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quinta-feira, 4 de março de 2010

CULTURA É O QUE INTERESSA...

Primeira reunião da Câmara do Livro de 2010.
Vem prá cá você também!

Os inimigos de Lula vão torcer a cara;mas,torcem sempre,fazer o que?
Agora,que essa idéia de implantar o vale-cultura,criado pelo meu conterrâneo Juca Ferreira é genial,lá isso,é!
“Sorry”,amigos do contra,mas,esse cartão magnético a ser implantado – eu espero que não demore –se não acabar com a pirataria será ,no mínimo,um grande golpe contra ela.
O trabalhador comprará por $5.00 o cartão,carregado com $50.00 reais para gastar com CDs,cinemas,teatros,livros,cultura enfim.
Por que o povo compra CDs e DVDs de pirateiros?
Porque são muito caros nas casas especializadas ou livrarias,cara pálida!
Se ele encontrar o mesmo nas lojas de discos,tendo a segurança da qualidade e procedência,precisa ser muito cretino para comprar nas ruas.
E o teatro,então!?
Aqui em Salvador temos um projeto aos domingos onde as pessoas assistem a shows e encenações teatrais pagando apenas $1.00; e vive lotado.
O povo tem,sim,fome de cultura,não tem é grana prá gastar.
Quanto custa uma revista semanal?E um livro?
O assalariado tem uma “sobrinha” prá comprar?
Aqui em Salvador estamos nos mexendo.
Através da Câmara do Livro da Bahia estamos criando o “vale-livro” para alunos e professores poderem adquirir livros nas nossas feiras e Bienais, estamos estudando a criação de feiras literárias a exemplo de Paraty,vamos levar autores baianos à Bienal de Minas,vamos equipar bibliotecas, trabalhar pela cultura,para que chegue a todos.
Aproveitando o ensejo,convido todos os autores baianos a se filiarem à Câmara,pois nessa gestão de Aurélio Schommer estou vendo trabalho,vontade de realizações e vamos conseguir o que queremos,inclusive,arranjar patrocínios para autores baianos filiados poderem publicar seus trabalhos,pois para isso dispomos do “Faz Cultura”,da Bahia e da Lei Rouanet,nacional.
Nosso presidente sabe que uma andorinha só não faz verão;por isso criou um comitê com pessoas que dispõem de tempo e interesse para trabalhar em prol da Comunidade para que o ajudasse.
Formou-se esse comitê de escritores com o vice-presidente da Câmara,o escritor Antonio Cedraz,que com seu projeto “Xaxado” é muito conhecido em todas as escolas de Salvador;a escritora Clara Maciel,magnífica figura que leva a poesia e os poetas que se dispõem a isso às praças de Salvador e declama para o povo;pois,reza Castro Alves “a praça é do povo,como o céu é do condor”.E a poesia,também,caro poeta!...
Ainda contamos com o escritor Silvino Bastos e essa sua escrivinhadora aqui, de lança em riste e mangas arregaçadas para fazer valer nosso suor.
Nossa peregrinação vai de entidades governamentais,empresários e políticos do bem –o que!? – existem alguns sim,vocês é que não sabem...
Logo,logo,vocês ouvirão falar destes e suas valiosas contribuições em prol da cultura.
Escritores baianos,levantem se da rede;filiem-se à Câmara,pois quanto mais formos,melhor trabalharemos,não é?
CBaL
Câmara do Livro da Bahia
Sede:Biblioteca Pública dos Barris
E-mail do presidente:aurelioschommer@gmail.com
Valor da anuidade:$70.00
Compareçam e gozem dos resultados. Estamos trabalhando para vocês!
PALAVRA DO LEITOR:
07/03/2010 16:44 - Rejane Chica
Tomara dê certo e não seja mais uma ds tantas aprontações que vemospor aí!...Sabe como é! Desconfiamos de tudo vindo dos políticos em quem não confio nunca! beijos,chica
07/03/2010 16:13 - Djanira Luz
Salve, minha querida Miriam!rs A ideia é válida, espero que intençãotambém. Como diz aquele ditado "A quem nasce feroz, não importa o som da voz". Coisa que favoreça os desprotegidos causa-nos sempre desconfianças, não?rs Mas, gostei da ideia!rs Beijoquinhas. Love you!
07/03/2010 15:19 - Milla Pereira,poetisa paulista
É coisa pra se pensar, amiga! Já vi tantas que até me permito ficarcom um pé atrás.Saudades de vc. Beijos, Milla
08/03/2010 19:36 - Paulo KostellaNossos aplausos pela bandeira que empunhas! Há, que se administrarbem para que o objetivo não disvirtue! Parabéns a todos os envolvidos.Paulo

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

AVENTURAS E DESVENTURAS DE UMA PROFESSORINHA DA ROÇA



Minha mãe,formada pela Escola Normal,aos 17 anos,cismou de ensinar no interior da Bahia,isso na década de 30,quando Lampião,o rei do cangaço,aterrorizava o sertão.Meu avô materno,homem extremamente conservador,nem queria ouvir falar nisso,mas,não sei como,minha mãe,frágil,tímida,mignon,e,muito obediente,conseguiu o consentimento.Assim,ela e minha avó,tomaram a “Maria Fumaça”,na estação da Calçada,rumo ao seu destino,a cidade de Jacobina,lá onde o diabo perdeu as botas e o vento faz a curva,como se diz.Três dias para chegar em Jacobina,com baldeação em Santa Luz;e ,mais um para chegar em Miguel Calmon,remota cidade do interior,perdida nos tempos ,além de mais um dia á cavalo,até a Fazenda Brejo Grande,reduto dos Oliveira,ponto final dela.
Meu avô,Antonio Jerônimo,sabedor da vinda da “fessorinha”,não poupou esforços para buscá-la,lá na Sede.Escolheu o melhor cavalo,manso,bom de trote,que seria a montaria das recém-chegadas,sela própria para mulheres,que sentavam de lado,pois damas não usavam calça comprida;como complemento,um cochonil bem macio,esporas de prata,fortes rapazes para escoltá-las,pois os cangaceiros andaram por ali,descendo a serra do Tombador e tinham que estar preparados para o pior.
Chegada á Fazenda, minha mãe se encantou com tudo, novo para ela:a casa de farinha,o engenho,o pomar,o rio,o curral,a casa grande com mais de dez quartos,uma mesa de refeições,onde caberiam,sem apertos,uns trinta comensais,o povo simples e amistoso,para quem professora era uma espécie de deusa do saber,respeitada e mimada por todos.No dia seguinte ela assumiu a classe;classe essa composta de adultos ,alguns com mais de trinta anos,que não sabiam ler nem escrever.
A matrícula foi hilária; minha mãe perguntava a data de nascimento,mas,ninguém tinha registro,nem certidão,nada,então diziam:-ele nasceu quando o veio Jerônimo levantou a cumeeira da casa do Barreiro;pacientemente,minha mãe perguntava ao meu avô paterno sobre o sucedido e,ele respondia:-ah,foi em outubro de ´27;minha mãe colocava que o cabra nasceu em qualquer dia de 1927,outubro.
Outra chegava meio constrangida,pois tinha perdido o “assento” e não lembrava de nada;assento era o papelzinho onde se assentavam as datas familiares;Os melhores de vida,anotavam na Bíblia,criando um novo Gênesis.
Se minha mãe queria saber de vacinas,respondiam:-no tempo da vourilha(varíola)ele foi avalcinado, adespois disso mais nunca.
Apesar do respeito pela professora,havia garotos que não gostavam de estudar e queriam era viver pelos matos,pegando passarinhos,livres,leves e soltos,subindo nos umbuzeiros ou raspando mandioca para fazer farinha .Assim,fugiam da escola e não aprendiam nada.
Um deles era o Fulgencio,garoto levado,ágil como um cabrito,que se sentava no fundo para fugir mais rápido.Um dia,chegou o Inspetor,que veio ver o progresso da classe;minha mãe preparou todos direitinho,a lição era de Historia,descobrimento do Brasil;como o diabo arma,o Inspetor escolheu logo o Fulgencio,por ser o menorzinho da classe,para responder:-Quem descobriu o Brasil?
O garoto,nervoso,acostumado a ser culpado,com razão,de (quase)todos os mal feitos,respondeu;
-Nun fui eu Sr.Inspetor,eu juro.
O Inspetor insistiu na pergunta,ele negava,minha mãe vexada,chegou a mãe do garoto,ouviu a demanda e falou firme pró Inspetor:
Foi ele ,sim,doto;esse minino é assim,faz as coisas,depois nega,tem a boca dura.
Quatro anos depois minha mãe se casava com meu pai,eu nasci em Salvador,mais voltei prá fazenda com três meses de idade,vivi lá até meus oito anos(ai que saudades que eu tenho...)e minha mãe ensinou lá quase quarenta anos;foi Diretora,Delegada Escolar,e,se alguém quiser contar quantos alunos ela ensinou as primeiras letras,que conte os fios dos seus cabelos brancos,que hoje repousam com Deus.


Gostaram?Esta é uma estória real.
IMG:Minha mãe,a professorinha da estória
PALAVRA DO LEITOR:
O poeta César Ubaldo,escreveu:
PARABÉNS,CARÍSSIMA CONFRADE,PELA MARAVILHOSA NARRATIVA,PELAS BELAS LEMBRANÇAS DE UM TEMPO IMORRIVEL.bEIJO FRATERNO.26/02/10