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quarta-feira, 1 de setembro de 2010
HISTORIAS DE COMETAS
Para homenagear os caixeiros viajantes ,no seu dia!
OS COMETAS,COMO ERAM CHAMADOS OS REPRESENTANTES COMERCIAIS NOS ANOS 40,ERAM HOMENS CHEIOS DE ESTÓRIAS.
GANHAVAM O SUADO PÃO VIAJANDO,APARTADO DA FAMILIA,VIVENDO NO DESCONFORTO DAS PENSÕES PULGUENTAS,COMENDO MAL,DORMINDO PIOR E,SEMPRE PREOCUPADO COM O TAMANHO DA TESTA,JÁ QUE BALZAC DIZIA,NA “FISIOLOGIA DO CASAMENTO”,QUE ERAM ESSES HONESTOS TRABALHADORES,OS MAIORES CANDIDATOS Á CONFRARIA DE S. CORNELIO,QUE NENHUM HOMEM DESEJAVA FREQUENTAR.
MAS, HAVIA COMPENSAÇÕES;SUA CHEGADA NOS VILAREJOS,ERA MOTIVO DE FESTA E ALEGRIA,AS MOÇAS,DE OLHO NO CAMINHO,POIS,COM ELES VINHAM AS NOVIDADES,A MODA,AS NOTICIAS DA CIDADE GRANDE.
OS COMERCIANTES IAM ABASTECER SUAS LOJAS,AS VENDAS AUMENTARIAM E AS DONAS DE “BATE-FREGE”,COMO ERAM CHAMADAS AS PENSÕES HUMILDES QUE FREQUENTAVAM,ENXERGAVAM O AUMENTO NOS LUCROS,ALÉM DA DIVERSÃO QUE ESSES CAVALHEIROS REPRESENTAVAM,COM SEUS “CAUSOS “ E ANEDOTAS.
NUM TEMPO COM RARISSIMOS JORNAIS E SEM TV,ELES ERAM OS ARAUTOS DAS NOTICIAS,BOAS E MÁS;SABIAM DE TUDO,FUXICAVAM A VIDA DE TODOS.
ANDANDO POR CECA E MECA,NÃO RARO,SE DEPARAVAM COM CASOS EXTRAORDINARIOS,SITUAÇÕES INUSITADAS E INSÓLITAS,COMO ESSA QUE VOU CONTAR.
FOI NO ALTO SERTÃO,EM DEZEMBRO;O SOL DO VERÃO VARRIA A PLANICIE,UM CALOR DE TODOS OS INFERNOS,NEM UMA ÚNICA NUVEM NO CÉU;SILENCIO ABSOLUTO,OS ANIMAIS RECOLHIDOS,APROVEITANDO A SOMBRA DAS POUCAS ÁRVORES EXISTENTES.
CHAPÉU CAÍDO,TERNO AMARROTADO,CAMISA COR DE TERRA BATIDA(HÁ MUITO TINHA DEIXADO DE SER BRANCA),LÍNGUA DE FORA,O FORASTEIRO ENXERGOU UMA CHOUPANA,MEIO FORA DA ESTRADA,ESCONDIDA POR UM UMBUZEIRO.REUNINDO FORÇAS,DESVIOU-SE DA ESTRADA,PAROU NA PORTA DE MADEIRA MEIO RACHADA E BATEU PALMAS.OXALÁ TIVESSE UM VIVENTE!PRECISAVA BEBER ÁGUA.
-Ó DE CASA,GRITOU.SÓ O SILENCIO RESPONDEU.ELE NÃO DESANIMOU.EXPERIMENTOU A OUTRA FÓRMULA,A INFALIVEL:
-LOUVADO SEJA N.SR.JESÚS CRISTO.
UMA VOZ ALQUEBRADA RESPONDEU,VINDO DE MUITO LONGE:
-PARA SEMPRE SEJA LOUVADO.
ELE OUVIU PÉS QUE SE ARRASTAVAM,CUIDADOSOS,EM DIREÇÃO Á PORTA.APARECEU UMA VELHINHA COM UM LENÇO DE RAMAGENS COBRINDO A CARAPINHA,PÉS DESCALÇOS.
-O QUE DESEJA,SÊO MOÇO?
-BOAS TARDES,MINHA VELHA.PODERIA ME CONSEGUIR UM POUCO DE ÁGUA DE BEBER:?
-INHÔ,SIM.TENHO UMA MORINGA,FRESQUINHA.E GRITOU LÁ PRÁ DENTRO,COM VOZ TRÊMULA:
-DIPLOMA!
SEGUNDOS DEPOIS,UM MULATINHO LISO,OLHOS ESPERTOS,APARECEU.
-ANDA,VAI LÁ DENTRO,TRAZ ÁGUA PRO MOÇO.AVIA!
O GAROTO SUMIU NO CORREDOR E,VOLTOU LOGO COM UMA MORINGA E UM COPO DE ALUMINIO.O HOMEM BEBEU,COMO SE O GAROTO FOSSE GANÍMEDES E A ÁGUA,O NÉCTAR DOS DEUSES.AGRADECEU MUITO,NÃO SE ESQUECEU DE DEIXAR UNS TOSTÕES PARA A CRIANÇA,APESAR DOS RECLAMOS DA VELHA,E,INTRIGADO,PERGUNTOU:
-O NOME DELE É DIPLOMA!?POR QUÊ?
-A MODE QUE,MINHA FIA,A MÃE DELE,FOI ESTUDÁ NA CIDADE E O ADEPLOMA QUE ME TRUXE FOI ESSE.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
HISTÓRIAS DA VIDA PRIVADA!
Seu Jairo Santana era um funcionário exemplar;durante os trinta anos que trabalhou na Prefeitura de Salvador,nunca faltou um dia,nem saiu cedo,nem chegou atrasado.Parecia um relógio.Casado com Dona Zuleica,há trinta e cinco anos,tinha dois filhos,Deraldo,hoje,taxista e Marlise,professora.
A mulher cuidava da casa,sempre ás voltas com panelas e crochê;mas,na sua opacidade aparente,era quem mantinha firme os alicerces dessa família,para que,seu Jairo pudesse cuidar,tranqüilo dos problemas do seu trabalho.
Viviam felizes na sua casinha da Ribeira,com um pequeno jardim ,na frente e mamoeiros no quintal;quando entrou na menopausa,Dona Zuleica achou que não precisava mais cumprir as obrigações de cama,penosas para ela e,eles passaram a viver como irmãos.
Seu Jairo já entrado nos cinqüenta não pareceu se importar muito com a nova condição;viviam a mesma vidinha de sempre,iam á missa aos domingos,passeavam á tarde no Porto dos Mastros,para apreciar o pôr-do-sol e tomar um sorvete,sempre de braços dados,o mais perto de intimidade que chegavam.
Mas,como tudo na vida tem um fim,numa segunda feira ensolarada,seu Jairo,deixou pender a cabeça sobre sua mesa de escritório e,suavemente,entregou a alma ao Criador;tinha sido escalado,assim,de repente,sem doença aparente,pois a Magra,não costuma dar aviso.Foi um salseiro,um constrangimento só,um movimento de colegas e até de passantes que tinham negócios a tratar na prefeitura.Todos pareciam muito tristes.Seu Jairo era muito querido.
O velório, no dia seguinte,no Campo Santo,foi muito concorrido,a Municipalidade pagou as exéquias,a mulher compareceu toda de preto,como devia ser,acompanhada pelos filhos,todos muito chorosos.No meio da multidão,ninguém notou uma senhora,ainda jovem,que chorava muito,acompanhada por duas crianças,uma menina,de uns sete anos e um garoto de onze.Estavam meio recantiados,quase escondidos,mas,na hora do enterro,vieram perto da cova e jogaram umas rosas sobre o caixão.Choravam baixinho,controlados,mas,foram notados por Deraldo,que ficou intrigado:-Quem seria aquela mulher?Nunca a tinha visto.
-Aí tem dente de coelho,pensou.
A mãe nada percebeu, a cabeça pendida nos ombros,acariciava os cabelos da filha,abraçadas ambas,solidarias na dor.
A estranha e as crianças foram saindo devagar e Deraldo as seguiu até o ponto do ônibus; sentaram num banco e ele puxou conversa.
-Vieram também enterrar alguém? O garoto respondeu, um leve desafio na voz:
-Meu pai.Trabalhava na Prefeitura,morreu de repente.
Atônito, o rapaz voltou ao cemitério.
Estava claro que seu pai tinha outra família. Mas, como?Quando?Não faltava ao trabalho,nunca saía á noite,não se atrasava,sempre em casa nos feriados e fins de semana.
Só podia ser na hora do cafezinho!
IMG:Busca google
segunda-feira, 17 de maio de 2010
domingo, 9 de maio de 2010
INTERNET NO VOO PARA O ABISMO

Extraordinária narrativa da luta de um homem para se aproximar da sua amada.
Leitura apaixonante, “Internet no voo para o abismo”, é uma história de amor baseada integralmente em factos reais.
Murilo, um português de quarenta e oito anos, apaixona-se por Luana, uma brasileira de quarenta e três anos, vivendo um intenso e acidentado relacionamento amoroso na internet ao longo de oito meses levando à sua união final a doze mil quilómetros de distância.
História dramática e compungente, recheada de vivências surpreendentes, momentos cruéis e violentos.Questiona a realidade virtual e os seus perigos, um relato vivo e real protagonizado em três países diferentes; Portugal, Brasil e Argentina. O romance leva-nos por uma viagem no imaginário dos fatos descritos, fazendo o leitor confundir realidade e ficção; guerra, corrupção, amor e traição, momentos de humor, fatos baseados nas experiências pessoais do autor ao longo da sua trajetória por mais de dezasseis países desde a costa oriental de África à costa Ocidental, África austral, passando por toda a Europa e Atlântico Norte. O autor contesta a realidade “virtual” apontando os seus perigos e utilização dolosa, colocando interrogações, analisando um planeta em completa mutação de valores.

O AUTOR:
Miguel Martins De Menezes nasceu em Moçambique no dia vinte e um de Março de 1960. Em 1975, após a independência deste território sob administração portuguesa, imigra para Portugal devido aos conflitos armados, convulsões sociais e políticas que se seguiram. Ainda no mesmo ano, continua os seus estudos no Liceu Nacional De Viana Do Castelo onde concluíu o Curso Geral. Em 1976 passa a residir na cidade de Coimbra onde finaliza o Curso complementar no Liceu Infanta D. Maria, tendo ingressado na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra onde frequentou os dois primeiros anos da licenciatura em direito não tendo concluído a sua graduação.
Inicia a sua actividade profissional em 1984 nas áreas de logística aérea, marítima e comércio internacional, nas cidades do Porto e Lisboa, prosseguindo o seu percurso profissional em vários países de África, América do Sul e Europa.
Em 2009 decide abandonar a sua carreira profissional, regressando a Portugal para realizar um sonho adormecido de longa data, dedicando-se à atividade literária a tempo inteiro. Escreve “INTERNET-NO VOO PARA O ABISMO”, um romance baseado em fatos reais, encontrando-se em fase de conclusão do seu segundo romance de ficção, intitulado “ANATOMIA DO EGO”, onde disseca os sentimentos humanos com um realismo maravilhoso e místico.
Miguel Martins De Menezes nasceu em Moçambique no dia vinte e um de Março de 1960. Em 1975, após a independência deste território sob administração portuguesa, imigra para Portugal devido aos conflitos armados, convulsões sociais e políticas que se seguiram. Ainda no mesmo ano, continua os seus estudos no Liceu Nacional De Viana Do Castelo onde concluíu o Curso Geral. Em 1976 passa a residir na cidade de Coimbra onde finaliza o Curso complementar no Liceu Infanta D. Maria, tendo ingressado na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra onde frequentou os dois primeiros anos da licenciatura em direito não tendo concluído a sua graduação.
Inicia a sua actividade profissional em 1984 nas áreas de logística aérea, marítima e comércio internacional, nas cidades do Porto e Lisboa, prosseguindo o seu percurso profissional em vários países de África, América do Sul e Europa.
Em 2009 decide abandonar a sua carreira profissional, regressando a Portugal para realizar um sonho adormecido de longa data, dedicando-se à atividade literária a tempo inteiro. Escreve “INTERNET-NO VOO PARA O ABISMO”, um romance baseado em fatos reais, encontrando-se em fase de conclusão do seu segundo romance de ficção, intitulado “ANATOMIA DO EGO”, onde disseca os sentimentos humanos com um realismo maravilhoso e místico.
domingo, 2 de maio de 2010
PEQUENAS LEMBRANÇAS!
Meus paisAs manhãs de domingo eram agradáveis naquela remota cidadezinha do interior da Bahia, onde passei minha infância.
Meu pai gostava de receber seus amigos para uma cervejinha antes do almoço, prosear, contar e ouvir novidades, dar boas risadas, pois isto ajudava a passar o tempo numa cidade onde quase nada acontecia. Seus companheiros de prosas mais constantes eram o padre e o pastor presbiteriano da cidade. Vinham religiosamente todo domingo, não só pela prosa divertida, mas, também pelo doce de leite que minha mãe, excelente senhora, nunca deixava faltar (que era de se comer rezando).
Meu pai já era ecumênico , antes desta palavra virar moda. Neste dia , estavam discutindo as vantagens da doutrina de cada um e qual credo era mais eficiente para levar os pobres mortais até o Céu , depois do desenlace , é claro. Cada um falava mais enfaticamente da sua crença; quem venceria ,o Papa ou Lutero? O padre, muito vermelho e dogmático , o pastor falando alto , seu vozeirão enchendo a sala; meu pai, a tudo assistia, com um riso divertido no canto da boca , até que se saiu com esta:
- Meus amigos se acalmem, pois, quando a gente morre fica mais longe do Céu sete palmos.
*Essas e outras estórias deliciosas estão no livro "CONTOS E CAUSOS" .Pedidos através desse blog.
sábado, 1 de maio de 2010
MAIO, AMAI-O!
Rosa de maio,é meu desejo
mandar-te um beijo
nesta canção...
(cancioneiro popular)
É o mês das noivas e das novenas.
Mas ,aqui em Salvador,o tempo enlouqueceu e,as chuvas de Abril,chegaram em Maio,o que me leva a jurar que o relógio da Natureza,também anda mal da cuca.Até as rosas de maio sumiram das floriculturas;só encontrei rosas colombianas,caríssimas como cocaína.
Aqui, o dia amanhece bonito,sol promissor,-vai dar praia,digo eu!-única preocupação dos baianos, além do Ba-Vi e da gravidez de Ivete Sangalo(ela ainda não entendeu que,sem galo,a gravidez é impossível,pelo menos,por ora).Daqui há pouco cai um toró,sem explicação,sem emitir sinais,as ruas ficam alagadas,não dá praia,mas,pelo menos,podemos passear de barco nas largas avenidas de vale.Se não podemos confiar mais no azul do céu e,muito menos,nos olhos azuis das mulheres,em que confiar então? Tamos d’end’água,como diz o tabaréu.Literalmente.
Por aí, já começo minha eterna luta com o ignorante corretor ortográfico do Word,um metido a besta que não reconhece as expressões regionais do Nordeste e vive me enchendo de antipáticos tracinhos vermelhos;mando-lhe se roçar nas ostras,mas,ele não vai e fica aqui me inticando, quando tiraria mais lucro se fosse passear em Natal ou Porto Galinhas,ou mesmo banhar-se em Sauipe.
O certo é que o tempo e as mulheres costumam armar temporal por nada.
As noivas ainda existem e resistem e continuam a subir ao altar com pompa e circunstancia, sem se preocupar com a virgindade, felizmente, extinta.
O Mês de Maria também continua firme; devotas rezam o Oficio de Nossa Senhora ,senhora essa,cujo ofício era ser mãe de Jesus, ofício perigoso e doloroso.Mas,o bom é que os cheiros das angélicas enchem o ar,as vozes afinadas,cantam,como coros de anjos,as casas cheiram a santidade,devido ao incenso,que sobe aos céus para alegrar as narinas da Senhora.No dia que A encontrar,sabendo como Ela é bondosa e compassiva,portanto vai se dignar a cumprimentar essa pecadora empedernida,quero perguntar-lhe sobre seu maior milagre:como uma camponesa de Nazaré,na Palestina,torrada pelo sol inclemente do deserto,pode virar loura de olhos azuis,mais ariana que uma sueca;este é um dos mistérios gozosos que eu,na minha santa ignorância,nunca entendi;nem me atrevo a perguntar ao Papa,pois,o medo da fogueira ainda persiste no meu inconsciente,desde quando uma honesta senhora paulista,fez uma regressão ás minhas vidas passadas(inúmeras,já que sou uma pecadora de carteirinha e venho sempre dar com os costados neste vale de lágrimas) e afirmou que eu fui uma das hereges queimada pela Santa Inquisição;agora,vejam vocês,se nem o fogo sagrado me consertou,fazer o quê!?
OBS:Estas mal-traçadas foram escritas ano passado e,re-editadas,hoje,por mim.Daí a referencia a Ivete,orgulhosa mamãe;agora,o Ba - Vi,esse,continua tudo igual.
terça-feira, 27 de abril de 2010
* AMOR FILIAL*

Aquele filho adorava aquela mãe; solteirão, vivia com ela há exatos quarenta anos, naquela fazenda longe de tudo.
Por isso, quando ela morreu de repente, foi um chororô só;ele não se acostumava com a idéia e, quando uns poucos vizinhos chegaram para o velório, o encontraram em prantos e muito arredio.
Já havia banhado e vestido o cadáver, amortalhado e, conforme o costume da roça,coberto seu frágil corpinho com um lençol;os chegantes, se benziam,levantavam um pouco o lençol e olhavam o rosto da falecida.
Isso feito repetidas vezes,começou a irritar o rapaz.
Num dado momento, ao ver o lençol levantado mais uma vez, ele se ergueu bruscamente, arrumou o lençol com cuidado e bradou pros vizinhos:
-Agora, quem quiser ver a cara de minha mãe que vá ver no inferno.
-Agora, quem quiser ver a cara de minha mãe que vá ver no inferno.
IMG:Busca Google
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quarta-feira, 24 de março de 2010
MUY AMIGOS!

Dois amigos chegaram a Salvador mais duros que pau de tarado.Tinham que arranjar dinheiro para a sobrevivência.
Por isso,bolaram um plano que puseram logo em ação,pois D. Nice(necessidade)estava batendo á porta.
-Baiano tem fama de generoso;vamos nos separar e pedir dinheiro na rua;no final do dia,vamos ver quanto conseguimos.
À noitinha se encontraram para contar o dindin.
À noitinha se encontraram para contar o dindin.
-Quanto conseguiste?perguntou o argentino. (esqueci de dizer que eram "duristas"sul-americanos.)
-$15.00,disse o chileno.
-Fizeste o quê,prá conseguir?
-Escrevi um cartaz: "estou desempregado,tenho três filhos,preciso de ajuda.
_E,tu?ganhaste quanto? -$6.200.00 reais.
_E,tu?ganhaste quanto? -$6.200.00 reais.
QQQuanto???
O que fizeste,assaltaste um banco!?
O que fizeste,assaltaste um banco!?
-Não! Também fiz um cartaz;só que o meu ,dizia: -Por favor! Me ajude a voltar pro meu país;só falta $1.00 real!
sábado, 20 de março de 2010
A MORTE DO PROFESSOR

DOIS ANTIGOS COLEGAS DE ESCOLA SE ENCONTRAM NUM RESTAURANTE DEPOIS DE QUASE VINTE ANOS.APROVEITARAM PARA RELEMBRAR O PASSADO,AS AVENTURAS,OS COLEGAS;E,NATURALMENTE,OS MESTRES.
-SABES,FAZ UM MÊS QUE ESTIVE NO APARTAMENTO DO PROFESSOR FERNANDO.GOSTAVAS DELE?FOI O MELHOR PROFESSOR DE MATEMATICA QUE TIVEMOS.
GOSTAVA,SIM;ELE ME FEZ ENTENDER A ÁLGEBRA.E O VISTASTE?DEVE ESTAR VELHINHO!
-NÃO O VI.IMAGINA!O CRIADO DISSE QUE ELE FOI CASAR!ELE TEM 76 ANOS E A NOIVA ,17.
-CARAMBA!
-POIS É,DIAS DEPOIS VOLTEI LÁ.PERGUNTEI:
-CADÊ O PROFESSOR?
-MORREU!
-MORREU!MAS,ELE NÃO TINHA ACABADO DE SE CASAR!?DE QUE MORREU ELE?
-DE MATEMATICAS.
-O QUE?DE MATEMATICAS!?
-SIM,SENHOR.ELE QUERIA VER QUANTAS VEZES SETENTA E SEIS PODIAM CABER EM DEZESSETE E MORREU NA OPERAÇÃO.
quarta-feira, 3 de março de 2010
DESCULPA,A GENTE JÁ SE CONHECE?
Meu maior problema é que nunca me lembro dos nomes,mas,sempre me .esqueço das caras.Mas,será que sou só eu?Alguém nunca passou por isso?
Seja na rua,numa festa,num enterro,na casa de amigos,vejo gente que SEI que conheço;só não me lembro quem é nem aonde vi.
Uma vez,quando trabalhava em Floripa,fui convidada para uma festinha na casa de uma colega de trabalho, aliás,uma chata.Ela estava fissurada para apresentar a colega da Bahia,acho que ninguém ali presente já havia visto uma baiana ao vivo e a cores e estavam todos excitados.O fato é que a festa estava um porre!Gente conversando baixinho,grupinhos formados,cochichavam,sorriam de leve e eu tinha certeza que era “o prato do dia”;na forma que alguns me olhavam,acho que da noite também.Não sou de beber,mas,a bebida era regrada e os salgadinhos,apesar de gostosos e fartos,sem o tempero de um vinho ou uma boa cervejinha,não empolgavam.Doida prá escapar,circulei pelo jardim e,perto do portão de entrada,encontrei um senhor de cara triste,meio amofinado,num canto;parecia,como eu,querer que tudo acabasse.Encostei nele e falei.
-Puxa,o velório ´tá animado.Vou embora.O senhor não vem?
E ele,respondeu:
-Não posso;sou o dono da casa.
Procurei um buraco para me enfiar, mas,as ruas de Floripa são tão bem cuidadas...
Aprendi a usar a técnica do “homem que ri”,de Hugo;se alguém olha prá mim,sorrio;pode ser um cobrador ou oficial de justiça:sorrio.
Não vá as pessoas me chamarem de metida.O pior é que tenho uma cara universal;pareço com todo mundo.Num show de Roberto Carlos,em Salvador,onde fui acompanhar minha filha,quando o carro saía do estacionamento do estádio,populares(juro!) cercaram o carro,jogaram beijinhos,bateram no capô,gritando:Lady Laura,Lady Laura,pensando que eu era a mãe do cantor.
Nas festas troco beijinhos com uma senhora,ela pergunta por meu pai,e eu,agoniada:Quem é?
Colega de escola,vizinha de rua,me dá uma dica,mulher,fala qualquer coisa,clareia;daqui há pouco vai chegar meu neto,tenho que apresentar,-como se não lembro o nome dela!?
Será Elvira-sim,a prima Elvira,boa praça,que não vejo há vinte anos-não,será Valdete,uma amiga de infância,da pá virada,que depois casou com um espanhol,ah,meu Deus,que dúvida!
Chega o anfitrião e me salva.
Vai fazer um brinde ao aniversariante.Corro pro bar....e ainda resta o Google,de qualquer forma;posso consultá-lo.
Sei que as coisas vão piorar.
Talvez chegue o dia em que alguém pergunte o meu nome e eu lhe pergunte:-Por favor,você precisa desta informação prá quando????
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
COMO SER UM ESCRITOR BADALADO!

Muita gente quer fazer sucesso como escritor; mesmo aqueles que esnobam a “Deusa-Cadela”, como D.H, Lawrence, chamava a gloria literária, no fundo, no fundo, quer ter seu talento reconhecido e aceitaria de bom grado o beijo da fama. Pensando nisso, reuni algumas dicas para todos aqueles que,um dia,querem estourar nos “Mais Lidos” da Veja e quiçá tomar o “Five o´clock tea” como os velhotes da Academia.
1_Escreva de modo empolado, usando muito latinório e um português castiço do tempo de Camilo, um texto de tal forma hermético que só você e Deus entendam, se Ele algum dia se der ao trabalho de ler.
2_È necessário aparecer, freqüentar desde sofisticadas reuniões sociais até bailes funks e sessão de descarrego das igrejas alternativas; basta um desses pastores recomendarem você ou um pilar da sociedade comentar sobre sua obra com um desses jornalistas boiolas, que sempre aparecem para filar um Johnnie Walker gratuito e você já percorreu um quarto do caminho em direção á fama.
3_Seus cartões de visita: não saia de casa sem eles. Entregue para toda gente,sem esquecer de colocar ESCRITOR,no lugar da profissão;água mole em pedra dura...
4_Escreva para todas as editoras, enviando seu trabalho, sem se esquecer de mandar flores para a mulher do editor, parabenizá-lo no seu aniversário e levar-lhe um bom vinho de presente; algo bom, você tem que mostrar bom gosto e provar que não está necessitado.
5-Ah, o prefácio!Você tem que ter um, de preferência escrito por um autor que nunca lhe viu, mas, sempre te amou depois que você entregou a bagatela de $5000 reais ao dono da editora á titulo de gratificação, por ele ter se debruçado sobre suas mal traçadas.
6-Uma pitada de sexo não fará mal á sua obra, quanto mais picante melhor; veja o sucesso da Bruna Surfistinha, você não está morrendo de inveja?Confesse!
7-Fale sempre sobre seu livro com qualquer pessoa, aonde for; diga como é interessante e quantas pessoas já leram, além de você e sua mãe, é claro. Certamente a boa senhora será a primeira compradora,e,ainda vai financiar a beca da “Noite de Autógrafos”,mais aterrorizante que a noite de núpcias;lá,você só teria que agradar a um.
8-Se você se ver com milhares de exemplares da sua obra do século, encalhada no seu corredor, não se desespere; arrume amizade com um dono de sebo ou doe sua obra para bibliotecas do interior, quem sabe um dia, você desponta; você já estará morto, mas, gloria é como liberdade: antes tarde do que nunca.
9-Se tudo der errado fique amigo do Ministro da Cultura e arranje “uma boca”, nas publicações oficiais; você pode, por exemplo, escrever os discursos de Lula; quem sabe, ganha uma bolsa em Harvard?
10-Não desanime; lembre-se que, os maiores escritores do mundo, só foram reconhecidos “post-mortem”. Você chegará lá!
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
QUEM AVISA,AMIGO É...

Os cidadãos abaixo relacionados são considerados os pilares de suas nações,os motores que movem o mundo,os mais bem sucedidos do planeta.
Descobriram o segredo de fazer dinheiro,muuuito dinheiro,têm o chamado “toque de Midas”.
Ei-los:
$Charles Schwab:presidente da maior companhia siderúrgica do mundo;morreu na miséria.
$Richard Whitney:presidente da maior companhia de gás;preso,só foi libertado às portas da morte.
$Howard Hopsor:presidente da Bolsa de New York;morreu num hospital psiquiátrico.
$Arthur Cooton:o maior especulador de trigo;morreu no estrangeiro,insolvente.
$Casaro Rivermore:chamado o” Grande Urso” de Wall Street;suicidou-se.
$Ivan Bulger:cabeça de um enorme império mundial;suicidou-se.
$Os principais banqueiros brasileiros ainda estão vivos;mas,um dia chegam lá.
O que você está fazendo ai,cara – pálida,sentado nesse escritório,fazendo contas,que não vai para a Avenida pular,cantar,relaxar,beijar,tomar todas,soltar as frangas?
Pois é,quem não ouve conselho,ouve:coitado!!!
domingo, 14 de fevereiro de 2010
O BRASIL,VISTO PELOS HUMORISTAS

O PAIS DO CARNAVAL
MAX NUNES
O Brasil tem 8 milhões e 525 mil quilômetros quadrados de superfície.É um bocado de terra.Terra prá ninguém botar defeito.Mas,não tem vaga pro meu carro.Dentro do Brasil dá prá estacionar a Inglaterra com o Big Ben,a rainha e Lady Di;dá prá estacionar a Alemanha,a Bélgica,a Grécia com todos os zorbas e mais o arroz à grega,a Itália com todos os seus papas e mais o Pavarotti,a França com os seus diversos queijos e mais os ex-maridos de Brigitte e a Argentina com a sua invejável coleção de tanguistas de porre e mais todos os discos de Gardel – mas,não tem vaga pro meu carro.
Carnaval!Como aparece espaço no Carnaval!Tem espaço para bloco,prá rancho,prá desfile de escolas de samba cada uma com mais de dez mil passistas e não sei quantos bicheiros –mas,não tem vaga pro meu carro.E, o Brasil,insisto tem 8 milhões e 525 mil quilômetros quadrados!
Agora vejam o meu azar;se o Brasil,além desses km quadrados,tivesse apenas mais um metro,já tinha vaga para meu carro!
MAX NUNES
O Brasil tem 8 milhões e 525 mil quilômetros quadrados de superfície.É um bocado de terra.Terra prá ninguém botar defeito.Mas,não tem vaga pro meu carro.Dentro do Brasil dá prá estacionar a Inglaterra com o Big Ben,a rainha e Lady Di;dá prá estacionar a Alemanha,a Bélgica,a Grécia com todos os zorbas e mais o arroz à grega,a Itália com todos os seus papas e mais o Pavarotti,a França com os seus diversos queijos e mais os ex-maridos de Brigitte e a Argentina com a sua invejável coleção de tanguistas de porre e mais todos os discos de Gardel – mas,não tem vaga pro meu carro.
Carnaval!Como aparece espaço no Carnaval!Tem espaço para bloco,prá rancho,prá desfile de escolas de samba cada uma com mais de dez mil passistas e não sei quantos bicheiros –mas,não tem vaga pro meu carro.E, o Brasil,insisto tem 8 milhões e 525 mil quilômetros quadrados!
Agora vejam o meu azar;se o Brasil,além desses km quadrados,tivesse apenas mais um metro,já tinha vaga para meu carro!
Texto retirado do livro"Uma pulga na Camisola" ,de Ruy Castro
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
ACONTECEU NO CARNAVAL!...
ACONTECEU NO CARNAVAL!...
O camarote elegante, naquele hotel em Ondina ,estava lotado.Cheio de artistas globais,piriguetes,made in periferia,mas,com cara de colunáveis ,empresários de moringa cheia,balançando mais que navio em tempestade e velhas senhoras ultrapassadas,fingindo de brotinho e mostrando ,sem querer,as mal disfarçadas pelancas.Além dos gays,é claro;sem eles,nenhum camarote se sustenta.
Repara naquela madame,ali ,de nome comprido,apesar de ser ainda muito cedo,já tinha tomado todas,porém,o cavalheiro que a cumprimentou:-Oi! - estava ainda pior,pois,sendo assessor de político,nesses tempos brabos em que eles andam em baixa, e até vão presos,tinha mesmo que soltar as frangas,descontrair,para não endoidar de vez.
A velhota não devia ser mulher de oi,pois,olhou o sujeito meio atravessado e não respondeu ao cumprimento.
Mas,o tipo achando que não foi ouvido,descambou atrás dela,caindo e levantando e falou:
-Feliz Carnaval prá você!
Contrafeita,a mulher respondeu:
-O mesmo lhe desejo.
O homem sorriu,pegou uma taça,derramou um champanhe e ofereceu.
-Vira essa ai para soltar a alegria...
-Você já bebeu um bocado(hic);não tá na hora de parar?
-Êpa,pára esse papo cabeça.Parece conversa de mulher casada.
-Acontece que eu sou casada.
-Caramba,eu também,pô!Deu um soluço de bebum,- hic,hic- e ficou balançando o corpo prá lá e prá cá,como macumbeiro em transe.Sou um bocado casado;desde 1975,sacou!?
-Ora essa,eu também...Qual é o problema?
-Que puta coincidência,né?O Carnaval tem dessas coisas,a gente encontra caras que não vê a uma cara...Riu,satisfeito com o trocadilho infame. - Puta merda!
-Mas,me diz,você casou naquele convento enooorme,cujo aluguel do espaço deixa a gente limpo?
-Foi.Os bem-nascidos casam ali,né?Disse orgulhosamente_.
-Verdade,falou entornando um copo ,dessa vez de chopp.Também casei ali.E,pensativo:-Quanta coincidência!Não me diga que sua lua de mel foi em Paris...
-Claro,e viajei pela Varig.
_Puxa,eu também.Quase toda a gente passa lua-de-mel em Paris.
E,meio desanimado-Como se isso valesse prá alguma coisa...
Ela pareceu despertar de um sonho e aceitou o canecão de chopp que ele lhe ofereceu;já estava prá lá de marrakech,como diria o mano Caetano,mas,foi em frente.
Falou prá ele,a voz engrolada,meio triste:
_A lua-de-mel não depende do lugar; e,completou,filosofando:-Depende mesmo é do casal...
O cara deu um risinho e explicou:
-Minha mulher sempre diz isso...
Agarrou dois canecões que encheu de chopp,oferecendo um prá ela.
Mas,a mulherzinha já tava mudando o rumo da prosa.
-Olha aqui,Pauleta,você já bebeu demais.Vambora...
E agarrando um cambaleante marido o carregou prá casa.
O camarote elegante, naquele hotel em Ondina ,estava lotado.Cheio de artistas globais,piriguetes,made in periferia,mas,com cara de colunáveis ,empresários de moringa cheia,balançando mais que navio em tempestade e velhas senhoras ultrapassadas,fingindo de brotinho e mostrando ,sem querer,as mal disfarçadas pelancas.Além dos gays,é claro;sem eles,nenhum camarote se sustenta.
Repara naquela madame,ali ,de nome comprido,apesar de ser ainda muito cedo,já tinha tomado todas,porém,o cavalheiro que a cumprimentou:-Oi! - estava ainda pior,pois,sendo assessor de político,nesses tempos brabos em que eles andam em baixa, e até vão presos,tinha mesmo que soltar as frangas,descontrair,para não endoidar de vez.
A velhota não devia ser mulher de oi,pois,olhou o sujeito meio atravessado e não respondeu ao cumprimento.
Mas,o tipo achando que não foi ouvido,descambou atrás dela,caindo e levantando e falou:
-Feliz Carnaval prá você!
Contrafeita,a mulher respondeu:
-O mesmo lhe desejo.
O homem sorriu,pegou uma taça,derramou um champanhe e ofereceu.
-Vira essa ai para soltar a alegria...
-Você já bebeu um bocado(hic);não tá na hora de parar?
-Êpa,pára esse papo cabeça.Parece conversa de mulher casada.
-Acontece que eu sou casada.
-Caramba,eu também,pô!Deu um soluço de bebum,- hic,hic- e ficou balançando o corpo prá lá e prá cá,como macumbeiro em transe.Sou um bocado casado;desde 1975,sacou!?
-Ora essa,eu também...Qual é o problema?
-Que puta coincidência,né?O Carnaval tem dessas coisas,a gente encontra caras que não vê a uma cara...Riu,satisfeito com o trocadilho infame. - Puta merda!
-Mas,me diz,você casou naquele convento enooorme,cujo aluguel do espaço deixa a gente limpo?
-Foi.Os bem-nascidos casam ali,né?Disse orgulhosamente_.
-Verdade,falou entornando um copo ,dessa vez de chopp.Também casei ali.E,pensativo:-Quanta coincidência!Não me diga que sua lua de mel foi em Paris...
-Claro,e viajei pela Varig.
_Puxa,eu também.Quase toda a gente passa lua-de-mel em Paris.
E,meio desanimado-Como se isso valesse prá alguma coisa...
Ela pareceu despertar de um sonho e aceitou o canecão de chopp que ele lhe ofereceu;já estava prá lá de marrakech,como diria o mano Caetano,mas,foi em frente.
Falou prá ele,a voz engrolada,meio triste:
_A lua-de-mel não depende do lugar; e,completou,filosofando:-Depende mesmo é do casal...
O cara deu um risinho e explicou:
-Minha mulher sempre diz isso...
Agarrou dois canecões que encheu de chopp,oferecendo um prá ela.
Mas,a mulherzinha já tava mudando o rumo da prosa.
-Olha aqui,Pauleta,você já bebeu demais.Vambora...
E agarrando um cambaleante marido o carregou prá casa.
sábado, 30 de janeiro de 2010
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
CINEMA SAUDADE

Margaret:-Meu marido morreu!
Groucho:-Aposto que ele está usando isto como desculpa...
Margaret:-Fiquei com ele até o último minuto.
Groucho:-Não é de espantar que ele tenha morrido.
Margaret:-Eu o estreitei nos meus braços e o beijei profundamente!
Groucho:-Ah,então foi assassinato!...
Diálogo do filme "O Diabo A quatro",com Margaret Dumont e Groucho Marx,1933
domingo, 10 de janeiro de 2010
VOCÊ SABE O QUE É SER GAGÁ?

Os mais jovens não sabem o que é gagá.Nem têm idade para ser um.
Gagá era como se chamava antigamente os velhotes descompreendidos que não se comportavam de acordo com a sua idade ou os caducos, alguns já clientes do Dr.Alzhaimer;ou começando a ser.
O famoso humorista Millôr Fernandes os definiu magistralmente.Com algumas modificações(afinal,Millôr,o tempo não pára)ei-las aqui:
#Ser gagá é casar com uma mulher muito mais jovem e correr para apresentar aos amigos,um filhote,prova da sua virilidade.
#É chamar cinquentona de "menina".
#É viver pendurado nas revistas científicas esperando a droga da eterna juventade.Como já andam de memória fraca não se lembram das tentativas inglórias de Ponce de Léon.
#É ler primeiro que tudo,nos jornais,os anúncios fúnebres.
#É espiar um brotinho que passa(que,aliás,hoje é mina,gata,avião,gostosa etc) e ouvir alguém dizer:-Que velho tarado!
#É viver aposentado, andando de um lado prá outro sem direção nem ação.
#É se sentir muito só.Isso o torna egoísta e amedrontado.
#É sentir que ninguém mais o acaricia,com prazer,nem ele mesmo.
#É sorrir interminavelmente,não por alegria ou felicidade,mas,porque a dentadura ficou maior que a arcada.
#É ter estado em Paris em 19...e antigamente.
#É descobrir, assistindo a um filme do cinema mudo,um galã da sua idade.
#É ter ouvido a Rádio Nacional,e adorar o Repórter Esso.
#É se lembrar muito bem das brigas de Dalva e Herivelto e achar Getúlio,o máximo.
#É reclamar das modernidades,dos costumes(ou da falta deles)e repetir com freqüencia:-No meu tempo não era assim...
#É lembrar que ,na sua mocidade,era assim que se escrevia pharmacia,philarmônica e phoda.
#De phoda,então,não ter memória,só uma vaga lembrança...
#É se perguntar sempre:o cara chega à velhice ou já nasce com ela!?
#Para saber se você,garanhão beirando os setenta,está velho,responda esse breve questionário(muito breve para você não esquecer a pergunta no meio da resposta):
a-você fala em Hebe Camargo com muito entusiasmo?
b-resolve contar tudo do seu passado e ningúem mais se interessa em ouvir?
c-enche-se de indignação quando vê uma microssaia?
d-começa a freqüentar a Igreja?
e-usou desodorante Frigia,óleo Glostora nos cabelos,seu sabonete era Lever e andou de bonde?
Meu amigo,a única vantagem da velhice é que ningúem vem mais te chatear querendo vender seguros de vida...
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
TODOS OS SANTOS E UMA MÃE

Meu amigo Lito é um sujeito engraçado, bon-vivant, muito amigo do pulha, como diria Mestre Machado.
Adorava boemia, cerveja das, jogar conversa fora com os amigos na Cantina da Lua e falar da vida alheia, que é pecado, mas, é divertido.
E mantinha essa rotina, diariamente, apesar da mãe,ou por causa dela.
A mãe era uma santa senhora espanhola, ultra religiosa, viúva honesta, que dedicou toda sua vida ao filho; mães assim constituem um perigo, principalmente, esta, cuja altura, peso e cabelo nas ventas, parecia um sargento dos granadeiros e velava pela saúde do filho com a tenacidade de um policial.
Na verdade ela era uma mistura de mãe portuguesa, judia e italiana; junte tudo isso e veja no que dá. Quando meu amigo se preparava para as noitadas, lá vinha a boa senhora, atrás dele, marcação homem a homem, carregando casacos de lã, ignorando solenemente os 35º de Salvador; isto e mais a gemada, contra a tuberculose, o cordial, contra gripe, toda uma parafernália de poções, alimentos e quejandas que daria para abastecer um exercito; meu pobre amigo, magrinho, baixinho, não tinha onde armazenar tanta coisa. Paciente, ia ele se dirigindo para a porta, era dessas casas antigas com um longo corredor e ela atrás, falando:
-Meu filho, Sr, do Bonfim te acompanhe.
-A. Senhora de Guadalupe, te guarde.
-Sto.Antonio que te ilumine.Sta. Bárbara, que guie teus passos.
E meu amigo, andando; no fim do corredor, já com a mão na maçaneta, ele retruca:
- Mãe, escolhe quem é que vai, pois meu carro é fusca e ainda tem que deixar lugar para minha namorada.
Texto extraido do livro "CONTOS E CAUSOS"
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
COMO SER UM ESCRITOR BADALADO!

Muita gente quer fazer sucesso como escritor; mesmo aqueles que esnobam a “Deusa-Cadela”, como D.H, Lawrence, chamava a gloria literária, no fundo, no fundo, quer ter seu talento reconhecido e aceitaria de bom grado o beijo da fama. Pensando nisso,reuni algumas dicas para todos aqueles que,um dia,querem estourar nos “Mais Lidos” da Veja e quiçá tomar o “Five o´clock tea” como os velhotes da Academia.
1_Escreva de modo empolado, usando muito latinório e um português castiço do tempo de Camilo, um texto de tal forma hermético que só você e Deus entendam, se Ele algum dia se der ao trabalho de ler.
2_È necessário aparecer, freqüentar desde sofisticadas reuniões sociais até bailes funks e sessão de descarrego das igrejas alternativas; basta um desses pastores recomendarem você ou um pilar da sociedade comentar sobre sua obra com um desses jornalistas boiolas, que sempre aparecem para filar um Johnnie Walker gratuito e você já percorreu um quarto do caminho em direção á fama.
3_Seus cartões de visita: não saia de casa sem eles. Entregue para toda gente,sem esquecer de colocar ESCRITOR,no lugar da profissão;água mole em pedra dura...
4_Escreva para todas as editoras, enviando seu trabalho, sem se esquecer de mandar flores para a mulher do editor, parabenizá-lo no seu aniversário e levar-lhe um bom vinho de presente; algo bom, você tem que mostrar bom gosto e provar que não está necessitado.
5-Ah, o prefácio!Você tem que ter um, de preferência escrito por um autor que nunca lhe viu, mas, sempre te amou depois que você entregou a bagatela de $5000 reais ao dono da editora á titulo de gratificação, por ele ter se debruçado sobre suas mal traçadas.
6-Uma pitada de sexo não fará mal á sua obra, quanto mais picante melhor; veja o sucesso da Bruna Surfistinha, você não está morrendo de inveja?Confesse!
7-Fale sempre sobre seu livro com qualquer pessoa, aonde for; diga como é interessante e quantas pessoas já leram, além de você e sua mãe, é claro. Certamente a boa senhora será a primeira compradora,e,ainda vai financiar a beca da “Noite de Autógrafos”,mais aterrorizante que a noite de núpcias;lá,você só teria que agradar a um.
8-Se você se ver com milhares de exemplares da sua obra do século, encalhada no seu corredor, não se desespere; arrume amizade com um dono de sebo ou doe sua obra para bibliotecas do interior, quem sabe um dia, você desponta; você já estará morto, mas, gloria é como liberdade: antes tarde do que nunca.
9-Se tudo der errado fique amigo do Ministro da Cultura e arranje “uma boca”, nas publicações oficiais; você pode, por exemplo, escrever os discursos de Lula; quem sabe, ganha uma bolsa em Harvard?
10-Não desanime; lembre-se que, os maiores escritores do mundo, só foram reconhecidos “post-mortem”. você chegará lá!
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