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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

ENTREVISTA ESCLARECEDORA PARA ESCRITORES

Anair Weirich é uma verdadeira batalhadora da literatura. Desde 1996 sobrevive só de seus livros e viaja pelo Brasil inteiro para vendê-los entre palestras, debates e eventos literários. Casada com um livreiro, ela mesma edita e publica seus livros, conhece todo o processo de publicação do livro, conversa com gráficos, papeleiros, entregadores, livreiros e comerciantes, é uma máquina editorial em pessoa, com uma bela história sempre na ponta da língua e dos dedos, sendo o melhor exemplo de luta pelo êxito que um escritor pode ter, sua energia contagia a todos os que a cercam por onde ela vai.


N.A:Esta entrevista foi transcrita do site Portal Literal e publicada aqui porque achei muito importante para esclarecimento  aos novos autores sobre como divulgar seus livros.
As lições desta mulher serão valiosas para todos.
Como nosso trabalho de divulgação se parecem -eu ajo igualzinho -decidi presentear os autores mais tímidos com essa verdadeira lição de como trabalhar sua obra.


Por estas e por outras que temos muito orgulho de tê-la na AgL, e já tirando uma casquinha, pedimos uma entrevista.



Vamos à ela!

AgL: Como você começou a escrever? Quem lia para você ao principio?

Anair: A literatura nasceu num momento bem dramático da minha vida, e serviu como válvula de escape. E foi nessa válvula de escape que me encontrei profissionalmente. O inicio foi de pequeninas coisas que escrevia, como se estivesse beliscando um pedaço de doce. Era pura necessidade e vontade de sentir o gosto. E minha família e amigos foi lendo uma coisinha aqui, outra ali, fui me animando também em publicar aqui e ali, e a coisa foi andando assim, com publicações em antologias, jornais, rádios, TVs, etc., por nove longos anos. Depois disso que veio meu primeiro livro individual, patrocinado por uma empresa de cosméticos. Mas... antes de tudo meeesmo!, houve um fato, que se eu puder pular, melhor... mas se não tiver jeito, eu conto.

AgL: Qual é seu gênero favorito? Algum link onde possamos ver ou ler algo sobre sua obra recente?

AnairMinha grande paixão é a poesia e tudo que preciso dizer, mesmo que não queira, vira poesia – que, coitada, sempre esteve em último lugar na literatura. Vende de tudo, mas o que menos vende é poesia, mesmo nos dias atuais. Claro que no meu caso, - o autor estando presente e recitando um pedacinho do poema, é meio caminho andado. Já ouvi pessoas dizerem: “poesia para mim lembra castigo, porque no meu tempo, meu professor – ou professora – me fazia decorar poesias enormes, tipo Navio Negreiro, quando eu aprontava alguma. E sempre que leio poesia me parece estar lendo ou ouvindo grego, é difícil assimilar, penetrar nesse mundo que é encantado, mas não me parece coisa de meros mortais, e sim dos eleitos. E depois, às vezes a gente lê poesias que são um amontoado de palavras sem nexo, quando a gente vai procurar o significado, o encanto se dissipa. Deveria existir texto mais simples para quem está começando a se interessar, e mais sofisticado para quem já está curtindo esse estilo de literatura. Só agora, é que me senti tentado por ela. Você precisa vir junto com o livro, para que eu as ouça.” – rsss.

... Foram tantas as vezes que ouvi coisas parecidas, nas mais variadas faixas etárias!... Mas isso sempre me serviu de estímulo, e não de desanimo perante a situação.

E mais, adoro despertar nos olhos das pessoas aquele brilho emocionado, jogando, pelo menos por um momento, a frieza dos negócios na lata do lixo, dando lugar a um pouco de emoção. E, claro, deixo passar o encantamento do momento e novamente dou lugar aos negócios, recebendo o valor do livro, empreendendo a contínua caminhada de deixar meus rastros poéticos por onde passei.

Meu site: www.literaturacatarinense.com.br/anair Recomendo clicarem no livro Melodias do Coração – infanto-juvenil e Doce Jeito de Ser Criança – infantil.

Mas claro que meu amor à poesia não impede que eu goste de prosa. Adolfo, o cãozinho das praias, é o meu infanto-juvenil mais recente, saído pela Hemisfério Sul. Ele nos mostra o lado do companheirismo e fidelidade dos animais, tão ausente nos homens nos dias atuais.

AgL: Como é seu processo criativo? O que ocorre antes de se sentar a escrever?

Anair: Comigo isso de sentar e escrever não ocorre assim. Posso estar fazendo algo importantíssimo, mas quando as palavras mágicas chegam, por meio de alguém que fale ou algo que eu veja, não consigo fazer mais nada. Tenho que anotar a essência, - que depois desenvolvo -, pois é como passarinho no céu, que foge ligeiro ao ver a rede armada do papel. O poema precisa ser conquistado, temos que fazê-lo sentir-se tentado a vir até nós. Daí ao papel, é um passo... Depois é que vem o computador, onde a obra é esculpida.



AgL: Que tipo de leitura ativa sua vontade de escrever?

Anair: Ultimamente tenho lido muito biografias, - Adeus, China – de Li Cunxim, é um depoimento comovente do último bailarino de Mao. Mas quando leio poesia, - as mais diversificadas possíveis, e é isso que me fascina nelas – eu não resisto. J. G. de Araújo Jorge, por exemplo, sempre foi meu ídolo, embora eu não saiba escrever sonetos. Sou um pouco arrisca a cabresto de métrica, embora meu amigo Professor e escritor Alfredo Bays diga que rédeas é bom para aprender a obedecer.
AgL: Quais são para você os ingredientes básicos de uma historia?

Anair: Um tema que seja debatido e em voga no momento, embora muito tema antigo não saia da pauta. E muita, muita, emoção e aventura! Mas detesto quando o autor divaga páginas e páginas em cima de uma única emoção ou detalhe.

AgL: Em que sapatos você se encontra mais cômodo: primeira pessoa ou terceira pessoa?


Anair: Na primeira pessoa, porque sempre me coloco no lugar daquilo que me chama atenção e vivo aquele momento como se fosse meu.

AgL: Que escritores conhecidos são os que você mais admira?

Anair: Lindolf Bell na poesia, - e que a apregoava nas esquinas de São Paulo, embora fosse de SC, junto com outra autora que não lembro o nome. Ele era quase um camelô da poesia, e isso me inspirou muito nas minhas peregrinações poéticas. Urda Alice Klüeger, romancista de SC e Fernando de Moraes – o biógrafo que escreveu O Mago, - mas que mago é ele, o Fernando, por ter narrado com encanto as proezas do Paulo Coelho, que não teve nada de encantador. Embora O Alquimista tenha me conquistado, porque me fez descobrir qual o verdadeiro tesouro que havia em mim, que é a literatura, jamais imaginei o Paulo Coelho, tão espiritualizado, fazer tanta barbaridade com a vida dele e das pessoas que o amavam...

AgL: O que torna um personagem crível? Como você cria os seus?

Anair: Meus personagens estão nos meus poemas, e esses personagens existem, como no menino que me pediu esmola – e eu conto como foi sua fala, – na minha primeira professora, cujo poema foi premiado, e em todas as pessoas que conheci nesses quatorze anos de andanças pelo sul do pais, vivendo de poesia. E esses personagens são mais que verdadeiros, até os que estão no meu livro A Vendedora de Livros – que não tenho dinheiro para editar.

AgL: Você é igualmente hábil contando historias oralmente?

Anair: Declamando poesias, sim, mas na contação de histórias, nem tanto...

AgL: Profundamente em sua motivação, para quem você escreve?

Anair: Para aqueles que me lêem e precisam de incentivo poético e motivacional, afinal, as idéias são para serem propagadas.

Anair: AgL: Escreve como terapia pessoal? Os conflitos internos são uma força criadora?

Anair: Acho que os conflitos internos são uma força destruidora. Prefiro criar quando sou tocada emotivamente na forma que eleve os sentimentos para construir algo bom.

AgL: O feedback dos leitores serve pra você?

Anair: Claro, se não disserem o que sentiram ao ler o que escrevo, como vou saber se estou no caminho certo? Por mais que crie o que gosto, preciso saber se os outros gostam do que crio.

AgL: Você se apresenta para concursos? Você recebeu prêmios?

Anair: Já recebi alguns, mas a necessidade de cuidar ininterruptamente das vendas dos meus livros, me afasta de concursos, pois o mínimo de tempo livre que tenho, reservo para ler. Televisão, só o jornal e algum filme no final de semana, se meus emails e leitura estiverem em dia. E ainda tenho a família, para me fazer um pouquinho presente...

AgL: Você compartilha os rascunhos de suas escrituras com alguém de confiança para ter sua opinião?

Anair: Geralmente peço opinião quando o poema está “pronto” – no rascunho, é claro. Coloco entre aspas, porque um poema nunca está verdadeiramente pronto, há sempre algo que pode ser mudado. O triste é quando está no livro e você não pode fazer mais nada...

AgL: Você acredita ter encontrado "sua voz" ou isso é algo eternamente buscado?

Anair: Eu diria que encontrei meu porta-voz. É nos meus textos que me expresso, ou expresso o que sinto ao ver algo alheio, mas que me toca, então não é tão alheio assim.

AgL: Que disciplina você se impõe para horários, metas, etc.?

Anair: Comigo é tudo instintivo, acontece quando tem que acontecer. Não me imponho regras de criação, nem tempo para elas, só nas vendas, onde tenho de ser criativa para despertar meu cliente para a leitura. As metas só estão na quantidade de livros que preciso vender. Bem que eu adoraria ter alguém que cuidasse de entrar dinheiro no meu bolso, para poder dar asas à minha criação literária.

No começo, quando vendia meus livros, eu até me conflituava: Será que a pessoa que comprou meu livro é porque sou boa vendedora, ou boa escritora? Mas logo me dei conta de que as pessoas hoje compram porque estão a fim, não se deixam enganar por conversa fiada de ninguém. A venda agressiva não deve existir. Acho que nesses quatorze anos, nunca enfiei um livro goela abaixo de alguém, só vendia se a pessoa queria.

AgL: Anair, querida, muito obrigado por nos atender para uma entrevista. Te desejamos muito sucesso!

Anair: Eu é que agradeço a oportunidade de compartilhar o que venho fazendo e aprendendo pelo Brasil.







domingo, 30 de maio de 2010

LER DEVIA SER PROIBIDO!


Ler devia ser proibido


06/11/2007 in Leitura, Livros
Tags: Leitura, ler, Livros



Não poderia deixar de tornar conhecido,o esclarecedor texto da historiadora Guiomar de Grammont,que bem merecia ser mais divulgado,para que todos tomassem conhecimento e começassem a pensar.


Texto de Guiomar de Grammont
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Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Dom Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.

Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.

Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?

Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.

Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.

Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.

Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verosimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.

O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incómodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?

É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metros, ou no silêncio da alcova… Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.

Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.

Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.

Além disso, a leitura promove a comunicação de dores e alegrias, tantos outros sentimentos… A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna colectivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.

Ler pode tornar o homem perigosamente humano.»

Guiomar de Grammont


SOBRE A AUTORA:

Vida:




Brasileira, de Ouro Preto, Minas Gerais.

Nasceu a 03 de outubro de 1963.



Graduada em História, Licenciatura Plena e Bacharelado, pelo Instituto de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal de Ouro Preto, em Minas Gerais. Cursou Especialização em Cultura e Arte Barroca no Instituto de ARte e Cultura da mesma Universidade. Realizou o Mestrado em Filosofia na Universidade Federal de Minas Gerais. Atualmente, cursa o Doutorado em Literatura Brasileira na Universidade de São Paulo, USP, sob orientação do professor João Adolfo Hansen. Frequentou os cursos da Ecole de Hautes Etudes en Sciences Sociales de Paris durante o ano de 1999 e primeiro semestre de 2000, sendo orientada pelo professor Roger Chartier.



Obteve «Menção Honrosa» na categoria Contos no 22º Concurso da Revista Literária da Faculdade de Letras da UFMG, com o conto «O Diário de Medéia», em 1989.



Publicou o livreto de contos Corpo e sangue, Belo Horizonte: Editora Dez Escritos, 1991.



Concorreu a uma bolsa da Fundação VITAE em São Paulo, com o projeto do romance intitulado A casa dos espelhos, sendo um dos contemplados para o ano de 1992. O romance, com o título Katábasis, produzido com o patrocínio da VITAE, ficou entre os dez finalistas do prêmio Cidade de Belo Horizonte, em 1995.



A coletânea de contos de sua autoria O fruto do vosso ventre foi agraciado com o «Prêmio Casa de las Américas 1993» de Cuba, publicada no mesmo ano em Havana pela Casa de las Américas, e no Brasil, em São Paulo, pela Editora Maltese, em 1994. O livro já foi traduzido para o alemão e, atualmente, está sendo traduzido para o francês.



Publicou artigos em diversos jornais e revistas científicas do país. Coordenou, de 1995 a 1998, o Curso de Especialização em Cultura e Arte Barroca no Instituto de Filosofia, Artes e Cultura da Universidade Federal de Ouro Preto. Atualmente, faz a editoração da Revista do IFAC, uma publicação sobre cultura e arte barrocas da UFOP e leciona Filosofia da Arte para os cursos de Filosofia e Teatro. Organizou dois congressos internacionais sobre o barroco na cidade de Ouro Preto e, na Embaixada do Brasil em Paris, o Colóquio «Autour du Brésil Baroque» na ocasião da Exposição «Brésil Baroque: Entre Ciel et Terre» realizada no Museu do Petit Palais em Paris de 4 de novembro de 1999 à 4 de fevereiro de 2000.



Realizou leituras com sucesso de público na Casa de las Américas de Cuba, na Romanische Buchandlung em Berlin e na Cité Internationale Universitaire de Paris.



















sábado, 20 de fevereiro de 2010

A DURA BATALHA DO ESCRITOR!



Você,leitor,senta-se na sua poltrona confortável e abre um livro.
Você terá, com certeza ,horas divertidas ou instrução garantida,uma viagem magnífica pela mente de outra pessoa e novos conceitos surgirão dentro de si mesmo, mudando idéias pré-estabelecidas e e trazendo novas maneiras de ver as coisas.
Esse pequeno objeto chamado livro pode mudar uma sociedade;e,já fez isso muitas vezes. O livro é também o seu amigo mais fiel;o livro é o cachorro impresso.

O trabalho do leitor termina ai;começou com a idéia da compra do livro,a decisão de fazê-lo,apesar dos altos preços praticados por livreiros e editores,a ida AA livraria,o prazer da degustação e escolha,a volta prá casa e,por fim,a leitura.
Se o autor for bom,você não para de virar a página;às vezes almoça de livro na mão,só o fechando quando a leitura acaba.
Que pena que terminou!
É como se um bom amigo,de conversa lúcida e agradável,de repente,partisse.Você já começa a ficar saudoso.
A gente sabe que um escritor é bom, dizia Salinger,quando o livro acaba e ficamos com vontade de telefonar prá ele.
O que o leitor comum não sabe é a verdadeira batalha inglória que é escrever um livro,no Brasil.
O autor desconhecido – e, todos começam assim –tem que se vestir de paciência e persistência para publicar sua obra.
Primeiro,o trabalho de parir um livro – como todo parto,doloroso -!
Nós inventamos um romance,ou uma crônica a partir daquilo que conhecemos e das experiências que tivemos,então escrevemos como se estivéssemos contando a estória para nossos filhos.
Depois,insistir com editores pouco ou nada acessíveis,muito mais dispostos em investir em “best-sellers” comprados a metro,do que apostar num autor novo que ninguém conhece.
A vantagem dos livros estrangeiros é que já vêm com uma larga publicidade, marketing e merchandising juntos,”trabalhando” o livro e ,aproveitando a mídia,impor o trabalho ao leitor.
–O brasileiro não lê,dizem eles.Editoras e distribuidores são negócios,como qualquer outro;como vamos perder dinheiro?
Ai,começa a” via-crucis” do autor;nenhuma editora o quer;ele trabalha duro,confia no seu taco,adora escrever,quer repassar suas experiências,modificar preconceitos,mas,esbarra na barreira dos custos.
Se pode,paga para ser publicado.
Tudo bem,uma batalha foi vencida,mas,a guerra está longe de terminar.
Pronto o livro,tem que vendê-lo.Como?
Publicidade,mídia eletrônica ou não,custa muito caro.Muitas livrarias não querem livros consignados.
Com a internet,abriu-se uma pequena luz no fim do túnel;podemos vender e divulgar nossos livros através de e-mails,blogs,sites,Google books, etc e o leitor passará a nos conhecer.
Por isso,caro leitor não se irrite se receber um e-mail assim;delete,não compre se não lhe convém (ainda é melhor que os antigos vendedores de porta- em –porta, de quem a gente custava a se livrar),porque para muitos escritores esse é o único meio de divulgar seu trabalho.
Como escritora recebo ou compro livros de muitos colegas e fico feliz de ver a qualidade dos seus trabalhos,a dedicação às letras que eles têm e,me entristeço ao pensar:-Que pena,trabalhos como esses se perdem e muitos jamais conhecerão.
E,com um riso amargo,me lembro que Balzac escrevia folhetins em papel jornal,H,G.Wells foi tapeceiro para sobreviver,Machado teve seus livros recusados diversas vezes e Shakespeare usava o teatro para divulgá-los.
E,se um golpe de sorte não os tivesse tirado do ostracismo?
Mas,não,não,me enganei nas palavras;foi uma dose de sorte,sim,porém,a palavra certa é persistência.
Eu procuro diariamente o leitor;ele pode não me dar bola,não comentar,não comprar meus livros,mas,quero me fazer presente sem ser chata,respeitando o direito do leitor que não quer receber e-mails evitando,sobretudo,spams,mas,tentando me fazer presente e mostrar meu trabalho.Agradeço o bom retorno que tive e tenho.
Como acreditava Hemingway,quando uma pessoa tem a habilidade de escrever e o desejo de escrever,não há crítico que possa causar danos ao seu trabalho se este for bom,ou salvá-lo se for ruim.
IMG:minha luta diária,no PC
Palavra do leitor:
23/02/2010 21:35 - Euripedes Barbosa RibeiroParabens minha amiga pela lucidez e contundencia deste texto. Vocesabe como ninguem a batalha que é publicar um livro neste país. E maisainda, divulgá-lo para que chegue até o leitor. Como autor anônimo, ouquase, espelho-me na sua determinação e vou publicar o meu livro sim.E correr atrás dos leitores. Da forma que me parecer viavel. BeijosMiriam. Tenha uma boa noite.
25/02/2010 00:40 - Menduina Prazer em conhece-la poetisa, lindo seu texto infelizmente o brasileiro não tem o hábito de ler, vim convidar a me visitar me dê esta honra beijos.
07/03/2010 13:22 - Helena Frenzel,Alemanha(p/mail)
E eu fico feliz por tu teres me encontrado! Recebi um email teu, oque me trouxe até aqui. Até agora estou gostando muito do que li. Seainda vivesse no Brasil, tentaria formar um grupo de escritores emontar uma editora própria, principalmente para aqueles autores que sóquerem ser conhecidos, que não pretendem viver da venda de livros,pelo menos não como renda principal. É difícil, eu sei. Me perguntocomo cada uma dessas grandes editoras começou... É que todo mundonasce pequeno, e depois cresce, não é mesmo? Acho a internet um meiode divulgação fantástico. A começar pelo poder que o produtor de bomconteúdo detém nas mãos. Acho que coisas boas se atraemautomaticamente, o bom conteúdo ao bom leitor e por aí vai. Bom, estefoi um primeiro comentário (espontâneo). Volto pra te ler mais. Gratapelo contato e pelo texto sobre o Dia Internacional da Mulher.Parabéns a ti também! Um abraço fraterno :-)

A DURA BATALHA DO ESCRITOR!

Você,leitor,senta-se na sua poltrona confortável e abre um livro.
Você terá, com certeza ,horas divertidas ou instrução garantida,uma viagem magnífica pela mente de outra pessoa e novos conceitos surgirão dentro de si mesmo, mudando idéias pré-estabelecidas e e trazendo novas maneiras de ver as coisas.
Esse pequeno objeto chamado livro pode mudar uma sociedade;e,já fez isso muitas vezes. O livro é também o seu amigo mais fiel;o livro é o cachorro impresso.

O trabalho do leitor termina ai;começou com a idéia da compra do livro,a decisão de fazê-lo,apesar dos altos preços praticados por livreiros e editores,a ida AA livraria,o prazer da degustação e escolha,a volta prá casa e,por fim,a leitura.
Se o autor for bom,você não para de virar a página;às vezes almoça de livro na mão,só o fechando quando a leitura acaba.
Que pena que terminou!
É como se um bom amigo,de conversa lúcida e agradável,de repente,partisse.Você já começa a ficar saudoso.
A gente sabe que um escritor é bom, dizia Salinger,quando o livro acaba e ficamos com vontade de telefonar prá ele.
O que o leitor comum não sabe é a verdadeira batalha inglória que é escrever um livro,no Brasil.
O autor desconhecido – e, todos começam assim –tem que se vestir de paciência e persistência para publicar sua obra.
Primeiro,o trabalho de parir um livro – como todo parto,doloroso -!
Nós inventamos um romance,ou uma crônica a partir daquilo que conhecemos e das experiências que tivemos,então escrevemos como se estivéssemos contando a estória para nossos filhos.
Depois,insistir com editores pouco ou nada acessíveis,muito mais dispostos em investir em “best-sellers” comprados a metro,do que apostar num autor novo que ninguém conhece.
A vantagem dos livros estrangeiros é que já vêm com uma larga publicidade, marketing e merchandising juntos,”trabalhando” o livro e ,aproveitando a mídia,impor o trabalho ao leitor.
–O brasileiro não lê,dizem eles.Editoras e distribuidores são negócios,como qualquer outro;como vamos perder dinheiro?
Ai,começa a” via-crucis” do autor;nenhuma editora o quer;ele trabalha duro,confia no seu taco,adora escrever,quer repassar suas experiências,modificar preconceitos,mas,esbarra na barreira dos custos.
Se pode,paga para ser publicado.
Tudo bem,uma batalha foi vencida,mas,a guerra está longe de terminar.
Pronto o livro,tem que vendê-lo.Como?
Publicidade,mídia eletrônica ou não,custa muito caro.Muitas livrarias não querem livros consignados.
Com a internet,abriu-se uma pequena luz no fim do túnel;podemos vender e divulgar nossos livros através de e-mails,blogs,sites,Google books, etc e o leitor passará a nos conhecer.
Por isso,caro leitor não se irrite se receber um e-mail assim;delete,não compre se não lhe convém (ainda é melhor que os antigos vendedores de porta- em –porta, de quem a gente custava a se livrar),porque para muitos escritores esse é o único meio de divulgar seu trabalho.
Como escritora recebo ou compro livros de muitos colegas e fico feliz de ver a qualidade dos seus trabalhos,a dedicação às letras que eles têm e,me entristeço ao pensar:-Que pena,trabalhos como esses se perdem e muitos jamais conhecerão.
E,com um riso amargo,me lembro que Balzac escrevia folhetins em papel jornal,H,G.Wells foi tapeceiro para sobreviver,Machado teve seus livros recusados diversas vezes e Shakespeare usava o teatro para divulgá-los.
E,se um golpe de sorte não os tivesse tirado do ostracismo?
Mas,não,não,me enganei nas palavras;foi uma dose de sorte,sim,porém,a palavra certa é persistência.
Eu procuro diariamente o leitor;ele pode não me dar bola,não comentar,não comprar meus livros,mas,quero me fazer presente sem ser chata,respeitando o direito do leitor que não quer receber e-mails evitando,sobretudo,spams,mas,tentando me fazer presente e mostrar meu trabalho.Agradeço o bom retorno que tive e tenho.
Como acreditava Hemingway,quando uma pessoa tem a habilidade de escrever e o desejo de escrever,não há crítico que possa causar danos ao seu trabalho se este for bom,ou salvá-lo se for ruim.


COM A PALAVRA O LEITOR:

26/02/2010 19:00 - Tércio Ricardo Kneip,escritor
Fantástico. Sempre digo na minha livraria de livros usados que "olivro é o melhor amigo do homem, mas o cachorro levou a fama" e avariante nesse texto é excelente. Aquele abraço extensivo ao povo daBahia.