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quarta-feira, 3 de março de 2010

DESCULPA,A GENTE JÁ SE CONHECE?


Meu maior problema é que nunca me lembro dos nomes,mas,sempre me .esqueço das caras.Mas,será que sou só eu?Alguém nunca passou por isso?
Seja na rua,numa festa,num enterro,na casa de amigos,vejo gente que SEI que conheço;só não me lembro quem é nem aonde vi.
Uma vez,quando trabalhava em Floripa,fui convidada para uma festinha na casa de uma colega de trabalho, aliás,uma chata.Ela estava fissurada para apresentar a colega da Bahia,acho que ninguém ali presente já havia visto uma baiana ao vivo e a cores e estavam todos excitados.O fato é que a festa estava um porre!Gente conversando baixinho,grupinhos formados,cochichavam,sorriam de leve e eu tinha certeza que era “o prato do dia”;na forma que alguns me olhavam,acho que da noite também.Não sou de beber,mas,a bebida era regrada e os salgadinhos,apesar de gostosos e fartos,sem o tempero de um vinho ou uma boa cervejinha,não empolgavam.Doida prá escapar,circulei pelo jardim e,perto do portão de entrada,encontrei um senhor de cara triste,meio amofinado,num canto;parecia,como eu,querer que tudo acabasse.Encostei nele e falei.
-Puxa,o velório ´tá animado.Vou embora.O senhor não vem?
E ele,respondeu:
-Não posso;sou o dono da casa.
Procurei um buraco para me enfiar, mas,as ruas de Floripa são tão bem cuidadas...
Aprendi a usar a técnica do “homem que ri”,de Hugo;se alguém olha prá mim,sorrio;pode ser um cobrador ou oficial de justiça:sorrio.
Não vá as pessoas me chamarem de metida.O pior é que tenho uma cara universal;pareço com todo mundo.Num show de Roberto Carlos,em Salvador,onde fui acompanhar minha filha,quando o carro saía do estacionamento do estádio,populares(juro!) cercaram o carro,jogaram beijinhos,bateram no capô,gritando:Lady Laura,Lady Laura,pensando que eu era a mãe do cantor.
Nas festas troco beijinhos com uma senhora,ela pergunta por meu pai,e eu,agoniada:Quem é?
Colega de escola,vizinha de rua,me dá uma dica,mulher,fala qualquer coisa,clareia;daqui há pouco vai chegar meu neto,tenho que apresentar,-como se não lembro o nome dela!?
Será Elvira-sim,a prima Elvira,boa praça,que não vejo há vinte anos-não,será Valdete,uma amiga de infância,da pá virada,que depois casou com um espanhol,ah,meu Deus,que dúvida!
Chega o anfitrião e me salva.
Vai fazer um brinde ao aniversariante.Corro pro bar....e ainda resta o Google,de qualquer forma;posso consultá-lo.
Sei que as coisas vão piorar.
Talvez chegue o dia em que alguém pergunte o meu nome e eu lhe pergunte:-Por favor,você precisa desta informação prá quando????






quinta-feira, 19 de novembro de 2009

UM LULÚ DE ESTIMAÇÃO!


Não há harmonia mais perfeita do que entre uma pessoa e seu cachorro; eles nos amam, nos entendem,nos percebem.Não fazem perguntas,nem exigências.Copiam até nossos temperamentos:donos dóceis e amistosos,cachorros,idem;donos agressivos,cachorros agressivos;eles gostam e fazem festa para nossos amigos e arreganham os dentes para qualquer desconhecido que se aproxime.
Bob,o fox-terrier de Lalá não era diferente.Foi-lhe presenteado pelo noivo,o Dr. Eulálio,hoje seu marido, e, criado como filho pelo casal,que aliás,há exatos dois anos esperava a visita da cegonha,mas a distinta senhora não aparecia e o Bob continuava reinando soberano.
Há muito, a lua de mel estava indo para a minguante e a vida de Lalá era um tédio só.
Livre da rotina caseira pela fortuna e posição, passava o dia lendo romances melosos e sonhando com amores avassaladores,daqueles que literalmente levam á loucura.
Foi passeando no parque que conheceu Geninho, moço alegre, riso bonito,afável e,com um bigodinho á La Errol Flynn,simplesmente irresistível.
O moço tinha fama de namorador, mas, Lalá saía pouco e nada sabia de fofocas de bairro.
O romance começou tão logo trocaram os primeiros olhares; em poucos dias,com muito cuidado,Geninho era introduzido na honrada casa do Dr. Eulálio,enquanto este mourejava no Ministério das Relações Exteriores,confiante como uma freira. Soubesse lá ele a qualidade das relações interiores que se passavam
na sua cama e as coisas se complicariam muito,já que ele não parecia homem amante de chifres.
No princípio, o problema foi Bob;
Todas as vezes que o Geninho entrava, ele enlouquecia:rosnava,ladrava alto,num desespero que acordava a rua toda;não contente com isto,avançava no Geninho,mordendo-lhe as pernas e rasgando-lhe as calças da moda que á mãe tanto custava comprar.Essa estória tinha que acabar ou o cachorro poria o caso no mato.
À custa de muitas guloseimas, carinhos feitos á medo e da constância das visitas,Bob acabou por se acostumar com o rapaz;passou dos latidos irritantes ás festas que nossos cachorros fazem ás pessoas queridas dos seus donos.
Tudo ia ás mil maravilhas, não fosse o capricho das mulheres;pois,a Lalá meteu na sua cabecinha linda e oca,que,marido e amante tinham que ser amigos;ela precisava disto,era como se o marido abençoasse essa situação,como se ele desse o “nihil obstant” a essa pouca vergonha:amava os dois e não queria perder nenhum.Eis como funciona a cabeça de algumas mulheres.
Lalá era rápida do pensamento á ação; numa festa no Ministério,passou um convite ao amante e,aproveitou para apresentá-lo ao marido;trocaram dois dedos de prosa,formou-se um grupo de colegas do doutor e este aproveitou para convidar os amigos para o jantar que daria no aniversário da esposa,daí há quinze dias.O Geninho,claro,foi incluído no convite.
O dia festivo chegou, jantar para vários íntimos,o doutor conversava animadamente com seu amigo Paulo Miranda,quando chegou,elegante como um modelo,o nosso Geninho.Ao avistá-lo,Bob,penteado,lustrado e embonecado,atravessou correndo toda a sala,como um bólide e veio lamber,pular nas pernas e afagar o Geninho,como só os cães sabem fazer com os amigos mais queridos e íntimos da casa.
Num átimo ,o doutor compreendeu o que todos já sabiam.Corrido de lá como um bandido,o Geninho,envergonhado,mudou de cidade,embarcando para o Rio,no primeiro vapor.Quanto a Lalá,expulsa de casa naquela mesma hora,nunca mais se soube dela.