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segunda-feira, 29 de março de 2010

PARABÉNS,SALVADOR:461 ANOS!

VOCÊ JÁ FOI À BAHIA?

Você já foi a Bahia?
Se não foi,amigo,vá.
Vá ver a pátria do samba
o reino de Yemanjá.
Salte na praia morena
onde Cabral aportou.
Olhe,abra a boca e se fique
como ficou o cacique
no dia em que Frei Henrique
nossa terra batizou.


Ande,respire a poesia
que o panorama ilumina!
Saveiros,Farol da Barra
Cais Dourado, Amaralina.
Veja tudo e se concentre
nessa doçura marinha.
E diga,sinceramente
se depois você não sente
a exaltação eloqüente
de Pero Vaz da Caminha.


Aqui é a Cidade Baixa
comercio,quinquilharias
crioulas em cada beco
moleques em cada esquina.
Ali,secos e molhados
e,acolá,encadernados
pensamentos ensebados
Livraria Catilina.

Depois,se tem boas pernas
vá para a cidade alta;
subindo as mesmas ladeiras
que Castro Alves subiu.
Vendo as famosas repúblicas
da estudantada de outrora
que há muito se foi embora,
com o romantismo,partiu.

Mas,se não quer ter trabalho
ou sofre de reumatismo,
não se entregue ao pessimismo
que pode subir sentado;
de taxi,não,que isto é feio.
Tome o Elevador Lacerda
E,se quiser mais poesia
suba de Plano Inclinado.

Cidade Alta,não pare
vá direto à Rua Chile,
vitrinas,bares,desfile
do grãfinismo da terra.
Mas,isso de hotéis gigantes,
cinemas,auto-falantes
pares janotas,galantes
nada da Bahia encerra.

A Bahia que estimamos
mora juntinho ao Terreiro.
Fica do Monte Serrat
à baixa do Sapateiro.
Anda de torço e chinela
brinca no Largo da Sé,
]chupa roletes de cana
da boa cana caiana,
come os quindins da baiana,
caruru e acarajé.

É esta a musa gostosa
mulata bela, dengosa
muito sonsa e muito prosa
que,ora,apresento a você.
Que almoça lá no Mercado
um vinho tinto gelado
com vatapá preparado
com bem pimenta e dendê.

Mulata que arranja tudo
com meu sinhô do Bonfim
que tange o diabo de casa
com perfume de alecrim.
Que é devota de verdade,
mas,quando cisma de amar...
Tem artes,ninguém se iluda.
Pega um raminho de arruda
benze o gajo e o gajo gruda
que só Deus pode apartar.

Mulata filha de um sonho
que teve Nosso Sinhô
após fazer o universo
no dia que descansou;
E que depois de criada
agradou tanto ao Criador
que esse de uma só penada,
com letra bem caprichada
escreveu sobre a fachada
“Terra de São Salvador”

Martins D´'Alvarez,poeta cearense



CEZARUBALDO CEZAR ,poeta baian 14:54 (4 horas atrás)

Parabéns,Miriam,por ter-nos trazido o poeta com tão belos versos.Parabéns Salvador,terra de mistérios benditos,de poetas,poetizas,mártires,terra da brancura da paz no oceano negro,terra de amor ao mar,de amor à Iemanjá,que tem você como embaixadora da cultura,senhora dos contos e causos que nos ensina a história por todos os dias vivida.

Parabéns,caríssima.

Beijos











Martins D'Alvarez,poeta cearense

terça-feira, 16 de março de 2010

RILKE,O POETA


QUE FARÁS TU,MEU DEUS,SE EU PERECER?



Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?
Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?

Eu sou o teu vaso - e se me quebro?

Eu sou tua água - e se apodreço?

Sou tua roupa e teu trabalho

Comigo perdes tu o teu sentido.
Depois de mim não terás um lugar

Onde as palavras ardentes te saúdem.

Dos teus pés cansados cairão

As sandálias que sou.

Perderás tua ampla túnica.

Teu olhar que em minhas pálpebras,

Como num travesseiro,

Ardentemente recebo,

Virá me procurar por largo tempo

E se deitará, na hora do crepúsculo,

No duro chão de pedra.
Que farás tu, meu Deus?

O medo me domina.


(Tradução: Paulo Plínio Abreu)



Rainer Maria Rilke nasceu em Praga no dia 4 de dezembro de 1875. Depois de viver uma infância solitária e cheia de conflitos emocionais, estudou nas universidades de Praga, Munique e Berlim. Suas primeiras obras publicadas foram poemas de amor, intitulados Vida e canções (1894). Em 1897, Rilke conheceu Lou Andreas-Salomé, a filha de um general russo, e dois anos depois viajava com ela para seu país natal. Inspirado pelas dimensões e pela beleza da paisagem como também pela profundidade espiritual das pessoas que conheceu, Rilke passou a acreditar que Deus estava presente em todas as coisas. Estes sentimentos encontraram expressão poética em Histórias do bom Deus (1900). Depois de 1900, Rilke eliminou de sua poesia o lirismo vago que em parte lhe haviam inspirado os simbolistas franceses, e, em seu lugar, adotou um estilo preciso e concreto, que podemos perceber em O livro das horas (1905), que consta de três partes: O livro da vida monástica, O livro da peregrinação e O livro da pobreza e da morte. Esta obra o consolidou como um grande poeta por sua variedade e riqueza de metáforas, e por suas reflexões um pouco místicas sobre as coisas.Em Paris, em 1902, Rilke conheceu o escultor Auguste Rodin e foi seu secretário de 1905 a 1906. Rodin ensinou o poeta a contemplar a obra de arte como uma atividade religiosa e a fazer versos tão consistentes e completos como se fossem esculturas. Os poemas deste período apareceram em Novos poemas (2 volumes, 1907-1908). Até o início da I Guerra Mundial, o autor viveu em Paris de onde realizou viagens pela Europa e pelo norte da África. De 1910 a 1912 viveu no castelo de Duíno, próximo a Trieste (agora na Itália), e ali escreveu os poemas que formam A vida de Maria (1913). Logo após iniciou a primeira redação das Elegias de Duíno (1923), obra esta em que já se percebe uma certa aproximação dos conceitos filosóficos existenciais de Soren Kierkegaard. Em sua obra em prosa mais importante, Os cadernos de Malte Laurids Brigge (1910), novela iniciada em Roma no ano de 1904, empregou imagens corrosivas para transmitir as reações que a vida em Paris provocava em um jovem escritor muito parecido com ele mesmo.Residiu em Munique durante quase toda a I Guerra Mundial e em 1919 mudou-se para Sierra (Suíça), onde se estabeleceu para o resto de sua vida, salvo algumas visitas ocasionais a Paris e Veneza, concluindo as Elegias de Duíno e escreveu Sonetos a Orfeu (1923). Estas obra são consideradas as mais importantes de sua produção poética. As Elegias representam a morte como uma transformação da vida e uma realidade interior que, junto com a vida, foram uma coisa única. A maioria dos sonetos cantam a vida e a morte como uma experiência cósmica. Rilke morreu no dia 29 de dezembro de 1926 em Valmont (Suíça).Sua obra, com seu hermetismo, solidão e ociosidade, chegou a um profundo existencialismo e influenciou os escritores dos anos cinqüenta tanto na Europa como na América.


Texto extraído do livro "Cartas a um jovem poeta", tradução de Paulo Rónai, Editora Globo – Rio de Janeiro, 1995.
Fonte:Releituras
IMG:Google



LEIA MAIS:
CASTRO ALVES, O POETA DA ESPERANÇA!
HOJE É DIA DE POESIA.

domingo, 31 de janeiro de 2010

HOJE É DIA DE POESIA...


ARTE DE AMAR

segundo, Manoel Bandeira

Se queres sentir a felicidade de amar,esquece a tua alma.

A alma é que estraga o amor.

Só em Deus ela pode encontrar satisfação.

Não noutra alma.

Só em Deus - ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

Porque os corpos se entendem,mas,as almas,não.
IMG: Busca Google