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quarta-feira, 16 de junho de 2010

CANTINHO DA SAUDADE!



AS COPAS DA MINHA JUVENTUDE




O clima de festa era contagiante!

Desde cedo,as ruas enfeitadas de bandeirolas verde-amarelas,as bandeiras nas janelas,os comes e bebes sendo preparados nas vastas cozinhas coloniais.

Como eram grandes aquelas cozinhas,sô!Podia-se dançar dentro delas.

Quem não tinha camisetas nas cores do Brasil, arrumava uma fita,um cinto,uma bijuteria,qualquer coisa que mostrasse sua lealdade à Seleção,chamada carinhosamente de canarinho,e sua adesão à torcida que empurraria o time para a vitória.

Estou falando da lendária copa de 58 onde um rei despontava, Pelé,o magnífico,primeiro e único!

Não sei porque, me parece que naquela época os jogadores eram mais autênticos,suavam a camisa para glória do Brasil,sem envolvimentos com suspeitas multinacionais que constelam as suas camisas de hoje.

Nem ganhavam essas fortunas que ganham e que os torna mais cautelosos nos jogos de seleção, pois,não pertencem mais ao Brasil, nem a si mesmos,pertencem aos clubes miliardários que os compram e vendem como reles mercadorias.

Imagina uma contusão séria, uma perna quebrada, um menisco fora do lugar...

Perderiam seu valor de mercado, carreira comprometida,voltariam cabisbaixos aos times nacionais ou,pior,acabariam talvez, no Uzbequistão,coisa de louco.

Já o Mané Garrincha, o Vavá,o Nilton Santos , o Gilmar,  não precisavam se preocupar com isto.

Era coração nas mãos e bola no pé.

E nós, torcedores fieis e animados, fazíamos balões de três metros que soltávamos nos céus,livres,leves e soltos, soltávamos fogos, vulcões cujas chamas enchiam de brilho e luz as noites frias de junho.

Depois do jogo a comemoração na casa dos amigos,a cada casa visitada o cortejo crescia, até chegar na casa de Magalhães,onde um grande rinque de dança nos aguardava,devidamente embandeirado e decorado.

Mesas imensas cheias de licores, amendoins cozidos e torrados,canjicas amarelinhas e olorosas, bolo de aipim e carimã, pamonhas , mingaus de puba e milho para aquecer o corpo. As laranjas ganhavam laços de fita verde –amarelo , olhos e boca, fingiam rostos caipiras.

Dançava-se até o sol raiar.

Uma conhecida, recém chegada de Paris contava as novidades:

- Meninas, fala-se que Dior está criando um novo perfume : ”Mon Pelé”.

E aquelas noites fagueiras continuavam até que a Copa terminasse e voltássemos à nossa triste rotina de terceiromundistas.

Mas, durante este curto tempo,éramos reis!








quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

HINO AO SENHOR DO BONFIM DA BAHIA


HINO AO SENHOR DO BONFIM DA BAHIA

A letra e música foram compostas para a comemoração do centenário da
Independência da Bahia - relembrando os feitos heróicos dessa luta que, segundo a fé religiosa dominante, contou com a intercessão do Santo.
Escrito em
versos eneassílabos, o Hino foi composto em 1923, a pedido da Comissão Oficial do Centenário - grupo formado por intelectuais e autoridades, a fim de preparar, em Salvador, os festejos alusivos aos 100 anos da vitória do povo baiano sobre o jugo português, nas lutas que culminaram no 2 de julho,data da nossa Independencia.
Sua letra evoca um episódio histórico, registrado pelo historiador Santos Titara: a imagem do Senhor do Bonfim havia sido sequetrada pelas tropas portuguesas e, quando consolidada a vitória brasileira, foi esta restituída ao templo original, ainda em
1823, em cortejo popular. No centenário, este fato foi redivivo, sendo esta a origem da procissão que, todos os anos, enche de pessoas as ruas da cidade tendo prevalecido a versão do poeta Arthur de Salles ,meu tio avô e do Maestro Wanderley.
Esse hino,cívico-religioso ganhou popularidade nacional quando foi gravado por
Caetano Veloso,no CD “Tropicália.

O Hino



Glória a Ti neste dia de glória,
Glória a Ti, Redentor que há cem anos

nossos pais conduziste à vitória

pelos mares e campos baianos.
Refrão

Desta sagrada colina

mansão da misericórdia

dai-nos a graça divina

da justiça e da concórdia


Glória a ti nessa altura sagrada

És o eterno fanal, és o guia

És, Senhor, sentinela avançada

És a guarda imortal da Bahia.


Dessa sagrada colina

Mansão da misericórdia

dai-nos a graça divina

da justiça e da concórdia


Aos teus pés que nos deste o direito

aos teus pés que nos deste a verdade

trata e exulta num férvido preito

a alma em festa da Tua cidade


Desta sagrada colina

Mansão da misericórdia

dai-nos a graça divina

da justiça e da concórdia


Alma heróica e viril deste povo
Nas procelas sombrias da dor
Como a pomba que voa de novo
Sempre abriste teu seio de amor.
Refrão
Desta sagrada colina
Mansão da misericórdia
Dá-nos a graça divina
Da justiça e da concórdia.




domingo, 20 de dezembro de 2009

TRADIÇÕES DO NATAL:BAILES PASTORIS











TRADIÇÕES DO NATAL:OS BAILES PASTORIS
Uma das mais belas tradições do Nordeste,os bailes pastoris,enfeitavam as ruas da cidade,enchendo-as de ritmo e alegria.
Desde o mês de Agosto, conta Manoel Quirino,começavam-se os ensaios,oriundos dos autos pastoris de Gil Vicente,que compôs o primeiro a pedido da rainha D. Beatriz,aumentando muito a fama da corte de D. Manoel.
Na Bahia,famosos poetas e letrados compuseram as músicas que tornavam esses bailes dignos de rainhas e plebéias.Alguns aproveitavam trechos de óperas como A Traviata e o Trovador.
Importantes eram os ensaiadores,que cuidavam da entonação,das expressões fisionômicas,da mímica,dos gestos,como um diretor de arte compenetrado e zeloso deveria fazer.
As moças,pastoras ou pastorinhas se esmeravam nos trajes para a apresentação,nos adereços,nos pandeiros de folha de flandres enfeitados com fitas e nas castanholas.
Cantando,tocando e dançando pelas ruas, visitavam as casas,levando uma alegria cheia de graça para todos.
Uma mocinha,trajada à camponesa,era o guia e puxava a música:
Dos mais vividos fulgores
Cobre-se o céu de Belém,
Tem mais placidez a lua
O sol-luz mais forte,tem.
Bailem,bailem,pastorinhas
Bailem com grande primor;
Bailem que hoje é nascido
Nosso grande Salvador.
Os bailes favoritos eram “O Caçador”, “Marujo”,”Liberdade”,”Quatro Pastores”, “O Velho Terencio”entre muitos outros.
Nas casas mais abastadas,uma rica ornamentação esperava as pastorinhas.As cadeiras eram colocadas em círculo,cavalheiros de um lado,senhoras do outro,sendo o grande espaço central destinado para as danças.
Os músicos se acomodavam, e os convidados febris esperavam ansiosos, a função.Rapazes animados,donzelas ruborizadas.
Precedidas por um anjo,chegavam as pastoras,cantando e dançando. Saudavam a dona da casa:
Abre-te,porta lavrada
Casa de dona formosa
Pois chame o seu marido
Quero lhe dar esta rosa.
E,continuavam:
Cantemos louvores
Com muita alegria
Louvando a Jesus
E a Virgem Maria.
A apresentação terminava com muitas palmas e belos ramalhetes de flores eram oferecidos às pastoras.
Seguiam-se os comes e bebes oferecidos pelos anfitriões, mesa farta e bebida à vontade.
Belos tempos!