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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

AVENTURAS E DESVENTURAS DE UMA PROFESSORINHA DA ROÇA



Minha mãe,formada pela Escola Normal,aos 17 anos,cismou de ensinar no interior da Bahia,isso na década de 30,quando Lampião,o rei do cangaço,aterrorizava o sertão.Meu avô materno,homem extremamente conservador,nem queria ouvir falar nisso,mas,não sei como,minha mãe,frágil,tímida,mignon,e,muito obediente,conseguiu o consentimento.Assim,ela e minha avó,tomaram a “Maria Fumaça”,na estação da Calçada,rumo ao seu destino,a cidade de Jacobina,lá onde o diabo perdeu as botas e o vento faz a curva,como se diz.Três dias para chegar em Jacobina,com baldeação em Santa Luz;e ,mais um para chegar em Miguel Calmon,remota cidade do interior,perdida nos tempos ,além de mais um dia á cavalo,até a Fazenda Brejo Grande,reduto dos Oliveira,ponto final dela.
Meu avô,Antonio Jerônimo,sabedor da vinda da “fessorinha”,não poupou esforços para buscá-la,lá na Sede.Escolheu o melhor cavalo,manso,bom de trote,que seria a montaria das recém-chegadas,sela própria para mulheres,que sentavam de lado,pois damas não usavam calça comprida;como complemento,um cochonil bem macio,esporas de prata,fortes rapazes para escoltá-las,pois os cangaceiros andaram por ali,descendo a serra do Tombador e tinham que estar preparados para o pior.
Chegada á Fazenda, minha mãe se encantou com tudo, novo para ela:a casa de farinha,o engenho,o pomar,o rio,o curral,a casa grande com mais de dez quartos,uma mesa de refeições,onde caberiam,sem apertos,uns trinta comensais,o povo simples e amistoso,para quem professora era uma espécie de deusa do saber,respeitada e mimada por todos.No dia seguinte ela assumiu a classe;classe essa composta de adultos ,alguns com mais de trinta anos,que não sabiam ler nem escrever.
A matrícula foi hilária; minha mãe perguntava a data de nascimento,mas,ninguém tinha registro,nem certidão,nada,então diziam:-ele nasceu quando o veio Jerônimo levantou a cumeeira da casa do Barreiro;pacientemente,minha mãe perguntava ao meu avô paterno sobre o sucedido e,ele respondia:-ah,foi em outubro de ´27;minha mãe colocava que o cabra nasceu em qualquer dia de 1927,outubro.
Outra chegava meio constrangida,pois tinha perdido o “assento” e não lembrava de nada;assento era o papelzinho onde se assentavam as datas familiares;Os melhores de vida,anotavam na Bíblia,criando um novo Gênesis.
Se minha mãe queria saber de vacinas,respondiam:-no tempo da vourilha(varíola)ele foi avalcinado, adespois disso mais nunca.
Apesar do respeito pela professora,havia garotos que não gostavam de estudar e queriam era viver pelos matos,pegando passarinhos,livres,leves e soltos,subindo nos umbuzeiros ou raspando mandioca para fazer farinha .Assim,fugiam da escola e não aprendiam nada.
Um deles era o Fulgencio,garoto levado,ágil como um cabrito,que se sentava no fundo para fugir mais rápido.Um dia,chegou o Inspetor,que veio ver o progresso da classe;minha mãe preparou todos direitinho,a lição era de Historia,descobrimento do Brasil;como o diabo arma,o Inspetor escolheu logo o Fulgencio,por ser o menorzinho da classe,para responder:-Quem descobriu o Brasil?
O garoto,nervoso,acostumado a ser culpado,com razão,de (quase)todos os mal feitos,respondeu;
-Nun fui eu Sr.Inspetor,eu juro.
O Inspetor insistiu na pergunta,ele negava,minha mãe vexada,chegou a mãe do garoto,ouviu a demanda e falou firme pró Inspetor:
Foi ele ,sim,doto;esse minino é assim,faz as coisas,depois nega,tem a boca dura.
Quatro anos depois minha mãe se casava com meu pai,eu nasci em Salvador,mais voltei prá fazenda com três meses de idade,vivi lá até meus oito anos(ai que saudades que eu tenho...)e minha mãe ensinou lá quase quarenta anos;foi Diretora,Delegada Escolar,e,se alguém quiser contar quantos alunos ela ensinou as primeiras letras,que conte os fios dos seus cabelos brancos,que hoje repousam com Deus.


Gostaram?Esta é uma estória real.
IMG:Minha mãe,a professorinha da estória
PALAVRA DO LEITOR:
O poeta César Ubaldo,escreveu:
PARABÉNS,CARÍSSIMA CONFRADE,PELA MARAVILHOSA NARRATIVA,PELAS BELAS LEMBRANÇAS DE UM TEMPO IMORRIVEL.bEIJO FRATERNO.26/02/10

sábado, 20 de fevereiro de 2010

A DURA BATALHA DO ESCRITOR!



Você,leitor,senta-se na sua poltrona confortável e abre um livro.
Você terá, com certeza ,horas divertidas ou instrução garantida,uma viagem magnífica pela mente de outra pessoa e novos conceitos surgirão dentro de si mesmo, mudando idéias pré-estabelecidas e e trazendo novas maneiras de ver as coisas.
Esse pequeno objeto chamado livro pode mudar uma sociedade;e,já fez isso muitas vezes. O livro é também o seu amigo mais fiel;o livro é o cachorro impresso.

O trabalho do leitor termina ai;começou com a idéia da compra do livro,a decisão de fazê-lo,apesar dos altos preços praticados por livreiros e editores,a ida AA livraria,o prazer da degustação e escolha,a volta prá casa e,por fim,a leitura.
Se o autor for bom,você não para de virar a página;às vezes almoça de livro na mão,só o fechando quando a leitura acaba.
Que pena que terminou!
É como se um bom amigo,de conversa lúcida e agradável,de repente,partisse.Você já começa a ficar saudoso.
A gente sabe que um escritor é bom, dizia Salinger,quando o livro acaba e ficamos com vontade de telefonar prá ele.
O que o leitor comum não sabe é a verdadeira batalha inglória que é escrever um livro,no Brasil.
O autor desconhecido – e, todos começam assim –tem que se vestir de paciência e persistência para publicar sua obra.
Primeiro,o trabalho de parir um livro – como todo parto,doloroso -!
Nós inventamos um romance,ou uma crônica a partir daquilo que conhecemos e das experiências que tivemos,então escrevemos como se estivéssemos contando a estória para nossos filhos.
Depois,insistir com editores pouco ou nada acessíveis,muito mais dispostos em investir em “best-sellers” comprados a metro,do que apostar num autor novo que ninguém conhece.
A vantagem dos livros estrangeiros é que já vêm com uma larga publicidade, marketing e merchandising juntos,”trabalhando” o livro e ,aproveitando a mídia,impor o trabalho ao leitor.
–O brasileiro não lê,dizem eles.Editoras e distribuidores são negócios,como qualquer outro;como vamos perder dinheiro?
Ai,começa a” via-crucis” do autor;nenhuma editora o quer;ele trabalha duro,confia no seu taco,adora escrever,quer repassar suas experiências,modificar preconceitos,mas,esbarra na barreira dos custos.
Se pode,paga para ser publicado.
Tudo bem,uma batalha foi vencida,mas,a guerra está longe de terminar.
Pronto o livro,tem que vendê-lo.Como?
Publicidade,mídia eletrônica ou não,custa muito caro.Muitas livrarias não querem livros consignados.
Com a internet,abriu-se uma pequena luz no fim do túnel;podemos vender e divulgar nossos livros através de e-mails,blogs,sites,Google books, etc e o leitor passará a nos conhecer.
Por isso,caro leitor não se irrite se receber um e-mail assim;delete,não compre se não lhe convém (ainda é melhor que os antigos vendedores de porta- em –porta, de quem a gente custava a se livrar),porque para muitos escritores esse é o único meio de divulgar seu trabalho.
Como escritora recebo ou compro livros de muitos colegas e fico feliz de ver a qualidade dos seus trabalhos,a dedicação às letras que eles têm e,me entristeço ao pensar:-Que pena,trabalhos como esses se perdem e muitos jamais conhecerão.
E,com um riso amargo,me lembro que Balzac escrevia folhetins em papel jornal,H,G.Wells foi tapeceiro para sobreviver,Machado teve seus livros recusados diversas vezes e Shakespeare usava o teatro para divulgá-los.
E,se um golpe de sorte não os tivesse tirado do ostracismo?
Mas,não,não,me enganei nas palavras;foi uma dose de sorte,sim,porém,a palavra certa é persistência.
Eu procuro diariamente o leitor;ele pode não me dar bola,não comentar,não comprar meus livros,mas,quero me fazer presente sem ser chata,respeitando o direito do leitor que não quer receber e-mails evitando,sobretudo,spams,mas,tentando me fazer presente e mostrar meu trabalho.Agradeço o bom retorno que tive e tenho.
Como acreditava Hemingway,quando uma pessoa tem a habilidade de escrever e o desejo de escrever,não há crítico que possa causar danos ao seu trabalho se este for bom,ou salvá-lo se for ruim.
IMG:minha luta diária,no PC
Palavra do leitor:
23/02/2010 21:35 - Euripedes Barbosa RibeiroParabens minha amiga pela lucidez e contundencia deste texto. Vocesabe como ninguem a batalha que é publicar um livro neste país. E maisainda, divulgá-lo para que chegue até o leitor. Como autor anônimo, ouquase, espelho-me na sua determinação e vou publicar o meu livro sim.E correr atrás dos leitores. Da forma que me parecer viavel. BeijosMiriam. Tenha uma boa noite.
25/02/2010 00:40 - Menduina Prazer em conhece-la poetisa, lindo seu texto infelizmente o brasileiro não tem o hábito de ler, vim convidar a me visitar me dê esta honra beijos.
07/03/2010 13:22 - Helena Frenzel,Alemanha(p/mail)
E eu fico feliz por tu teres me encontrado! Recebi um email teu, oque me trouxe até aqui. Até agora estou gostando muito do que li. Seainda vivesse no Brasil, tentaria formar um grupo de escritores emontar uma editora própria, principalmente para aqueles autores que sóquerem ser conhecidos, que não pretendem viver da venda de livros,pelo menos não como renda principal. É difícil, eu sei. Me perguntocomo cada uma dessas grandes editoras começou... É que todo mundonasce pequeno, e depois cresce, não é mesmo? Acho a internet um meiode divulgação fantástico. A começar pelo poder que o produtor de bomconteúdo detém nas mãos. Acho que coisas boas se atraemautomaticamente, o bom conteúdo ao bom leitor e por aí vai. Bom, estefoi um primeiro comentário (espontâneo). Volto pra te ler mais. Gratapelo contato e pelo texto sobre o Dia Internacional da Mulher.Parabéns a ti também! Um abraço fraterno :-)

A DURA BATALHA DO ESCRITOR!

Você,leitor,senta-se na sua poltrona confortável e abre um livro.
Você terá, com certeza ,horas divertidas ou instrução garantida,uma viagem magnífica pela mente de outra pessoa e novos conceitos surgirão dentro de si mesmo, mudando idéias pré-estabelecidas e e trazendo novas maneiras de ver as coisas.
Esse pequeno objeto chamado livro pode mudar uma sociedade;e,já fez isso muitas vezes. O livro é também o seu amigo mais fiel;o livro é o cachorro impresso.

O trabalho do leitor termina ai;começou com a idéia da compra do livro,a decisão de fazê-lo,apesar dos altos preços praticados por livreiros e editores,a ida AA livraria,o prazer da degustação e escolha,a volta prá casa e,por fim,a leitura.
Se o autor for bom,você não para de virar a página;às vezes almoça de livro na mão,só o fechando quando a leitura acaba.
Que pena que terminou!
É como se um bom amigo,de conversa lúcida e agradável,de repente,partisse.Você já começa a ficar saudoso.
A gente sabe que um escritor é bom, dizia Salinger,quando o livro acaba e ficamos com vontade de telefonar prá ele.
O que o leitor comum não sabe é a verdadeira batalha inglória que é escrever um livro,no Brasil.
O autor desconhecido – e, todos começam assim –tem que se vestir de paciência e persistência para publicar sua obra.
Primeiro,o trabalho de parir um livro – como todo parto,doloroso -!
Nós inventamos um romance,ou uma crônica a partir daquilo que conhecemos e das experiências que tivemos,então escrevemos como se estivéssemos contando a estória para nossos filhos.
Depois,insistir com editores pouco ou nada acessíveis,muito mais dispostos em investir em “best-sellers” comprados a metro,do que apostar num autor novo que ninguém conhece.
A vantagem dos livros estrangeiros é que já vêm com uma larga publicidade, marketing e merchandising juntos,”trabalhando” o livro e ,aproveitando a mídia,impor o trabalho ao leitor.
–O brasileiro não lê,dizem eles.Editoras e distribuidores são negócios,como qualquer outro;como vamos perder dinheiro?
Ai,começa a” via-crucis” do autor;nenhuma editora o quer;ele trabalha duro,confia no seu taco,adora escrever,quer repassar suas experiências,modificar preconceitos,mas,esbarra na barreira dos custos.
Se pode,paga para ser publicado.
Tudo bem,uma batalha foi vencida,mas,a guerra está longe de terminar.
Pronto o livro,tem que vendê-lo.Como?
Publicidade,mídia eletrônica ou não,custa muito caro.Muitas livrarias não querem livros consignados.
Com a internet,abriu-se uma pequena luz no fim do túnel;podemos vender e divulgar nossos livros através de e-mails,blogs,sites,Google books, etc e o leitor passará a nos conhecer.
Por isso,caro leitor não se irrite se receber um e-mail assim;delete,não compre se não lhe convém (ainda é melhor que os antigos vendedores de porta- em –porta, de quem a gente custava a se livrar),porque para muitos escritores esse é o único meio de divulgar seu trabalho.
Como escritora recebo ou compro livros de muitos colegas e fico feliz de ver a qualidade dos seus trabalhos,a dedicação às letras que eles têm e,me entristeço ao pensar:-Que pena,trabalhos como esses se perdem e muitos jamais conhecerão.
E,com um riso amargo,me lembro que Balzac escrevia folhetins em papel jornal,H,G.Wells foi tapeceiro para sobreviver,Machado teve seus livros recusados diversas vezes e Shakespeare usava o teatro para divulgá-los.
E,se um golpe de sorte não os tivesse tirado do ostracismo?
Mas,não,não,me enganei nas palavras;foi uma dose de sorte,sim,porém,a palavra certa é persistência.
Eu procuro diariamente o leitor;ele pode não me dar bola,não comentar,não comprar meus livros,mas,quero me fazer presente sem ser chata,respeitando o direito do leitor que não quer receber e-mails evitando,sobretudo,spams,mas,tentando me fazer presente e mostrar meu trabalho.Agradeço o bom retorno que tive e tenho.
Como acreditava Hemingway,quando uma pessoa tem a habilidade de escrever e o desejo de escrever,não há crítico que possa causar danos ao seu trabalho se este for bom,ou salvá-lo se for ruim.


COM A PALAVRA O LEITOR:

26/02/2010 19:00 - Tércio Ricardo Kneip,escritor
Fantástico. Sempre digo na minha livraria de livros usados que "olivro é o melhor amigo do homem, mas o cachorro levou a fama" e avariante nesse texto é excelente. Aquele abraço extensivo ao povo daBahia.