,publicamente,outros livros:Nove Histórias,Fanny & Zooey,e,Carpinteiros,Levantem Bem Alto a Cumeeira, e Seymor,publicados no Brasil.
Seu último trabalho,Hapworth16 ,que eu saiba,nunca chegou até aqui.1924
Dizia que , escrever ,sim,mas,não lhe interessava publicar seu trabalho.Era imune à vaidade de ser lido,analisado,comentado.
-Publicar,pensava,constitui uma invasão da minha privacidade;eu gosto de escrever.Amo escrever.Mas,escrevo apenas para mim e para meu prazer pessoal.
E,foi assim,que,por telefone,em 1974,despachou o New York Times,que queria uma entrevista.
Esse procedimento não é incomum entre os verdadeiros escritores.Temos vários exemplos,entre eles,Rubem Fonseca,que preferem manter sua privacidade,que defendem com unhas e dentes.Afinal,são acadêmicos,não pop-star.
A nós,só resta lamentar mais esse desfalque na literatura mundial.
Não preciso dizer que,”O apanhador no campo de centeio,” um livro que marcou minha geração,era apenas uma narrativa comum sobre um adolescente rico que voltava para casa,esperando ser escrachado pelos pais por ter perdido todas as matérias,no pomposo colégio onde estudava.
Suas reflexões durante a viagem de trem,mudaram o modo de pensar da juventude americana e,a nossa,também.
Os jovens aprenderam a ter voz,idéias próprias e...fazê-las valer.
Realmente,foi um Mestre!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

COMO SER UM ESCRITOR BADALADO!


Muita gente quer fazer sucesso como escritor; mesmo aqueles que esnobam a “Deusa-Cadela”, como D.H, Lawrence, chamava a gloria literária, no fundo, no fundo, quer ter seu talento reconhecido e aceitaria de bom grado o beijo da fama. Pensando nisso,reuni algumas dicas para todos aqueles que,um dia,querem estourar nos “Mais Lidos” da Veja e quiçá tomar o “Five o´clock tea” como os velhotes da Academia.
1_Escreva de modo empolado, usando muito latinório e um português castiço do tempo de Camilo, um texto de tal forma hermético que só você e Deus entendam, se Ele algum dia se der ao trabalho de ler.
2_È necessário aparecer, freqüentar desde sofisticadas reuniões sociais até bailes funks e sessão de descarrego das igrejas alternativas; basta um desses pastores recomendarem você ou um pilar da sociedade comentar sobre sua obra com um desses jornalistas boiolas, que sempre aparecem para filar um Johnnie Walker gratuito e você já percorreu um quarto do caminho em direção á fama.
3_Seus cartões de visita: não saia de casa sem eles. Entregue para toda gente,sem esquecer de colocar ESCRITOR,no lugar da profissão;água mole em pedra dura...
4_Escreva para todas as editoras, enviando seu trabalho, sem se esquecer de mandar flores para a mulher do editor, parabenizá-lo no seu aniversário e levar-lhe um bom vinho de presente; algo bom, você tem que mostrar bom gosto e provar que não está necessitado.
5-Ah, o prefácio!Você tem que ter um, de preferência escrito por um autor que nunca lhe viu, mas, sempre te amou depois que você entregou a bagatela de $5000 reais ao dono da editora á titulo de gratificação, por ele ter se debruçado sobre suas mal traçadas.
6-Uma pitada de sexo não fará mal á sua obra, quanto mais picante melhor; veja o sucesso da Bruna Surfistinha, você não está morrendo de inveja?Confesse!
7-Fale sempre sobre seu livro com qualquer pessoa, aonde for; diga como é interessante e quantas pessoas já leram, além de você e sua mãe, é claro. Certamente a boa senhora será a primeira compradora,e,ainda vai financiar a beca da “Noite de Autógrafos”,mais aterrorizante que a noite de núpcias;lá,você só teria que agradar a um.
8-Se você se ver com milhares de exemplares da sua obra do século, encalhada no seu corredor, não se desespere; arrume amizade com um dono de sebo ou doe sua obra para bibliotecas do interior, quem sabe um dia, você desponta; você já estará morto, mas, gloria é como liberdade: antes tarde do que nunca.
9-Se tudo der errado fique amigo do Ministro da Cultura e arranje “uma boca”, nas publicações oficiais; você pode, por exemplo, escrever os discursos de Lula; quem sabe, ganha uma bolsa em Harvard?
10-Não desanime; lembre-se que, os maiores escritores do mundo, só foram reconhecidos “post-mortem”. você chegará lá!

domingo, 15 de novembro de 2009

FALA QUEM SABE...


Se você antecipar o fracasso,ele virá.Claro que você está ciente do que acontecerá se fracassar,e planeja suas rotas de fuga-seria pouco inteligente da sua parte se não agisse assim-,mas,você não antecipa o fracasso naquilo que faz.

Agora,não quero que pense que eu jamais tive medo,mas,se você não assume o controle de seus medos,nunca conseguirá se livrar dos ataques.

E lembre:o homem não foi feito para a derrota;o homem pode ser destruido,mas,não derrotado.

Ernest Hemingway,escritor americano

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

NOTÍCIAS LITERÁRIAS


MADRI (Reuters) - O escritor português José Saramago apresentou em Madri seu livro "Caim", um olhar irônico sobre o Velho Testamento que recebeu críticas fortes da Igreja Católica e de grupos de direita desde seu lançamento em Portugal, há duas semanas.

Um escritor não escreve para agradar,jamais será devastado pelas críticas nem pertencerá a rebanhos literários;não terá medo de entrar em selvas tenebrosas.

O verdadeiro escritor é um lobo da estepe,único,intangível.

Um escritor de talento poderá explicar-se e explicar o mecanismo da sua prosa.um escritor genial,nunca poderia fazê-lo porque o Subconsciente que se dita guarda um segredo até para ele mesmo.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

UM COLOSSO DA LITERATURA

UM COLOSSO DA LITERATURA
A Rússia sempre foi berço de grandes escritores:Tolstoi,Bunin,Gorki,Gogol,mestres que nos deram pérolas literárias nunca esquecidas.
Porém, a meu ver, nenhum como Dostoievski.Conhecia a alma dos homens como poucos,mergulhava na imensidão deste precipício como nenhum outro escritor e,principalmente, desnudou o povo russo, suas emoções e sentimentos.
Fédor Dostoievski nasceu em 1821 e desde cedo foi destinado à carreira militar.
Sua alma sensível e romântica logo trocou a carreira das armas pela literária, combatendo melhor com a pena do que com a espada.
Seu primeiro livro,” GENTE POBRE”,despertou a ira dos poderosos por denunciar a semi-escravidão em que o povo russo estava mergulhado.
Não se intimidou, nem arrepiou caminho;suas convicções inabaláveis rendeu-lhe quatro anos na Sibéria,fato que marcou todos os anos da sua existência.
Essa experiência foi imortalizada no livro”Recordações da casa Dos Mortos” que fala da miséria e do desespero dos prisioneiros enterrados vivos naquele lugar terrível,condenados a trabalhos forçados nos confins da Ásia.
Crime e Castigo, um clássico da literatura,emocionou a todos pelo seu conteúdo doloroso e pungente e pelo estudo profundo dos sentimentos humanos.Até onde vai o Homem pressionado pelo seu desespero?
A esse seguiram-se “O Idiota”,”Os Possessos”,”O Adolescente” e,finalmente “Os Irmãos Karamazov”,que deixou inacabado.
Quem não ficou marcado pela personalidade de Dimitri, pela beleza de Grushenka e pelo odioso caráter do velho Karamazov?
O que torna um escritor inesquecível?
Neste caso, a compreensão e simpatia pelas almas transviadas e criminosas, que dão um toque patético a sua obra.
Morreu em 1881, mas, deixou um legado imortal para todos os que apreciam a leitura.