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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

COTIDIANO




Todo último sábado de cada mês, um grupo de jovens se reúne ao crepúsculo no Espaço Castro Alves dentro da Livraria Saraiva em Salvador, para discutir literatura.

É bonito de se ver o interesse com que discutem livremente temas ligados à cultura,com discernimento,atenção e,principalmente,respeito.

Diversas editoras se unem e disponibilizam livros que serão sorteados entre os presentes ávidos e inquietos esperando o resultado do sorteio.

O ambiente é o que pode haver de mais agradável, onde não faltam o bom – humor e a alegria.

As organizadoras,Natália,Geísa e Rosana desdobram-se no bem atender,no cunversê gostoso e sadio e na especialidade de todas:manter,graças à simpatia e desenvoltura das três, aquele pequeno espaço pleno de calor humano e solidariedade.Cada mês é escolhido um tema a ser debatido.O de Julho foi literatura e autores baianos.

Não raro,escritores convidados comparecem para falar de seus trabalhos ou debater livros com a platéia.

Essa interação é importante para ambos; todos saem ganhando e comportamentos são desmitificados.

Os jovens não gostam de ler?

Os baianos só cuidam de pagode e axé?

Engano seu, cara pálida.

Os jovens compram , gostam de ler e adoram estar com aquelas pessoas comuns,iguais a todo mundo,que,por acaso,escrevem livros.

Sempre que posso estou presente.E sempre fico impressionada com a qualidade dos debates.

Muitos clubes como esse deveriam ser criados por todo o Brasil,os escritores, artífices da palavra ,deveriam comparecer e o público poderia ser mais diversificado;porque não incluir professores,alunos ,mães de família querendo uma orientação para a leitura de seus filhos,pessoas comuns querendo passar umas horas diferentes.

Fica aqui o convite.

O próximo encontro deverá ser final de Agosto.

Que tal aparecer por lá?

sexta-feira, 4 de junho de 2010

VAMOS PRESERVAR NOSSA MEMÓRIA


Os exemplos são inúmeros e tristonhos. Não é privilégio do Brasil ,acontece no mundo todo.Mas,aqui,em muito maior número. Refiro-me ao esquecimento em que caem nossos poetas ,escritores,historiadores,quando a morte os leva ou,o que é pior,ainda em vida. A diretora de uma conceituada biblioteca pública de Salvador ,ciosa das nossas tradições,queria fazer uma homenagem ao 2 de julho,nossa data maior,relatando a história dos nossos heróis,hoje no limbo do esquecimento. Seria muito oportuno ,pensou,que alguém,um poeta,quiçá,recitasse o belo poema de Castro Alves ,”Ode ao 2 de Julho”,uma das mais belas poesias do renomado vate baiano.Pois é,lutou,lutou,mas,não encontrou. Pediu ajuda a uma poetisa (continuo chamando poetisa às mulheres da poesia ,não como palavra depreciativa,mas,porque acho verdadeiramente ridículo,chamar uma mulher de poeta,uma palavra nitidamente masculina.Para mim,poetisa soa mais doce e pronto!) que conhece e é conhecida nos meios poéticos,mas,não teve muito sucesso. A poetisa enviou um e-mail” comunitário” ,pedindo ajuda. Recebi e telefonei imediatamente para a diretora oferecendo-me para declamar. Seu suspiro de alívio me aliviou,também. Desde adolescente,sempre fui convidada para recitar esses versos em praça pública,durante os festejos da nossa Independência. Houve uma época em que ,adolescente rebelde e pouco afeita à exposições,cheguei a mudar o nome dos versos:transformei-os em “Ódio ao Dois de Julho”,revoltada com essa tarefa repetida todos os anos.Que me perdoe o poeta,ele,também um revolucionário e transgressor. Mas,voltando ao tema inicial;é terrível perceber como esquecemos dos nossos maiores literatos. Augusto dos Anjos ,Bastos Tigre,Bilac,Cyro dos Anjos,Adonias Filho, Menotti Del Picchia,quem os lê!? Artur e Aloísio Azevedo,Tobias Barreto,onde estarão?Que foi feito de Dionélio Machado? Guimarães Rosa dizia que um poeta não morre ,fica encantado. Mas , o desencanto persiste.Um livro só tem serventia se for aberto e lido.Um escritor conquista a imortalidade pelas suas obras. Se Deus necessita de homens , o escritor precisa do leitor. Não qualquer,mas, leitor inteligente e consciente que leia e entenda as sutilezas do texto,que absorva o simbolismo da linguagem,que perceba as abstrações e capte as diferenças de estilo,os meandros e claro – escuro dos versos,as entrelinhas do texto impresso. Muitos jovens que conheço confessam que não gostam de ler.Querem apenas o “canudo”,pois,num pais de bacharéis,que nunca deixamos de ser,exige-se diploma de curso superior para tudo.Mesmo que o diplomado escreva cachorro com x e macaco com k. Como alguém que não lê nada pode chegar ao ensino superior? Mistérios! Como escritora desejo ser preservada; pretendo que meus livros falem por mim , depois que eu virar pó. Do contrário, as minhas se transformarão em letras mortas, sem ninguém que abra meus livros e eles acabem como calço para mesas desequilibradas.Como acontece nos países de mentes desequilibradas. Por precaução, enviei meu livro “A Bahia de Outrora” para a Biblioteca da Universidade de Harvard;foi aceito,com muita honra,segundo o responsável. Lá ,pelo menos,tenho certeza que não acabará calçando cabeceiras de cama mal ajambradas.
IMG:Busca Google

COM A PALAVRA,O LEITOR:

04/06/10 21:47 - Euripedes Barbosa Ribeiro



Pois é minha amiga. Conheço graduados que entraram e sairam da


Universidade, devidamente munidos do tal canudo, sem que tenham lido


um unico livro inteiro: apenas os capítulos recomendados para as


avaliações. Então não é surpresa que tantos ótimos e imortais autores


sejam esquecidos. O hábito da leitura que já não é tão incentivado,


concorre agora com outros hábitos, surgidos com a diversidade de


mídias disponíveis. * Parabéns pelo belo atualíssimo artigo. Beijos.


Uma boa noite. P.S. Pensei que voce iria hoje lá na Cantina da Lua.




06/06/10 12:32 - EDNA LOPES




Ótima reflexão Miriam...penso que será das novas gerções se ESSA não

acordar para o caos que se avizinha.. li algo de saramago que dizia,

da pouco habilidade de escrita e de leitura que testemunhava:

CHEGAREMOS AO GRUNHIDO...É duro reconhecer que do jeito que vai...

*bjss















sábado, 8 de maio de 2010

UMA GRANDE FAMÍLIA!

Os escritores Camilla e Gabriel Maciel e Miriam Sales





Para Clara Maciel ,que começou tudo...
“Bendito sejam os frutos do vosso ventre”
Poucas vezes, na história da Literatura vemos acontecimentos assim; uma família inteira de bons escritores.
Pois , a Bahia , terra de mágicas e magias , foi brindada com essa raridade.Por causa disto,ontem , festejamos.
Até o sol , que fazia “forfait” há dias , compareceu radioso -como acontece , também , no Dois de Julho, quando brilha mais do que no primeiro , -já cantava o poeta.
Toda essa alegria ,sol , mar, poesia para homenagear a Família Maciel ; Clara,seus filhos , Camilla (16 anos) e Gabriel (11 anos) meninos que escrevem como gente grande;aliás, como nem toda gente grande...
A festa , anunciada ,por mim ,nos blogs e sites e nos principais jornais ,foi bonita e concorrida.
Muitos homens e mulheres das letras , compareceram.Quem não foi , perdeu...
Os livros , bem procurados e vendidos.Gabriel , com seus olhos inteligentes e riso fácil ,queixou-se:
-Tia,minha mão está doendo de tanto escrever.
Eu retruquei:
-Filhote, essa é a dor mais gloriosa que todo escritor quer sentir.
Mas, a doce Clara , a querida Clara gosta de compartilhar.
E quis homenagear escritores que ,segundo ela , lutam e fazem o possível para alçar nossa Literatura entre as melhores do pais.
Assim , ganharam flores e placas comemorativas os escritores Hugo Homem ,Carlos Alberto Barreto , Antonio Cedraz e esta que escreve essas mal traçadas.
Recebemos essas homenagens com carinho e humildade. Sabendo que o caminho é longo e haverá muito o que fazer.
Aos novos escritores ,quero desejar muito sucesso.
Como dizia Hemingway:
“A terra sobre a qual um romancista escreve é a que ele conhece; e, a terra que ele conhece está dentro do seu coração.”
E , a Velha Bahia , “terra máter”do Brasil ,abriu o seu coração e os seus braços para acolher esses meninos preciosos.