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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

LEVAVA EU UM JARINHO...



EVAVA EU UM JARRINHO...
(ANÔNIMO)
Levava eu um jarrinho
P’rá ir buscar vinho,
Levava um tostão
P’rá comprar pão,
E,levava uma fita
P’rá ficar bonita.
Correu atrás
De mim um rapaz.
Foi o jarro pr’o chão,
Perdi o tostão,
Rasgou-se-me a fita...
Vejam que desdita!
Se não levasse um jarrinho,
Nem fosse buscar vinho,
Nem tivesse um tostão,
Nem fosse comprar pão,
Nem trouxesse uma fita
P’rá ficar bonita,
Nem corresse atrás
De mim um rapaz
Para ver o que eu fazia,
Nada disto acontecia...

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sábado, 19 de dezembro de 2009

O NATAL E EU!



HÁ um verso de um poema do Mestre Machado em que ele perguntava: -“mudou o Natal ou mudei eu”?
O certo é que faz tempo que o Natal não é mais a festa da família, da confraternização, das preces conjuntas,da tradição e das grandes consoadas; mesas fartas,o peru reinando sobranceiro,a macarronada caprichada,as frutas secas,o ponche(receita,segredo de cada família,guardado a sete chaves),o champanhe.
Hoje,o Natal é a festa do deus Consumo.
Ficaram em segundo plano,as vetustas catedrais com seus coros de anjos,a Missa do galo,missa injusta,aliás,pois o festejado é o galo,mas,quem é comido é o peru.Foram substituídas pelos alegres shoppings-centers, cada vez mais atrativos do que as velhas igrejas e seus cantos gregorianos.
Restaram as músicas;o “Jingle Bells”,importado,as velhas canções portuguesas como o lindo “Adeste Fidelis”,o “Noite Feliz”,tocado e cantado por todos,e,a clássica infantil ,com o belo versinho,tão verdadeiro:Papai Noel vê se você tem,
A felicidade
Prá você me dar.
E,essa tal felicidade,no Natal,ela chega?
Pressurosa, para as crianças com seus brinquedos,para a velha senhora que recebe os filhos e netos,para o comerciante,contando os lucros,chega com a visão da bela mesa posta para a ceia,o rebrilhar das pratas e dos cristais,o perfume dos incensos e das velas,a s luzes feéricas das mangueiras elétricas s seus pisca-piscas cada dia mais sofisticados,pois o Natal é a festa da luz;ou,como escreveu um conhecido que é um grande escritor(embora ele nem suspeite disto):”Deus por entre temperos e açúcares”.
Mas, a verdadeira luz tem que brilhar de dentro para fora; a gente tem que estar de bem consigo mesmo,interagir com nossos semelhantes,doar;Natal também é doação.doação de si mesmo,esparzir a sua luz sobre todos,espalhar felicidade e,sobretudo,agradecer;agradecer o Bem e o Mal;o Bem,visto como recompensa;o Mal,como aprendizado.
Alguns se dizem cansados do Natal: a mesmice,os mesmos votos,a mesma festa,os mesmos presentes,a mesma ceia.Como o poeta Drummond,mineiro bão,escreveu:
“menino,peço-te a graça
de não fazer mais poemas
de Natal.
Uns dois ou três,inda passa.
Industrializar o tema
Eis o mal.”