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terça-feira, 23 de agosto de 2011

O FOLCLORE


Um país forma sua identidade  pela tradição e pela preservação dos costumes populares.
O folclore  é composto de mitos e lendas.

As lendas são estórias que passam de geração em geração pela tradição oral e os mitos  são criações populares para explicar fatos científicos que eles não compreendiam bem ou simplesmente para assustar,principalmente as crianças,como o bicho-papão,por exemplo.

 As estórias,contos,lendas,cânticos religiosos,adágios populares e trovas brotadas da alma de um povo é que retratam bem a “fotografia”daquela nação e como esta  se mostra para o mundo.

As diversas  raças que  deram origem ao povo brasileiro, nos transmitiram o seu conhecimento atávico,as suas crenças,o seu modo de se expressar e as suas cantigas agitadas como o batuque dos negros ou ternas e lânguidas como a modinha portuguesa.
O folclore conserva esse passado na sua essência ,embora nos chegue modificados pela ação do tempo.

O fandango,a luta entre cristãos e mouros e mesmo o bumba-meu-boi, a festa do Divino,a congada perpetua bailados ou os faz desaparecer para ressuscitá-los depois,sempre com o feitio e cor original ou modificado pela engrenagem da máquina do tempo que muda o sentido das palavras.

O folk-lore é muito anterior a 22 de agosto de 1846 quando William John Thoms criou o termo para designar as crenças e lendas populares.

O desenvolvimento industrial, a tecnologia avançada não destrói o folclore.
Não apenas contos (folks-tales) e cantos, mas,hábitos,costumes,gestos,superstições,alimentação,mezinhas,indumentária,sátiras,lirismo tudo constitui a história daquele grupo social,chegado até nós pela tradição oral.

Onde estiver o homem viverá uma fonte de criação, preservação e divulgação dos hábitos daquele clã e cultura daquele povo ;em qualquer deles estará aí,vívida e atuante a cultura sagrada,hierárquica,veneranda,reservada para a iniciação,a tradição oral e coletiva,destinada a manter usos e costumes por muitos séculos.
No Brasil,inúmeros e importantes historiadores dedicaram-se ao estudo do folclore nacional,como por exemplo Luís Câmara Cascudo,João Ribeiro,Gustavo Barroso, Sílvio Romero, entre outros.
A riqueza do nosso folclore é ímpar,pois,três povos ajudaram a criar a nossa identidade cultural:o luso,o negro e o índio.
Temos os reisados e cheganças, o bumba-meu-boi,o carnaval,o candomblé,as cavalhadas, a festa de reis,o maracatu.

Mitos temos  inúmeros,não fosse o povo brasileiro profundamente criativo:o boitatá,o boto,o curupira,o lobisomem(esse herdado dos europeus) a mãe d’ água,o corpo-seco,as assombrações,a mula sem cabeça,o saci,o velho do surrão.
As adivinhações, os provérbios, as trovas (de origem portuguesa) a literatura de cordel,as “incelênças” nordestinas.
Realmente , um estudo encantador ,fascinante e muito rico o estudo do folclore!

Bom que hoje seja tão festejado, pois,a elite social e intelectual do Brasil só tomou conhecimento dele com a chegada do Romantismo,no sec. XIX.


                           MITOS BRASILEIROS



                   A MULA – SEM –CABEÇA


O celibato forçado ao qual a Igreja Católica obriga  seu clero,deu origem a várias lendas,chistes e ditos populares,entre eles a mula –sem –cabeça.
Assim eram chamadas,de modo pejorativo,as concubinas dos padres,principalmente no interior,onde essas prevaricações eram mais freqüentes.Também eram chamadas de “burrinhas – de – padre ou simplesmente,burrinhas.
No México eram chamadas  de ‘maloras” ou “Mula Anima”,”Alma Mula”,na Argentina e nos outros países sul americanos.
Porque mula – sem –cabeça?Porque sendo o marido,naquelas priscas eras,o cabeça do casal e como a pobre mulher não tinha marido oficial,veio daí o apelido.
A fantasia popular é  abrangente e rica; num átimo  criou-se  uma lenda ;nas noites de quinta para sexta feira,a mulher se transformaria num forte animal  que saía num doido galope pelos campos,assustando as pessoas.Lançava chispas de fogo pelas narina e pela boca.Suas patas eram como feitas de ferro.O relincho,assustador,era ouvido de longe.
Muitas vezes emitia um som de choro humano,como a lamentar a  sua situação.
A mula corre sete freguesias em cada noite até aparecer alguém que lhe quebre o encanto.
O encanto só terminava quando algum corajoso arrancava o freio de ferro que levava no pescoço.
Como relinchava e tinha   frio no pescoço se não tinha cabeça?
Nas lendas,tudo é possível...
Assim que o freio era  arrancado,a mulher apareceria  chorosa , despida e arrependida  no meio do povo, ;enquanto o seu salvador morasse na mesma freguesia o encanto estaria quebrado e ela não voltaria à forma animal.
Há  uma   outra forma da mulher escapar desta maldição;se o padre,seu comborço,amaldiçoá-la sete vezes antes de celebrar a missa.
Sempre o elemento  preconceituoso e moral está presente nestas lendas.
Trata –se de uma mulher casada que ,por muitos anos,mantém relações extra – conjugais com um sacerdote.Mas,note,que a condenação popular visa apenas as mulheres.
Na Europa,diz a tradição que,a hóstia fugiu das mãos do celebrante ,durante a comunhão,porque a amante estava assistindo à missa.(Scala Celi,de Gobi Jr.)
Mas,porque a mula?  Antigamente era a montaria favorita dos padres – curas , desde o século XII,como a gente lê nos relatos  antigos.  




CANTINHO DO LEITOR:
                       Olá, Miriam
Muito bom o texto do artigo.
Abração
Amália


Miriam,sou um apaixonado pelo folk-lore.Belo e importante texto.Beijos.
Cézar Ubaldo

sexta-feira, 2 de abril de 2010

MALHAÇÃO E TESTAMENTO DO JUDAS



Os sábados de Aleluia da minha infância eram esperados com ansiedade por adultos e crianças. O silencio sepulcral e o clima pesado da Sexta-Feira Santa estavam nos estertores,quando,batendo ás 10 horas da manhã, os sinos repicavam alegremente, rompendo a aleluia. As ruas se enchiam de garotos semi nus batendo panelas velhas e cantando:
”Aleluia,aleluia

Comida no prato,

Farinha na cuia,

Embora, para muitos deles, só restasse mesmo a farinha.
A noite nos reservava o melhor: a queima do Judas. Originário da tradição portuguesa, esses bonecos de palha ou de pano, rasgados e queimados furiosamente em praça pública, representavam a eliminação do Mal, alijado pelo fogo,banido da sociedade cristã;soltavam-se fogos coloridos,rojões,enquanto o populacho,em delírio,cantava e dançava. Hoje, quase mortas nas grandes cidades, essa tradição persiste nas pequenas cidades do Interior, onde ainda vivem as lembranças do passado,nossa memória atávica. Desde tempos imemoriais, na Península Ibérica, segundo os estudiosos Frazer e Mannhardt,registraram-se esses ritos próprios das festas da alegria nas proximidades do equinócio do verão,principio ou fim das colheitas,para afastar os maus espíritos. No Brasil, terra irreverente pela própria natureza, inventou-se o Testamento do Judas, lido durante o seu julgamento.Esse escrito,geralmente uma sátira a pessoas ou acontecimentos locais, fica no bolso do boneco e alguém espirituoso lê para a multidão.Eis um exemplo de um destes testamentos:
Judas deixa seu burro para o prefeito da cidade e outras pessoas gradas,locais: Aí vai a cabeça
Pro prefeito Zé Monteiro
A que ele tem não presta,
a do burro vale mais dinheiro;
Um pedaço do meu burro
Vai prá Maria Padeira
Ela ta necessitada
Pois lhe morreu o padeiro; E, por aí vai,com versos de pé quebrado e cheio de insinuações. Não queimei Judas nenhum, mas,fiz um pequeno testamento doando alguma coisa para políticos conhecidos:

Para o senador Sarney,

Que não tenho o que deixa;

Deixo óleo de peroba

Para a cara ele lavar.

Para o Lula, presidente

Que é malhado todo dia

Por não ser homem letrado,

Vou deixar tudo arrumado:

Deixo minha biblioteca,

pois lá tem livro á beça,

ninguém mais lhe arrelia.



Para o Serra,atucanado
pelo Pê Esse Dê Bê
deixo-lhe esse conselho
para abestado não ser.
Desista da presidência
Pois você tem ciência
Qu’isso não vai acontecer.



Para a Dilma,guerrilheira
que alimenta uma esperança.
Tome cuidado,criança
pois pode se enxofrá.
O líder é o Lula
Você entra nessa festa
Com garra e muita gula
Mas,sem roupa para bancar.



Pro Aécio,bom menino
Mineirin’ bem aprumado
Mesmo bem avaliado
Tucano bicou você.
Mas,não perca as esperança
Se fizerem uma lambança
Na Brasília de Arruda,
Tanto Dilma como Serra.
Se o pais se ferra,
Você deve entrá na fila.
Ai,ninguém lhe derruba.
PALAVRA DO LEITOR:
Miriam Se convença. Quando passa 3 dias que não leio uma mensagem sua eu fico pensando... Cadê Miriam! Eu gosto. Acho você tão chique, tão fina, tão lúcida, tão intelectualmente superior. Quando mando uma mensagegem para você eu fico pensando será que Miriam vai gostar. Toda vez que você me manda um e-mail eu fico mais feliz. Me sinto preenchido,plenificado. Bôa Páscoa