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segunda-feira, 26 de abril de 2010

ALAN SILLITOE,OU A FICÇÃO FANTÁSTICA



.- O escritor britânico Alan Sillitoe, uma figura importante da ficção dos últimos 50 anos com livros como "Saturday Night and Sunday Morning", morreu hoje aos 82 anos no hospital Charing Cross de Londres, informou sua família.Nascido na cidade de Nottingham, norte da Inglaterra, Sillitoe publicou obras de poesia, livros infantis e peças de teatro, além de ser crítico sobre temas sociais.Seu livro "Saturday Night and Sunday Morning" foi levado ao cinema com a atuação do ator Albert Finney, e seu romance "The Loneliness Of The Long Distance Runner" também foi levado ao cinema com Tom Courtnay.As duas obras são consideradas dramas clássicos da realidade britânica de meados do século 20.Nascido em 4 de março de 1928, Sillitoe abandonou a escola aos 14 anos e foi trabalhar em uma fábrica de bicicletas, antes de entrar para a Real Força Aérea (RAF),como operador de telefonia.Filho de um trabalhador analfabeto, o escritor relatou em alguma ocasião as penúrias de sua infância."Vivíamos em um quarto em Talbot Street (Nottingham) cujas quatro paredes cheiravam a gás, gordura e camadas de papel mofado", disse uma vez o escritor.Seu primeiro relato de ficção, sobre a vida de seus primos foi escrito quando menino, mas foi queimado por sua mãe porque ela acreditava que o texto era muito revelador.Enquanto servia para a RAF contraiu tuberculose, o que o obrigou a passar 16 meses em um hospital da Força Aérea antes de receber uma pensão, após a qual decidiu se dedicar à literatura.Em 1958, escreveu seu famoso romance "Saturday Night and Sunday Morning", uma história sobre uma família trabalhadora em Nottingham.Outros trabalhos incluem "Gadfly in Russia", um relato publicado em 2007 sobre suas viagens pela Rússia.No total, Sillitoe, que se considerava poeta mais que romancista, escreveu mais de 50 livros, entre estes sua autobiografia, publicada em 1995 com o nome de "Life Without Armour".Sillitoe era casado com a poeta americana Ruth Fainlight.


Fonte:Folha de São Paulo
IMG:Busca Google

sexta-feira, 26 de março de 2010

A LIBERDADE É AZUL!



Começo da manhã,um radioso sol de primavera.Pontos cheios,os velhos ônibus apinhados,todas as suas cadeiras desconfortáveis ocupadas por passageiros sonolentos e largados.Muitos cochilavam,apesar do barulho do cunversê,dos celulares tocando enfurecidos e dos falsos mendigos e pedintes atacando os “otarianos”,que repartiam com eles seu suado dinheirinho.E mais ,a temperatura de 35º.
Junte a tudo isso,os neo-malucos de Edir Maiscedo a ler a bíblia em altos brados,ameaçando com o fogo dos infernos os descrentes,tipos sem coração que relutavam a entrar para o rebanho e pagar os sagrados dízimos.
Subindo a Contorno,eis que surge a vista deslumbrante do mar da Bahia.Amplo,vasto,azul,livre!
Os passageiros respiraram fundo a brisa marinha.
Chegando á Avenida Centenário,o coletivo parou no ponto do Shopping Barra,onde saltaram alguns,um visível ar de alívio no rosto.
Mas,subiu outro tanto e nada mudou;só o calor que aumentou para 40º.

O ponto da Airosa Galvão estava lotado;desceram três,subiram dez.
O ônibus despontou em frente ao Cristo.Uma brisa brejeira,brincalhona,alegre,reconfortou os massacrados passageiros.
A visão do mar,do verde da grama e das pessoas felizes que caminhavam rumo à praia,como que acalmou os passageiros.
De repente, o cobrador solta um grito aflito:

-Pára!Pára!
Assalto,foi o pensamento de todos.
E,o cobrador,enlouquecido,fera ferida,aos berros:
-Pára!Pára!
Assustado,o motorista freou.
O rapaz saltou pela porta traseira, arrancou a flanela vermelha do pescoço,jogou longe a camisa de brim,colada de suor,arrancou os sapatos,as calças,frenético,esquecido das contas,do trabalho difícil,do minguado salário,da mulher,das suas crianças remelentas,da sogra,do patrão,da casa miserável onde vivia,dos traficantes com quem cruzava pelas ruas tortuosas do bairro de periferia,da derrota do Bahia,do inferno,da polícia,dos assaltantes, do apontador,do fiscal,sacudindo os braços ao vento,que o engolfou,o invadiu,numa carícia prazerosa,correu em direção ao mar,atirou-se às ondas,mergulhou,satisfeito.
Não era livre,mas,naquele momento,estava.Começo da manhã,um radioso sol de primavera.Pontos cheios,os velhos ônibus apinhados,todas as suas cadeiras desconfortáveis ocupadas por passageiros sonolentos e largados.Muitos cochilavam,apesar do barulho do cunversê,dos celulares tocando enfurecidos e dos falsos mendigos e pedintes atacando os “otarianos”,que repartiam com eles seu suado dinheirinho.E mais ,a temperatura de 35º.
Junte a tudo isso,os neo-malucos de Edir Maiscedo a ler a bíblia em altos brados,ameaçando com o fogo dos infernos os descrentes,tipos sem coração que relutavam a entrar para o rebanho e pagar os sagrados dízimos.
Subindo a Contorno,eis que surge a vista deslumbrante do mar da Bahia.Amplo,vasto,azul,livre!
Os passageiros respiraram fundo a brisa marinha.
Chegando á Avenida Centenário,o coletivo parou no ponto do Shopping Barra,onde saltaram alguns,um visível ar de alívio no rosto.
Mas,subiu outro tanto e nada mudou;só o calor que aumentou para 40º.

O ponto da Airosa Galvão estava lotado;desceram três,subiram dez.
O ônibus despontou em frente ao Cristo.Uma brisa brejeira,brincalhona,alegre,reconfortou os massacrados passageiros.
A visão do mar,do verde da grama e das pessoas felizes que caminhavam rumo à praia,como que acalmou os passageiros.
De repente, o cobrador solta um grito aflito:

-Pára!Pára!
Assalto,foi o pensamento de todos.
E,o cobrador,enlouquecido,fera ferida,aos berros:
-Pára!Pára!
Assustado,o motorista freou.
O rapaz saltou pela porta traseira, arrancou a flanela vermelha do pescoço,jogou longe a camisa de brim,colada de suor,arrancou os sapatos,as calças,frenético,esquecido das contas,do trabalho difícil,do minguado salário,da mulher,das suas crianças remelentas,da sogra,do patrão,da casa miserável onde vivia,dos traficantes com quem cruzava pelas ruas tortuosas do bairro de periferia,da derrota do Bahia,do inferno,da polícia,dos assaltantes, do apontador,do fiscal,sacudindo os braços ao vento,que o engolfou,o invadiu,numa carícia prazerosa,correu em direção ao mar,atirou-se às ondas,mergulhou,satisfeito.
Não era livre,mas,naquele momento,estava.
Fale com o autor:
FALA O LEITOR:
Miriam!!!
Que coisa mais maravilhosa, gostosa de ler. ADOREI
Muito obrigada pela partilha, estou amando conhecer seu trabalho...Pena não ter mais tempo disponível para mergulhar nas tuas palavrase esquecer o mundo, os compromissos, as labutas... Certamente quando eu fizer isto estarei num mundo de sonhos, voando peloimaginário, feliz, satisfeita e.... LIVRE!!! Obrigada mesmo... Espero receber mais e prometo que assim queme "livrar" um pouco desses trabalhos da faculdade vou correndomergulhar no teu mundo!!!!
Tenha um belo dia, paz e muita luz!!!
Ceiça Lima

quarta-feira, 3 de março de 2010

DESCULPA,A GENTE JÁ SE CONHECE?


Meu maior problema é que nunca me lembro dos nomes,mas,sempre me .esqueço das caras.Mas,será que sou só eu?Alguém nunca passou por isso?
Seja na rua,numa festa,num enterro,na casa de amigos,vejo gente que SEI que conheço;só não me lembro quem é nem aonde vi.
Uma vez,quando trabalhava em Floripa,fui convidada para uma festinha na casa de uma colega de trabalho, aliás,uma chata.Ela estava fissurada para apresentar a colega da Bahia,acho que ninguém ali presente já havia visto uma baiana ao vivo e a cores e estavam todos excitados.O fato é que a festa estava um porre!Gente conversando baixinho,grupinhos formados,cochichavam,sorriam de leve e eu tinha certeza que era “o prato do dia”;na forma que alguns me olhavam,acho que da noite também.Não sou de beber,mas,a bebida era regrada e os salgadinhos,apesar de gostosos e fartos,sem o tempero de um vinho ou uma boa cervejinha,não empolgavam.Doida prá escapar,circulei pelo jardim e,perto do portão de entrada,encontrei um senhor de cara triste,meio amofinado,num canto;parecia,como eu,querer que tudo acabasse.Encostei nele e falei.
-Puxa,o velório ´tá animado.Vou embora.O senhor não vem?
E ele,respondeu:
-Não posso;sou o dono da casa.
Procurei um buraco para me enfiar, mas,as ruas de Floripa são tão bem cuidadas...
Aprendi a usar a técnica do “homem que ri”,de Hugo;se alguém olha prá mim,sorrio;pode ser um cobrador ou oficial de justiça:sorrio.
Não vá as pessoas me chamarem de metida.O pior é que tenho uma cara universal;pareço com todo mundo.Num show de Roberto Carlos,em Salvador,onde fui acompanhar minha filha,quando o carro saía do estacionamento do estádio,populares(juro!) cercaram o carro,jogaram beijinhos,bateram no capô,gritando:Lady Laura,Lady Laura,pensando que eu era a mãe do cantor.
Nas festas troco beijinhos com uma senhora,ela pergunta por meu pai,e eu,agoniada:Quem é?
Colega de escola,vizinha de rua,me dá uma dica,mulher,fala qualquer coisa,clareia;daqui há pouco vai chegar meu neto,tenho que apresentar,-como se não lembro o nome dela!?
Será Elvira-sim,a prima Elvira,boa praça,que não vejo há vinte anos-não,será Valdete,uma amiga de infância,da pá virada,que depois casou com um espanhol,ah,meu Deus,que dúvida!
Chega o anfitrião e me salva.
Vai fazer um brinde ao aniversariante.Corro pro bar....e ainda resta o Google,de qualquer forma;posso consultá-lo.
Sei que as coisas vão piorar.
Talvez chegue o dia em que alguém pergunte o meu nome e eu lhe pergunte:-Por favor,você precisa desta informação prá quando????