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terça-feira, 11 de maio de 2010

NOITE DE AUTÓGRAFOS

A autora,autografando na Bienal de Salvador.

Todo autor sabe disto. Não existe provação maior do que Noite de Autógrafos.
Conheço muita gente boa que se recusa a escrever um livro só para não passar por essa tortura medieval.
O livro fica pronto –uma tetéia! – lindo de viver ,capa perfeita , miolo perfeito ,papel do melhor ,impressão gráfica ,perfeita.A gente o toma nas mãos ,como um bebê ,coração acelerado ,inundado de felicidade.
Enfim ,você é um escritor.Colega de Dostoievski , Balzac ,Machado e outros menos votados.
Você fica imaginando como é que a Literatura Brasileira sobreviveu todo esse tempo sem a sua presença.
Ai,alguém lhe lembra a famigerada noite.Você recua ,ou melhor ,tenta recuar.Sem sucesso!
Amigos ,editores ,livreiros ,todos conspiram visando essa noite.
Os vizinhos perguntam:
-Quando será o lançamento? Onde?
Intimamente ,pensam:
-Será que vai ter cock-tail ?Ao menos , uma cervejinha...
Bom, um filho teu não foge à luta ,Brasil!
E,invocando a coragem dos cristãos que entram na arena e a displicência e serenidade dos pagãos que encaravam a fogueira ,você marca a data.
Nunca aos domingos ,mas ,pode ser nas segundas –ou quartas. Nas noites desses dias as pessoas não têm o que fazer e, se tiver boca livre ,virão com certeza.
Você começa a cumprimentar mais cordialmente seus vizinhos ,inclusive o velhote do quarto andar que acha os escritores uns sem que fazer e desconfia de todos os poetas ,até mesmo dos concretistas ,que ele pensa que são uma espécie qualquer de engenheiro.
Os parentes serão todos lembrados.
Até mesmo aqueles que você não vê e nem fala há milênios.
No shopping encontra seu primo ,aquele morador da Ceilândia que sempre lhe dava coques na cabeça quando sua mãe não estava olhando.
Muito mais forte que você que abria o berreiro ,chamando a atenção de todos
-EU!? Eu não fiz nada , tia, invenção desse garoto.
E,que, ao passar ao seu lado, segredava:
-Mariquinhas!
Pois é ,você encontra o primo ,apressa o passo ,o cumprimenta efusivamente e pergunta pela mãe dele.
Ele o olha torto.
Mamãe morreu fazem cinco anos.
Prá isso serve ser escritor ,você tem bate – pronto.
-Morreu prá você ,filho ingrato;ela continua viva no meu coração.
O primo ,azedo ,pergunta:
-E, você, faz o que!?
-Sou escritor.A propósito queria lhe convidar para o lançamento do meu livro ,depois de amanhã.
Você engasga.
Escritor!? Kakakaká.Mamãe sempre disse que você não daria mesmo prá nada...
E,deu um risinho superior.
Mas,chegou a grande noite.
Há três dias de caganeira , nervoso ,mãos sempre úmidas, você indaga aos seus botões:
-E se ninguém for?
Pronto. A sorte está lançada.
Você está sentado na sua mesa florida junto a uma pilha de livros pronta para ser vendida e autografada.
Você até comprou uma caneta Cross, brincando com ela entre os dedos,enquanto conta, mentalmente ,pela décima vez ,quantas pessoas poderão vir.
A sorte são os filhos , noras e netos.
Intimados ,vieram todos, sua mãe inclusive ,pois a boa velhinha nunca lhe faltou ,desde o dia do seu nascimento;estava ali ,firme e forte.
Bem, havia ali umas vinte pessoas.Pelo menos ,a sala não ficaria vazia.
O cheiro dos salgados do patrocinador que você arrumou e as idas e vindas do garçon enluvado, carregando a bandeja com uísque, começava a atrair curiosos.
Bem ,com as mãos úmidas ,você começou a dar autógrafos.
A pilha, ao seu lado, começa a diminuir.
Você respira, aliviado.
De repente ,um senhor alegre ,entra trazendo uma turma de dez pessoas.
Você sabe que o conhece, mas , igual a seu computador ,você ,não tem memória ,só uma vaga lembrança.
Nem sabe seu nome.
O velho vai chegando ,lhe dá um abraço de quebrar ossos e diz:
-Muito bem .Estou aqui com uns amigos.Mas,a gente só compra seu livro se você lembrar o meu nome.
Você sua frio.
Um branco total invade seu cérebro; fugiram todos os neurônios. O velhote espera.
Dê repente ,fez-se a luz; você se pega,dizendo:
José Joaquim Figueira do Nascimento ,meu prezado vizinho em Niterói.
O velho e a turma compra o resto dos livros.
Você respira fundo. Acabou.



terça-feira, 20 de abril de 2010

UM BOM VENDEDOR NÃO TEM PREÇO!



Tenho insistido , nos meus artigos , que , o escritor precisa ser também , um vendedor.
Ninguém melhor do que ele venderia o seu peixe , não é? Pois , ninguém conhece melhor sua obra , seus propósitos quando a escreveu e o que espera dela com relação ao público.
Como cada vez é mais complicado para o escritor independente colocar seu trabalho nas livrarias , pois o ganho é irrisório e, algumas das grandes nem pagam ao escritor o que lhes é de direito , torna-se necessário para a própria sobrevivência da obra que o autor saiba como vendê-la.
Comece por perder a timidez e considerar a venda como um trabalho sujo e desagradável ; você não vai ser um vendedor insistente , nem picareta , incomodando as pessoas , constrangendo-as ou fazendo uma abordagem agressiva.
Pense que,tudo no mundo é venda.O médico vende promessas de saúde, o advogado vende leis ,o padre vende um suposto lugar no céu , o professor lhe vende conhecimento , o comerciante vende bens e serviços necessários á sobrevivência.
Como fui , com muito orgulho , vendedora de livros e hoje sou escritora , portanto transitei nos dois mundos , desejo passar , para vocês um pouco da minha experiência.
Vamos conhecer algumas técnicas para ter sucesso com vendas.
Vender , (eu já dizia há muitos anos atrás quando treinava equipes de vendas) é fazer alguém pensar como nós pensamos;é usar a mais velha técnica do mundo:a técnica da persuasão.
Mas, vamos ao que interessa,o jeito gostoso e sadio de realizar uma venda bem feita.
*Entenda que cada leitor é único ; portanto , antes de tudo , identifique o que interessa a ele. Não vá vender livro de auto – ajuda a um cético, por exemplo.
**A venda de livros é , acima de tudo , passional:o leitor vê , folheia , gosta , compra.
Uma boa capa é fundamental; ela desperta o interesse.Uma boa sinopse , também, ajuda um bocado.Ali , o leitor percebe se , naquele livro está o que ele procura.Ai é onde entra o seu talento: fale com paixão da sua obra , interesse o leitor , faça com que ele deseje saber o que tem lá dentro.
***Esqueça aquela estória de hippie; ficou bem nos anos sessenta , mas, está démodé; o escritor deve ser educado , falar bem e pausado , vestir-se com elegância.
Se mulher e bonita,procure não mostrar muito os seios num decote marilyniano; afinal , é seu livro que você quer vender , não é?
Nem preciso dizer da importância do Português correto; não assassine a língua se você quiser viver dela.
****Dê atenção ao seu leitor; converse com ele , discuta , debata temas, e, depois da compra, ligue ou passe um e-mail para ele, querendo saber se o livro o agradou, se o satisfez , troque idéias sobre literatura , sobre outros autores , fidelize seu leitor.
É importante que você tenha um blog ou site onde possa ser encontrado; convide o leitor a visitá-lo. Corresponda-se com ele por e-mail , fale das novidades , não o perca de vista.Ele ficará encantado!
Não é á toa que Paulo Coelho mantém dezenas de secretárias para responder e-mails de seus fãs.
*****Atenção , hein! O leitor sabe quando o vendedor mente. Não adianta dizer que você ganhou o Jabuti ou que pertence a alguma Academia , pois , se o cara é seu leitor é porque é inteligente.E gente lida e inteligente não se deixa enganar facilmente.
******Se o leitor reclamar de alguma coisa , seja solícito e atencioso.Procrastinar , nesses casos , é suicídio.
*******Um sorriso amplo faz muito por você ; ele só perde para a organização e o planejamento.Numa tarde de autógrafos não saber onde pôs a caneta é imperdoável. Esquecer o nome do leitor , suicídio.
********Seu leitor não vai simplesmente comprar um livro; ele compra uma idéia: a idéia do status , do conhecimento, do desejo de viajar pela sua mente , ,de ver o que você tem a dizer.O desejo de descobrir novos mundos.
Se você , em vez de livros vendesse batom , ele (a) compraria a ilusão de beleza que o batom lhe proporciona.
********* Nunca subestime a inteligência do seu leitor; nem entre em conflito com as idéias dele por mais estapafúrdias que sejam. Aprenda a respeitar os “feios”.
**********Concentre-se no seu livro. Evite debates políticos ou religiosos e , principalmente , nunca, mas , nunca mesmo fale mal de um colega. A ética é sempre bem -vinda em qualquer situação.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

TEMOS LIVRO NOVO NA PRAÇA!





"NINGUÉM RECEBE UM SONHO SEM RECEBER TAMBÉM AS MANEIRAS PARA VÊ-LO REALIZADO."
LIVRO DO ESCRITOR JOSÉ CLÁUDIO ADÃO

Acontece no dia 20 de abril (terça-feira), a partir das 18h30min, no Status Café - Cultura e Arte, o lançamento do livro "A Vida do Bebê 2ª Parte – De 40 Para Frente", de autoria do escritor José Cláudio Adão. Fica à Rua Pernambuco, 1150, Savassi, Belo Horizonte.
Primeiro livro de José Cláudio, a obra é uma crítica bem humorada da meia idade. Com uma linguagem leve, o autor faz um excelente panorama da vida madura, passando por questões importantes como saúde, sexualidade, atividade física, intelectual e profissional, às vezes de forma séria, e em outros momentos, com refinado senso de humor.
Ao adquirir o livro, publicado pela editora Biblioteca 24x7, Seven System Internacional Ltda, o leitor ganha o direito a uma licença de uso pelo portal da editora, que permite acesso ao formato digital da obra.
Durante o lançamento, haverá uma apresentação musical e o autor estará autografando a obra. O preço do livro é de R$ 25,00.
Sobre o autor:
José Cláudio Adão (Cacá), 47 anos, é mineiro de Itabira. Foi mineiro também do trabalho em mineração durante muitos anos. É historiador pela Universidade Federal de Ouro Preto. Além de escrever crônicas, diariamente, gosta de cozinhar no intervalo entre uma palavra escrita e uma fome inventada. A sua produção literária cotidiana pode ser conhecida através do blog http://uaimundo.blogspot.com/



Minha opinião:

Ah,um livro é só mais um livro,um produto comercializável,que queremos ou não,adquirir.

Mas,leitores,um livro não é apenas isso.Naquelas pequenas páginas,naquelas linhas ,naquele formato, existe uma mágica,uma alegria,um conhecimento,um desejo.

Quem não é escritor jamais poderá imaginar o que é fazer um livro;se é que um livro é feito.

Para mim,um livro é o resultado de diversos acasos que se cruzam e conspiram para que a sua existência seja possível.

Um ser humano nasceu preparado para escrever um livro;outros nasceram preparados para ler esse livro.

Um escritor é sobretudo guerreiro e corajoso.

Guerreiro,porque luta insanamente para dar ao público o legado da sua obra.

Corajoso,porque se expõe;desnuda-se diante de um público sem saber a reação deste.

Meu amigo José Cláudio Adão é um desses seres misteriosos que trouxeram esse dom que, nós,escritores não sabemos se é prêmio ou maldição.

Mas,"ajea jacta est" (a sorte está lançada!)

E eu estou certa que esse bebê crescerá muito,durará uma eternidade e gerará uma prole vigorosa.
Para a alegria dos seus amigos e leitores.


LEIA MAIS:
CEM ANOS DE SOLIDÃO
NOVOS AUTORES

segunda-feira, 5 de abril de 2010

NOVOS AUTORES



È com prazer que lhes trago hoje um autor extraordinário como escritor e como ser humano.Sua luta contra a dependencia e o seu desejo de "conseguir sua vida de volta",como é o título do seu livro,mostra a todas as pessoas que a força,a persistencia e o desejo da vitória fazem toda a diferença.



Apresento-lhes agora :
Antonio Maria Santiago Cabral, 68 anos, nascido e residente em São Luís do Maranhão, é professor e bancário aposentado, ensaísta, poeta e escritor semiprofissional. No Magistério Público chegou a diretor de escola e como bancário, a gerente de agência. A sua paixão pelas Letras remonta à adolescência quando já produzia os seus primeiros contos e poemas.
Entretanto, a sua produção literária, após ter obtido um primeiro lugar num concurso literário da Faculdade de Letras, em 1977, que lhe valeu a publicação de um livro de ensaios – “Josué Montello, o artista literário”, Ed. Sioge/UFMA, São Luís, 1979, estagnou-se diante da evolução de sua dependência química que começara 10 anos antes. Quando se libertou, em 1999, tudo que lhe restava da vida era uma vida inteira por recomeçar e de Literatura, um exemplar do seu livro de ensaios e 12 poemas guardados num velho caderninho de adolescente.
Em 2006 resolveu concorrer com um desses 12 poemas a um concurso literário de poesias, ganhou um 5º lugar e uma participação em Antologia. Então, ressurgiu forte e definitiva a sua vocação para as Letras, passando a postar contos, crônicas e poemas nos mais diversos sites da Internet, especialmente o site Recanto das Letras, onde conta com cerca de 800 textos publicados e mais de 100.000 leituras, o site canadense Poetastrabajando.com, onde é moderador da sala “Poesías em Portugués”, e o seu blog Minhatocaliterária.blogspot.com.
Em 2008, publicou o seu romance autobiográfico “Conseguindo a minha vida de volta”, Editora Corifeu, Rio de Janeiro, e atualmente prepara para publicação um livro de contos e outro de poesias. Como muito bom humor, marca inconfundível de sua personalidade, declara não se autodefinir nem como poeta nem como escritor, mas sim como um homem que mantém um caso de amor com as palavras desde a adolescência. Um incurável caso de amor.
Bibliografia: Obras publicadas: Josué Montello, o artista literário (ensaio), edição Sioge/UFMA, São Luís, Maranhão, 1979; Conseguindo a minha vida de volta (romance autobiográfico), Ed. Corifeu, Rio de Janeiro – RJ, 2008. Participação em Antologias: Antologias Dellicatta I e II, Scortecci, São Paulo, 2006 e 2007.

RESUMO DO LIVRO " CONSEGUINDO A MINHA VIDA DE VOLTA", Editora Corifeu, Rio de Janeiro, 2008"Relato autobiográfico de um homem, envolvido por uma cruel dependência química, desequilíbrio emocional e penosos relacionamentos. Homem de Letras, bancário e professor, chegou, entretanto, à mais completa sarjeta física, moral e social em virtude de sua dependência ao álcool e anfetaminas. Sem fazer concessões às suas fraquezas ou vaidades, ele descreve com imagens fortes a intensa luta que travou consigo mesmo, não só para sobreviver no torvelinho da sua dependência química como para alcançar a sua recuperação e o resgate da sua cidadania.Alternando comportamentos absurdos de dependente compulsivo com gestos de renúncia e altruísmo para criar e cuidar dos seus filhos pequenos, não cai, entretanto, no caminho obscuro da autopiedade, nem assume ares de super-herói: tornou-se dependente químico pela sua incapacidade de aceitar os fatos de sua vida como eles eram e por buscar apoio nas tristes muletas morais do álcool e outras substâncias psicoativas. Por isso, mesmo nos momentos mais dramáticos da sua vida, abandonado e crticado por amigos e parentes, desacreditado pela sociedade, sabe que a solução terá que vir de dentro dele. Volta do seu fundo de poço exatamente por nunca ter abandonado essa percepção.
MENSAGEM DO AUTOR:
Já estão à disposição dos interessados para compra, no site da Agbook, a 2ª edição da minha autobiografia”Conseguindo a minha vida de volta” (revisada e ampliada), bem como a 1ª edição do meu livro de poesias “Além de Um Incerto Amanhã”. Tomo a liberdade de te enviar nesta oportunidade um arquivo com os dados completos: minha biografia e bibliografia, resumo dos livros, condições de compra etc; alguns desses dados já estão no seu belo blog, mas você pode escolher entre apenas acrescentar os novos dados ou considerar tão somente o arquivo ora enviado, excluindo as informações anteriores.
Continuo muito grato a você pela excelente divulgação que faz da minha modesta obra.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

COMO ORGANIZAR UMA BIBLIOTECA!



Você, leitor,adora livros e sempre está comprando algum;por isso já acumulou centenas de exemplares e os guarda com carinho.
Seus amigos lhe presenteiam com livros e,assim,a biblioteca vai crescendo.
Como arrumá-la?
Pior ainda, você nem liga muito para isso e um dia recebe um alentado lote de livros,por herança.
O que fazer?
Primeiro, se ainda não tem,mandar preparar as estantes;
Nas minúsculas casas atuais,algumas simples “apertamentos”,fica difícil um cantinho para os livros;tem que metê-los de qualquer jeito no rack da TV ou numa pequena estante no quarto,tudo misturado por cor ou tamanho ou pela ordem alfabética dos autores.
Claro que você não vai fazer como aquela dama vitoriana que arrumava os autores por sexo;homens de um lado,mulheres do outro;não fossem eles ,na calada da noite,”fazer livrinhos,”pois esses escritores não são gente de respeito,bêbados e tarados e poderiam mesmo se aproveitar das autoras.
Ou,como um cliente meu,pobre e analfabeto,que tirou sozinho o maior prêmio de loteria em Salvador.
De repente, rico,chamou uma arquiteta para decorar seu AP. de cinco banheiros,na Vitória,bairro nobre daqui,e ,ela o aconselhou a decorar o living com livros,pois era “de bom tom”,nas casas como a dele.
Chamada, (era vendedora de livros naquelas priscas eras) fui atendê-lo.
Cheguei,meio ressabiada,pois conhecia o “pátrazmente” do sujeito, numa tarde ensolarada e na bela varanda que dava para o mar,abri os” broadsiders” que era como se chamava as propagandas dos livros.
Para minha surpresa,o cidadão escolheu os três livros mais sofisticados e difíceis da coleção.
Vendi, à vista,e,curiosa falei:
-Não sabia que o senhor se interessava tanto por Ciência,História e Psicologia.
E ele:
-Ah,sobre os livros!?É que torço pelo Bahia e as capas têm as cores do meu time, azul,vermelho e branco...
Fiz uma cara de paisagem e fui saindo de fininho agarrada ao polpudo cheque.
Mas, voltando à arrumação.
Colocar autores por ordem alfabética não parece bem;os contos de Poe não combinam com os poemas de Píndaro e muito menos com o humor de Ponte Preta.
A melhor coisa que tem a fazer é reunir os assuntos, numerando cada livro com o número referente ao assunto tratado nele.
Esses números simbólicos serão postos na lombada,na parte inferior,sempre no mesmo lugar e que embaixo de cada número apareça uma letra.
Assim:220
A
O número representa História do Brasil e o nome do autor começa com A;todos os seus livros de História do Brasil terão o mesmo número a letra é que muda.
O mesmo você faz com os demais assuntos;romances,contos,poesias,ensaios,filosofia,psicologia etc.
As revistas,enciclopédias ou dicionários,que tratam de assuntos variados você cataloga como OBRAS GERAIS;representada por três zeros:000
Pronto? Tudo arrumado?
Ai a gente faz uma ficha real ou virtual para que o livro possa ser encontrado rapidamente.A ficha deve ser de autor,onde aparecerá no canto superior esquerdo o nº de classificação;no caso de diversos autores,a gente faz uma ficha pelo título;pode-se fazer também uma ficha de assunto;eu faço,pois,como pesquiso quase tudo que escrevo,isso facilita demais a minha vida.
As revistas devem ser colocadas em caixas especiais, por assunto,p/exemplo:revista acadêmica,de moda,assuntos variados,como a Veja,humorística,como a Mad e por ai vai.
Na caixa ,ponha um adesivo com o nome e o ano da revista.Fácil, né?

Eu ainda separo os livros de referencia,aqueles que,como médicos clínicos,entendem de tudo e não podem faltar numa casa,principalmente onde haja estudantes.Como as enciclopédias, os dicionários,o atlas,os anuários,livros de arte e/ou científicos.
Coloco numa estante separada onde ponho uma letra R,bem grande.
Pronto, agora é só cuidar para que seus “clientes” da biblioteca (filhos,netos,amigos) não tirem os livros do lugar ou pior,levem e se esqueçam de devolver.
Por conta disso,perdi o último volume da COMÉDIA HUMANA”, de Balzac,que comprei com meu primeiro salário de professora,em 1965,e paguei durante um ano à Editora Globo;pois é,justo a “FISIOLOGIA DO CASAMENTO”, um livro adorável.Emprestei e se foi;ando à caça dele pelos sebos e nunca mais encontrei.
Atualmente,não empresto livro a ninguém,a não ser anotando na ficha o nome do sujeito e a data do empréstimo.
Tenho 1500 livros na minha biblioteca;teria o dobro se não fossem os ratos de biblioteca.
Ah,querem saber quem inventou esse método de arrumação? Melvin Dewley,por isso esse sistema usado em todas as bibliotecas do mundo tem o seu nome.
Será que ajudei?



A

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O CAMINHO DAS PEDRAS: O SEMINARISTA


“O SEMINARISTA”, de Rubem Fonseca
Acabei de ler este livro,que nos trás,novamente,a literatura cética e cortante desse genial autor brasileiro.Uma literatura que sacode,questiona valores e embaralha a nossa visão ,pondo em cheque o nosso maniqueísmo e nossos valores estereotipados. Além de manter a nós,leitores,num estado de completa tensão,até o final do livro.
Desde o início, nos deparamos com crimes;crimes chocantes,crimes de mando,executados com maestria pelo “Especialista”,codinome do assassino pago,o melhor na sua área,segundo o “Despachante”,o sujeito que o contrata,a mando dos poderosos que podem pagar por esse luxo.
O Especialista é limpo,cirúrgico e eficiente;poderia ser um cirurgião,embora na juventude estivesse num seminário,onde adquiriu cultura e algum latinório que usa com freqüência nas suas raras conversas com alguém,na forma de sentenças proferidas por mestres como Sêneca e Plínio,o Velho,entre outros.
Quanto a seus “clientes”,os que morrem e os que mandam matar,nunca quis saber quem são,por isso,nem lê jornais,para não se deparar com as noticias dos crimes.
Mas,fatos novos acontecem e,agora José,cidadão simples,com algum pecúlio,à beira de uma aposentadoria ,segundo ele,merecidamente concedida,se vê às voltas com a posição de caçado,ele que sempre foi caçador.Descobre que querem matá-lo,afinal,é um arquivo vivo.Torna-se necessário revirar o passado e procurar por seus perseguidores,puxar o fio de Ariadne até chegar ao Maioral,á fonte de todas as execuções combinadas e pagas;e,ai é que vem a surpresa.O inesperado!
Precisa correr contra o relógio, para salvar sua vida e a da mulher que ama,pois,sim,ele agora está apaixonado e aprendeu o que significa temer pela vida de alguém.
Rubem Fonseca não é um autor querido pela mídia; fala-se pouco dele,muitas vezes é espicaçado,cutucado,talvez por não gostar de aparecer,não bajular poderosos,nem dar entrevistas a jornalistas beócios que lhe fazem perguntas impertinentes e vazias.
Mas,seu estilo é único! O tratamento que dá ao dualismo entre o Bem e o Mal,a inversão de valores,a culpa,relegada a um plano mental,nunca emocional,os questionamentos á civilização que favorece a violência e ao sistema que a corrobora,tudo isso faz dos seus livros,únicos.
O valor dado ás palavras é intenso no seu narrar.
A trama,escrita de modo simples,como se estivesse contando uma estória numa reunião de amigos,mas,com uma profundeza literária fantástica,os comportamentos se desenvolvendo quase no nível da inconsciência,tornam os seus livros imperdíveis que só enriquecem nossa literatura.
Ficha Técnica:
Título: O Seminarista
Autor: Rubem Fonseca
Editora: Agir

Outras obras desse autor:
Agosto
A grande Arte
o Cobrador
O caso Morel
Recebeu 5 vezes prêmios Jabuti e, em 2003 os prêmios Juan Rulfo e Camões

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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

ELE JÁ SE RENDEU. E NÓS?


Pois é, Paulo Coelho,quem diria,acabou capitulando.Agora é 100% eletrônico.Toda a sua obra está disponível em português,no Kindle,o e-reader da Amazon.
Ele e Mestre Machado são os únicos autores brasileiros publicados eletronicamente.
Péssima noticia para os editores e excelente para nós,autores.
Coelho apostou na negociação direta com a Amazon e receberá 37,5% do preço final da venda,quase 4x mais do que costumava receber das editoras quando o livro é vendido numa livraria convencional.
Faz tempo que penso em vender meus livros eletronicamente, pois,principalmente o pequeno e quase anônimo autor,como eu,tem que pagar para ser publicado e ainda arcar com distribuição,cocktails,divulgação etc.
E, então,colegas,não é hora de pensar mais no assunto?

Fonte:Revista Veja
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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A VOLTA DO GRANDE ESCRITOR!




"LEIO OS JORNAIS PARA SABER O QUE ELES ESTÃO COMENDO, BEBENDO, E FAZENDO. QUERO VIVER MUITO PARA TER TEMPO DE MATAR TODOS ELES."

RUBEM FONSECA

Ele andou meio sumido e um pouco distante o que não é novidade.
O mineiro Rubem Fonseca é um lobo da estepe;sempre solitário,ausente,pois,como o personagem de Hesse,já se desencantou da humanidade.
Como escritor não corteja a fama,esnoba a sociedade e detesta badalação;é um autor,não um clown.
Só aparece através de sua obra magistral.
Aos 86 anos publica “O SEMINARISTA”, a estória de um matador de aluguel,violento,amoral e sanguinário.
O cenário é o Rio de Janeiro,cidade cheia de encantos mil,mas,também de traficantes,contrabandistas e renegados.Entre outras coisas.
Mas,o herói /vilão quer uma aposentadoria digna para viver feliz ao lado de Kirsten,seu novo amor.
O herói ,ex-seminarista,gosta de citar Sêneca,em latim,enquanto vai perpetrando crimes e amando mulheres de seios pequenos ,suas favoritas.
Mas,seu passado volta para lhe condenar e impedir esta felicidade sonhada.
Entre um assassinato e outro,torturas medievais e arrependimentos,o autor vai lançando,também,um olhar de mestre para a cidade -o Rio- charmosa, feiticeira,colorida,mas,com instintos ruins que afluem facilmente.
Com uma bibliografia que inclui “”Feliz Ano Novo”,”O Cobrador”,”Buffo & Spalanzzoni” , “Mandrake” “Agosto” mesmo que esse fosse um livro decadente como insinuam alguns críticos,sua leitura é um dever e um prazer.