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quinta-feira, 30 de junho de 2011

O SELF-PUBLISHING ESQUIZOFRÊNICO OU CINDERELA SEM SAPATINHOS




Fast-food editorial
Ser publicado hoje não é uma tarefa muito difícil. Muitas empresas escancaram a receita da arte para quem quiser, sem segredos. Publique seu livro! Seja um autor! Escolha pelo número! Editoras que misturam self-servicefast-food ao processo editorial crescem a cada dia. Oferecem todos os serviços para transformar aquele arquivo em livro e, de quebra, ainda organizam a noite de autógrafos. A contrapartida é – na maioria esmagadora dos casos – a garantia da venda, assinada em contrato pelo autor, de boa parte do que foi impresso. O suficiente para cobrir os custos e gerar lucro ao "patrocinador". E nada que o autor não possa se mobilizar para conseguir. Já vimos por aí muitos casos parecidos.
Fada madrinha
O que é publicar um livro? É ser lido. Assim como todo artista, o escritor quer palmas no fim do espetáculo. Aquele ainda não publicado é como a gata borralheira, esfregando o chão enquanto a madrasta e suas filhas, os publicados, curtem o baile. Para colocá-los no mesmo nível é que surgiu a fada madrinha que Cinderela tanto aguardava: o self-publishing (feito pelo próprio autor ou por editoras de serviço). Como se fosse mágica, aquele vestido todo rasgado e sujo torna-se um belo exemplar de nobreza — preparado para a festa. O autor, até então desiludido, se enche de esperanças, veste seu livro, e vai para o lançamento. E tudo ocorre bem, com o príncipe encantado por sua obra, até a meia-noite, quando a livraria fecha e o livro vira abóbora. Será que no dia Seguinte vão achar a Cinderela?
Realidade dos esquizofrênicos
Aquele que se preocupa em fazer o livro acontecer e busca o lobby usual e o marketing conveniente , mesmo tendo em conta infinitos fatores, como tiragem pequena e distribuição inexistente, tem mais chances de ser encontrado. O autor precisa deixar seu rastro. Já os que se  auto-publicam para vender cinquenta livrinhos aos seus amigos, familiares, e curtir uma noite de baile, não fugirá do óbvio: morrerá sozinho, no alto da torre, preso, amaldiçoado pelo feitiço do esquecimento. É a fenda que divide o self-publishing em dois lados: os que deixam o sapatinho de cristal perdido no baile e os que vivem a realidade dos esquizofrênicos.

Após o baile
Todo esse novo mercado é incentivado pela demanda, óbvio. Afinal, qual escritor não deseja debutar no mercado editorial sem as dificuldades tão conhecidas por todos? Quem não deseja estar ao lado dos bons? O escritor sempre negado pelas editoras quer fazer parte da festa. O que acontece hoje é bem claro. Achou-se uma maneira de escoar a criação desenfreada dos tempos modernos. Coloque uma máquina de escrever em quase todas as casas para termos um resultado: irão usá-la para criar. Mais esperto será o empreendedor que comprar uma tipografia e oferecer seus serviços. São as idéias se repetindo entre os séculos.
Mas um livro, além de tudo, é arte. A edição dele em caráter industrial é um erro. Não acredite que diagramar em formato de livro aquele arquivo que você digitou é o mesmo que editá-lo. Afirmar essa construção do livro como arte é defender o papel do editor perante o camelódromo do conteúdo e, ao mesmo tempo, alertar ao escritor que, salvo poucos casos, se auto-publicar no conceito “Cinderela sem sapatinho” é doentio. A realidade é cruel, mas precisa ser enfrentada. Vá atrás do seu príncipe, mas não esqueça de deixar pistas para um encontro após o baile.
-
*Raphael Vidal é escritor e editor. Idealizou e editou a revista de contos Bagatelas, publicação impressa e online que lançou jovens escritores lusófonos durante o boom da literatura contemporânea nos anos 2000, e movimentou livrarias com bate-papos literários. Também como editor, idealizou o selo Colofon, literatura contemporânea, da vieira & lent casa editorial, por onde foi publicado o primeiro livro transmídia no Brasil — com lançamento simultâneo em uma livraria — nos formatos e-book e impresso. Como escritor, tem contos publicados em sites e revistas no Brasil e em Portugal. Seu ensaio Guerra dos sebos (Portal Literal, 2007), inaugurou suas reflexões conceituais sobre o negócio dos livros. Tem colunas nos portais PNET Literatura, de Portugal, e
Subtítulo, do Brasil.
raphaelvidal@gmail.com
 Blog: FIMdolivro

sábado, 18 de junho de 2011

VAMOS PRESERVAR NOSSA MEMÓRIA!


Os exemplos são inúmeros e tristonhos.
Não é privilégio do  Brasil ,acontece no mundo todo.Mas,aqui,em muito maior número.
Refiro-me ao esquecimento em que caem nossos poetas ,escritores,historiadores,quando a morte os leva ou,o que é pior,ainda em vida.
A diretora de uma conceituada biblioteca pública de  Salvador ,ciosa das nossas tradições,queria fazer uma homenagem ao 2 de Julho,nossa data maior,relatando a história dos nossos heróis,hoje no limbo do esquecimento.
Seria muito oportuno  ,pensou,que alguém,um poeta,quiçá,recitasse o belo poema de Castro Alves ,”Ode ao 2 de Julho”,uma das mais belas poesias do renomado  vate baiano.Pois é,lutou,lutou,mas,não encontrou.
Pediu ajuda a uma poetisa (continuo chamando poetisa às mulheres da  poesia ,não como palavra depreciativa,mas,porque acho verdadeiramente ridículo,chamar uma mulher de poeta,uma palavra  nitidamente masculina.Para mim,poetisa soa mais doce e pronto!) que conhece e é conhecida nos meios poéticos,mas,não teve muito sucesso.
A poetisa  enviou um e-mail” comunitário” ,pedindo ajuda.
Recebi e telefonei imediatamente para a diretora oferecendo-me para declamar.
Seu suspiro de alívio  me aliviou,também.
Desde  adolescente sempre fui convidada para recitar esses versos em praça pública durante os festejos da nossa Independência.
Houve uma época em  que ,adolescente rebelde e pouco afeita à exposições públicas,cheguei a mudar o nome dos versos:transformei-os em “Ódio ao Dois de Julho”,revoltada com essa tarefa repetida todos os anos.Que me perdoe o poeta,ele,também um revolucionário e transgressor.
Mas, voltando ao tema inicial; é terrível perceber como esquecemos dos nossos maiores literatos.
Augusto dos Anjos ,Bastos Tigre,Bilac,Cyro dos Anjos,Adonias Filho, Menotti Del Picchia, Lima Barreto,quem os lê!?
 Artur  e Aloísio Azevedo,Tobias Barreto,onde estarão?Que foi feito de Dionélio Machado?
Guimarães Rosa dizia que um poeta não  morre ,fica encantado.
Mas , o desencanto persiste.Um livro só tem serventia se for aberto e lido.Um escritor conquista a imortalidade pelas suas obras.
Se Deus necessita de  homens ,  o escritor precisa do leitor.
Não qualquer leitor,,mas, um  leitor inteligente e consciente que leia e entenda as sutilezas do texto,que absorva o simbolismo da linguagem,que perceba as abstrações e capte as diferenças de estilo,os meandros e claro – escuros  dos versos,as entrelinhas do texto impresso.
Muitos jovens que conheço confessam que não gostam de ler.Querem apenas o “canudo”,pois,num pais de bacharéis,que nunca deixamos de ser,exige-se diploma de curso superior para tudo.Mesmo que o diplomado escreva cachorro com x e macaco com k.
Como alguém que não lê nada pode chegar ao ensino superior? Mistérios!
Como escritora desejo ser preservada; pretendo que meus livros falem  por mim , depois que eu virar pó.
Do contrário, as minhas se transformarão em letras mortas, sem ninguém que abra meus livros e eles acabem como calço para mesas  desequilibradas.Como acontece nos países de mentes desequilibradas.
Por precaução, enviei meu livro “A Bahia de Outrora” ,já na segunda edição,  para a Biblioteca da Universidade de Harvard que foi aceito,com muita honra,segundo o responsável.
 ,pelo menos,tenho certeza que não acabará calçando cabeceiras de cama mal ajambradas.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

VAMOS PRESERVAR NOSSA MEMÓRIA!



Os exemplos são inúmeros e tristonhos.
Não é privilégio do  Brasil ,acontece no mundo todo.Mas,aqui,em muito maior número.
Refiro-me ao esquecimento em que caem nossos poetas ,escritores,historiadores,quando a morte os leva ou,o que é pior,ainda em vida.
A diretora de uma conceituada biblioteca pública de  Salvador ,ciosa das nossas tradições,queria fazer uma homenagem ao 2 de julho,nossa data maior,relatando a história dos nossos heróis,hoje no limbo do esquecimento.
Seria muito oportuno  ,pensou,que alguém,um poeta,quiçá,recitasse o belo poema de Castro Alves ,”Ode ao 2 de Julho”,uma das mais belas poesias do renomado  vate baiano.Pois é,lutou,lutou,mas,não encontrou.
Pediu ajuda a uma poetisa (continuo chamando poetisa às mulheres da  poesia ,não como palavra depreciativa,mas,porque acho verdadeiramente ridículo,chamar uma mulher de poeta,uma palavra  nitidamente masculina.Para mim,poetisa soa mais doce e pronto!) que conhece e é conhecida nos meios poéticos,mas,não teve muito sucesso.
A poetisa  enviou um e-mail” comunitário” ,pedindo ajuda.
Recebi e telefonei imediatamente para a diretora oferecendo-me para declamar.
Seu suspiro de alívio  me aliviou,também.
Desde  adolescente,sempre fui convidada para recitar esses versos em praça pública,durante os festejos da nossa Independência.
Houve uma época em  que ,adolescente rebelde e pouco afeita à exposições,cheguei a mudar o nome dos versos:transformei-os em “Ódio ao Dois de Julho”,revoltada com essa tarefa repetida todos os anos.Que me perdoe o poeta,ele,também um revolucionário e transgressor.
Mas, voltando ao tema inicial;é terrível perceber como esquecemos dos nossos maiores literatos.
Augusto dos Anjos ,Bastos Tigre,Bilac,Cyro dos Anjos,Adonias Filho, Menotti Del Picchia,quem os lê!?
 Artur  e Aloísio Azevedo, Manoel Antonio de Almeida,  Tobias Barreto,onde estarão?Que foi feito de Dionélio Machado?
Guimarães Rosa dizia que um poeta não  morre ,fica encantado.
Mas , o desencanto persiste.Um livro só tem serventia se for aberto e lido.Um escritor conquista a imortalidade pelas suas obras.
Se Deus necessita de homens ,  o escritor precisa do leitor.
Não qualquer leitor,,mas, um  leitor inteligente e consciente que leia e entenda as sutilezas do texto,que absorva o simbolismo da linguagem,que perceba as abstrações e capte as diferenças de estilo,os meandros e claro – escuros  dos versos,as entrelinhas do texto impresso.
Muitos jovens que conheço confessam que não gostam de ler.Querem apenas o “canudo”,pois,num pais de bacharéis,que nunca deixamos de ser,exige-se diploma de curso superior para tudo.Mesmo que o diplomado escreva cachorro com x e macaco com k.
Como alguém que não lê nada pode chegar ao ensino superior? Mistérios!
Como escritora desejo ser preservada; pretendo que meus livros falem  por mim , depois que eu virar pó.
Do contrário, as minhas se transformarão em letras mortas, sem ninguém que abra meus livros e eles acabem como calço para mesas  desequilibradas.Como acontece nos países de mentes desequilibradas.
Por precaução, enviei meu livro “A Bahia de Outrora”  para a Biblioteca da Universidade de Harvard;foi aceito,com muita honra,segundo o responsável.
 ,pelo menos,tenho certeza que não acabará calçando cabeceiras de cama mal ajambradas.


IMG: Uma estante caseira em forma de livro.Idéia bacana encontrada no site http:// jaeh.me
Visitem!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

MULHERES ILUSTRES:MARIA THEREZA PACHECO

MULHERES ILUSTRES


“Tente manter sua mente jovem e palpitante até a velhice.”

Esse pensamento é de George Sand,mas,poderia brotar da alma da Dr,ªMaria Thereza Pacheco.

Não,não a conheci pessoalmente,só através das falas do coração dos seus alunos e colegas.Quer melhor depoimento do que esses?

Pois foi conhecendo essas histórias de uma mulher forte e meiga,incansável batalhadora ,mestra e aprendiz,visionária e prática,que decidi colocá-la na abertura do meu novo post” Mulheres Ilustres”.

E pego a matutar sobre os limitados conhecimentos que temos da nossa terra e nossa gente.A Bahia hospeda pessoas assim,vultos maravilhosos que marcaram o seu tempo,deixando seus legados e,muitas vezes não têm reconhecidos a importância que tiveram para esta sociedade que ajudaram a construir.Muito mais felicitados são os heróis que destroem que os heróis que constroem,alguém já disse.Triste realidade.

Maria Thereza não veio ao mundo a passeio;veio a trabalho;e um trabalho penoso e duro para uma mulher bela e meiga,doce e terna.Mas,realizou sua tarefa com competência e coragem.Vitoriosa,realizou todos os seus sonhos.E iluminou o caminho de muita gente.

Como árvore benéfica,deu frutos.Seus alunos ,seus colegas, por quem é seguida e pranteada.

Nascida em Alagoas,naturalizada baiana por mérito e escolha,a bela morena foi a primeira catedrática de Medicina Legal do Brasil,sucedendo ao lendário Professor Estácio de Lima ,ensinando na Escola Baiana de Medicina da Universidade Federal da Bahia.

Foi titular e presidente da Academia de Medicina da Bahia.

Doutorada em Medicina Legal pela Universidade de Paris I (Pantheon -Sorbonne),pós -graduou-se em Lisboa e Madri.

Foi a primeira mulher a dirigir o Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (cuja sede atual foi idealizada e construída na gestão dela) e diretora do Departamento de Polícia Técnica do Estado da Bahia.

Lembrem-se que estamos falando de meados do século passado quando as mulheres ou eram professoras ou donas de casa.

Incansável no trabalho e dedicando toda sua vida à Medicina terminou os seus dias dirigindo a Fundação José Silveira,referencia nacional na prevenção e tratamento da tuberculose.

Nascida na primavera de 1928 partiu para os campos do Senhor a 12 de maio de 2010.Consta que foi muito bem recebida.

Uma vida assim tem que ser sempre lembrada.E a melhor forma de lembrança é estender para muitos o exemplo be que uma vida exemplar deixou ,criando um prêmio que facilitasse a realização de sonhos,despertando idéias,realizando desejos.
                                                                  Dr. Geraldo Leite
Assim, tendo à frente o Dr. Geraldo Leite ,a Fundação José Silveira,o Instituto Geraldo Leite e o Instituto Médico Legal Nina Rodrigues promovem o Prêmio Profª Maria Tereza Pacheco,destinado a , ao mesmo tempo que homenageia a sua memória,incentivar o desenvolvimento da pesquisa científica no campo da Medicina Legal ,abrangendo todo o Brasil.

Para o Dr. Geraldo Leite,presidente do Conselho de Curadores da Fundação,”o prêmio,além de ser uma justa homenagem à cientista,vai fomentar a produção de trabalhos científicos em todo o país.”

Apoio:

Academia Baiana de Educação,ABM,Academia de Cultura da Bahia,Academia de de Educação de Feira de Santána,Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública,CLISA,CREMEB,Instituto Baiano de História da Medicina,LB)C,Ucsal,UFBA.

Mais informações,regulamento etc acesse o site www.fjs.org.br ou http://www.institutogeraldoleite.com/






marina moreno leite gentile para mim


mostrar detalhes 04:38 (4 horas atrás)



Hoje li seu e.mail sobre a ilustre mulher e profissional MARIA THEREZA PACHECO.
Obrigada amiga.

Muitas vezes, em decorrencia da pressa, nao resposdo os seus e.mails..........MAS OS LEIO VIU!

beijo

MARINA GENTILE

Salvador-Ba

26/10/10 10:44 - malu Dab

Parabens a Miriam por tão especial homenagem...Abraços com carinho!



26/10/10 11:09 - Euripedes Barbosa Ribeiro




Pois é minha amiga. Até hoje me pergunto porque os nossos cineastas,

tão empenhados em retratar bandidos, drogados e até no elogio da

mediocridade, como no filme indicado para representar o Brasil no

Oscar, ainda não descobriram pessoas como esta, aqui apresentada, ou

Irmã Dulce. Ou tantas outras ilustres desconhecidas. Pobre país! Pobre

de herois e heroinas não pela inexistencia destes. Mas pelo pouco caso

com que são tratados. Prefere-se as celebridades instantâneas, as

mulheres-fruta e os homens fúteis. Herois de BBB e outras babaquices.

* Meus parabéns, pelo resgate de tão ilustre figura que eu,

sinceramente, só vim a conhecer agora. Um beijo Miriam. E um excelente

dia.


29/10/10 23:57 - CONCEIÇÃO GOMES


Dessas mulheres ninguem fala, não há espaço na midia... Sua homenagem

é tocante.






















segunda-feira, 9 de agosto de 2010

FLIP: A FESTA DA LITERATURA


                                                                       IMG:O Globo
Movida por uma curiosidade saudável embarquei para Paraty;passei por cima da dificuldade de acesso – quase cinco horas de carro do Galeão até lá – enfrentando chuva e frio, além das curvas da estrada de Santos e as barreiras caídas na estrada –compensadas pela beleza das paisagens,mar e montanha,pelas vistas de Mangaratiba, Itacuruçá e Angra.

Mal cheguei dirigi-me à tenda onde teriam lugar as mesas de debates.

Toda a festa estava restrita ao Centro Histórico,porém,não havia confusão,apenas filas que se estendiam pelo amplo recinto . e funcionários atentos e cordiais prontos a atender esse público exigente e seleto.

Além das mesas que custavam $40.00 cada uma,as pessoas podiam optar pelos telões situados num ambiente confortável e climatizado ,onde se participava de tudo o que ocorria nas mesas, inclusive com traduções simultâneas,ao módico preço de $5.

Foi assim que assisti Isabel Allende,simpática e afável e o debate entre um judeu e uma iraniana.

As tendas e telões,visão noturna

Devo dizer que toda minha viagem ,resolvida em cima da hora,foi comprada pela Internet,sem dor,com anestesia,no conforto do meu escritório.Passagens aéreas (levei meu neto) ,traslado de ida e volta e hotel,tudo funcionou perfeitamente,sem dor de cabeça.

As mesas e telões foram comprados no site da FLIP por meio de cartões de crédito ou débito,com total acerto e segurança.

Quanto às acomodações lá tive um pouco de dificuldade porque todos os hotéis e pousadas que constavam da Rede estavam lotados.

Os melhores ,Cuxixo,Aconchego e a Pousada do Príncipe foram reservados pelo governo para funcionários e autores.

Fiquei numa pousada na praia de Jabaquara, simples,porém muito agradável, embora não dispusesse de Internet nem telefone nos apartamentos.Uma pequena caminhada matinal,respirando o ar puro e ouvindo os pássaros,levava-nos ao Centro ,com suas ruas belíssimas,casarões seculares e um ar setecentista,encantador.

Paraty,centro histórico
Paraty é uma galeria de arte a céu aberto;pintores,escultores,artesãos,estão por perto com trabalhos deslumbrantes,como o uruguaio que transforma moedas em verdadeiras obras de arte,pingentes e chaveiros.Ou o atelier de Monsieur Pardon, com magníficas telas e gravuras.Uma pausa para admirar as roupas da Ave Maria,que transformam qualquer mulher comum numa rainha.Salgadas,mas,valem cada centavo que se pagar por elas.

Por falar em coisas salgadas, os restaurantes do Centro e os táxis são proibitivos.Em alguns ,o preço alto -$50. por pessoa – não corresponde à qualidade nem ao sabor do que é servido.No sofisticado Banana da Terra,o bufê custa $100. por pessoa.

Quanto aos taxis,qualquer corrida custa $20.Pergunto-me porque o prefeito não desenvolve um sistema de adoráveis charretes,como em Sintra,tão românticas e típicas,casando-se perfeitamente com o estilo da cidade que lembra sinhazinhas e mucamas.

O povo é um espetáculo à parte;lembram os baianos na afabilidade,na gentileza e na forma como fazem amigos e na filosofia de vida.

Grau dez para a segurança.Andamos nas ruas a qualquer hora do dia ou da noite completamente tranqüilos.Não vi mendigos,pedintes ou meninos de rua.Não se fala em roubos ou assaltos.

O espaço das ruas é aberto aos alternativos,poetas,trovadores,cordelistas e escritores independentes.Podem ,livremente,comercializar seus trabalhos ao ar livre,retirando um crachá na Casa Azul.

Alguns habitués da Flip acharam fraca a deste ano;reclamavam da ausência de bons autores e do academicismo reinante,além da presença maciça de intelectuais da USP,seja como participantes ou mediadores.Apesar de dedicada ao pernambucano Gilberto Freyre,senti falta de escritores nordestinos por lá.

Ferreira Goulart apareceu no sábado,trazendo sua bela poesia;

O polêmico Salman Rushdie, (Versos Satânicos) apareceu na 6ª falando de seus novos livros;a cubana Wendy Guerra,chamou atenção pela beleza e nada mais.Isabel Allende trouxe muito público,lançou um livro e encantou pela simpatia e presença encantadoras.

Como vêm,a grande maioria era de escritores estrangeiros e politicamente corretos,alinhados ao establishment conservador e sem novidades ou alternativas para oferecer.Nada de novo no front da Literatura,que pena!

Isso nas mesas e telões;nas ruas,os alternativos salvavam a mesmice do tucanato bem comportado.

Havia um espaço interessante dedicado à criançada,com poesias,livros e jogos.

Tudo vi e tudo quis saber;selecionei os autores que me interessavam e gastei o resto do tempo conhecendo a cidade,falando e ouvindo,prestando atenção.

                       Os simpáticos David e Jacó,em cujo restaurante lancei o"A Bahia de Outrora"

Convidada pelo simpático David e seu amigo Jacó Carvalho,excelente músico,lancei o “A Bahia de Outrora” no restaurante da Gina,um dos mais freqüentados do Centro Histórico,para um público de alto nível,como o Secretário da Cultura de São Paulo.

Aberto o espaço para mim,falei um pouco sobre o livro,a Bahia, e tive a felicidade de ter todos os exemplares que levei,comercializados.

Pela curiosidade despertada pelo livro e seu conteúdo,percebi que a Bahia deveria ser representada,sim,na próxima Flip;que tal lançarmos sinais de fumaça aos responsáveis pela organização da Festa e tentar ganhar um lugar ao sol deslumbrante de Paraty?

Com a palavra nossos governantes e entidades culturais.

Ainda há muito o que falar sobre essa festa e a cidade onde se desenrolou.Voltaremos ao tema.

Espaço nas ruas para os independentes

terça-feira, 25 de maio de 2010

NOTÍCIAS DA BIENAL DE MINAS

Os escritores Miriam de Sales Oliveira,Aurélio Schommer e Ivone Alves Soll


As escritoras baianas Miriam de Sales e Ivone Alves Sol participam da Bienal do Livro de Minas 2010, nestes sábado e domingo. As duas integram a programação da Arena Jovem. Neste sábado, Miriam de Sales fará a leitura de seus contos e falará sobre seu processo criativo e inspirações. Aos 67 anos, Miriam é uma ativista em defesa do livro e da literatura baiana. É autora dos livros "Contos e Causos,"(esgotado no 2º dia de Bienal) "Maktub" e "Bahia de Outrora", além de centenas de crônicas publicadas na internet, em três blogs  e seis sites que mantém com atualizações diárias. Internauta ávida, a escritora possui ainda perfil no, Facebook e Twitter, e outras redes sociais ,onde dialoga com leitores de vários países.


Confira os links para os blogs de Miriam:

www.contosecausos24x7.blogspot.com

www.mirokcaconversafiada.blogspot.com

www.wwwfiatluxblogspotcom.blogspot.com

Já Ivone Alves Sol declamará poesias de sua autoria, além de debater sobre a linguagem poética, no domingo. A autora apresentará ainda a coletânea Alma BRASILEIRA – Especial Dia das Mães, que reúne oito poesias próprias, além de versos de poetas baianos. O projeto é coordenado por Sandra Stabile. Ivone Alves Sol já integrou outras duas coletâneas literárias e é assesssora do PABRAA (Projeto Alma Brasileira). SOLvendo Sentidos é o título do primeiro livro individual da poeta, com previsão de lançamento em agosto deste ano.

Parceria - A participação baiana no evento literário mineiro é fruto de uma parceria entre a Câmara Bahiana do Livro (CBaL) e o Governo do Estado, através das secretarias de Cultura (Secult) e da Indústria, Comércio e Mineração (SICM). O stand próprio da Bahia possui mais de três mil livros, entre cordéis, poesia, quadrinhos, contos, romances, livros de arte, patrimônio, religião, entre outros temas. São obras de autores consagrados e de nomes contemporâneos. Além de Miriam de Sales, Ivone Alves Sol e Ruy Espinheira, a literatura da Bahia está representada na Bienal pelos escritores Clara Maciel, Hugo Homem e Nilson Schommer.

*Com informações da Assessoria da Fundação Cultural do Estado da Bahia





sábado, 8 de maio de 2010

UMA GRANDE FAMÍLIA!

Os escritores Camilla e Gabriel Maciel e Miriam Sales





Para Clara Maciel ,que começou tudo...
“Bendito sejam os frutos do vosso ventre”
Poucas vezes, na história da Literatura vemos acontecimentos assim; uma família inteira de bons escritores.
Pois , a Bahia , terra de mágicas e magias , foi brindada com essa raridade.Por causa disto,ontem , festejamos.
Até o sol , que fazia “forfait” há dias , compareceu radioso -como acontece , também , no Dois de Julho, quando brilha mais do que no primeiro , -já cantava o poeta.
Toda essa alegria ,sol , mar, poesia para homenagear a Família Maciel ; Clara,seus filhos , Camilla (16 anos) e Gabriel (11 anos) meninos que escrevem como gente grande;aliás, como nem toda gente grande...
A festa , anunciada ,por mim ,nos blogs e sites e nos principais jornais ,foi bonita e concorrida.
Muitos homens e mulheres das letras , compareceram.Quem não foi , perdeu...
Os livros , bem procurados e vendidos.Gabriel , com seus olhos inteligentes e riso fácil ,queixou-se:
-Tia,minha mão está doendo de tanto escrever.
Eu retruquei:
-Filhote, essa é a dor mais gloriosa que todo escritor quer sentir.
Mas, a doce Clara , a querida Clara gosta de compartilhar.
E quis homenagear escritores que ,segundo ela , lutam e fazem o possível para alçar nossa Literatura entre as melhores do pais.
Assim , ganharam flores e placas comemorativas os escritores Hugo Homem ,Carlos Alberto Barreto , Antonio Cedraz e esta que escreve essas mal traçadas.
Recebemos essas homenagens com carinho e humildade. Sabendo que o caminho é longo e haverá muito o que fazer.
Aos novos escritores ,quero desejar muito sucesso.
Como dizia Hemingway:
“A terra sobre a qual um romancista escreve é a que ele conhece; e, a terra que ele conhece está dentro do seu coração.”
E , a Velha Bahia , “terra máter”do Brasil ,abriu o seu coração e os seus braços para acolher esses meninos preciosos.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

UMA NOVA LEI PARA A CULTURA



Numa reunião bastante concorrida , onde compareceram todos os segmentos das artes na Bahia, o Ministro Juca Ferreira apresentou a nova lei para a cultura de um novo século.
Artistas,produtores, escritores, empresários e cidadãos em geral compareceram para ouvir as novidades no setor ,principalmente os projetos que irão substituir a Lei Rouanet , que ,segundo o próprio criador ,não atingiu os objetivos para os quais foi criada. ,nos seus dezoito a nos de vigência.
Essa lei , que veio para beneficiar , gerou distorções,como uma indecente concentração em termos territoriais e de proponentes.
Por conta disso ,muitos Estados ficaram de fora ou receberam apenas migalhas para seus projetos.
Pais de enorme diversidade cultural , o Brasil precisa dar mais atenção aos Estados do Norte e Nordeste até então esmagados pela concentração de recursos para o Sul e o Sudeste ,gerando dois brasis diferentes e tratados muito diferencialmente entre si.
Temos que assimilar toda a cultura do pais ,da ópera ao jongo , da dança clássica ao maculelê ,da bossa – nova ao xaxado.
Os artistas e produtores não devem mais depender de patrocinadores e andar de cuia na mão ,gastando sola de sapato (como canta a música de Gil),mesmo porque ,aqui não custa barato ,e ,o artista se desgasta , se apequena ,se decepciona ,perdendo o pais uma grande expressão da sua nacionalidade ,por descaso ou desânimo.
Projetos de teatro, música , leitura, bibliotecas , museus e patrimônios não podem depender apenas do interesse de marketing das empresas para ter reconhecimento da sua qualidade e importância e viabilizar suas atividades, diz o Ministro.
Precisamos de um pais culturalmente uniforme,com sua diversidade respeitada e valorizada ,cujo acesso seja direito de todos ,formando uma geração de cidadãos plenos e informados.
Cabe ao Estado agir com rapidez e imparcialidade ,avaliar resultados e diminuir a burocracia.
A nova lei dá força ao orçamento,cria um novo Fundo Nacional de Cultura á altura da demanda e da qualidade da nossa cultura nacional.Desburocratiza procedimentos e estabiliza uma parceria entre o artista e a sociedade.Garante assim ,a chegada dos recursos com lisura e rapidez,sem intermediários,sem despachantes e sem burocracias desnecessárias.
É claro que esses segmentos que sempre ficavam com a parte do leão não ficarão satisfeitos e seus” lobbies” já devem estar trabalhando contra.
Não importa.O projeto segue e a lei já é uma realidade,pois nasce sintonizada com as qualidades da cultura brasileira.
Essa mudança faz-se necessária , pois,apenas 3% dos proponentes ficam com 50% dos recursos captados. Infelizmente,esse modelo não estimulou o pluralismo cultural ,regional ou estético.Nem se baseou em critérios públicos ,pois ,a escolha do patrocinador muitas vezes se pautava pelo reforço da marca da empresa, reforçando a presença de um Estado cada vez mais corporativo.
Observem a quantas anda a nossa realidade cultural:
75% dos municípios não têm um centro cultural.
Só 14% dos brasileiros freqüentam cinema uma vez por mês.
92% dos brasileiros nunca estiveram num museu.
93% nunca foram a uma galeria de Arte.
78% nunca assistiram a um espetáculo de dança.
Fonte:IBGE
Está ou não está na hora de mudar esse quadro?
Vejam o mapa:
50% dos recursos captados ficam concentrados em apenas 3% dos proponentes.
Entenderam porque sá há vida inteligente no Sul e Sudeste?
Acesse e participe:
http://blogs.cultura.gov.br/blogdarouanet

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

DIRETO COM O AUTOR


Vivemos um momento de significativa transição na maneira como produzimos distribuímos e acessamos informação. Yochai Benkler, autor do livro The Wealth of Netwoks, talvez uma das mais importantes obras que discutem as transformações econômicas e políticas decorrentes da popularização da rede mundial de computadores, descreve detalhadamente as diversas conseqûencias decorrentes da emergência da economia de informação em rede. Segundo ele, durante os últimos 150 anos, as modernas democracias complexas dependeram estritamente de uma economia de informação industrial para se organizarem. Na última década e meia, estaríamos vendo um mudança radical desse modelo cultural. Possibilitada por transformações tecnológicas, Benkler afirma que estaríamos presenciado uma série de adaptações econômicas, políticas e sociais que tornam possível uma câmbio radical na maneira como construímos o ambiente informacional que ocupamos enquanto indivíduos e cidadãos.
A mudança estrutural que acredita-se está em curso, potencializará, como já é possível perceber, um numero muito maior de iniciativas de produção de cultura não-proprietária e orientada para além do mercado. Estas novas práticas emergentes possuem um sucesso notável em áreas tão distintas quanto desenvolvimento de software, jornalismo investigativo, pesquisas científicas e jogos multiplayer online. Embora estruturadas em torno de objetivos muito diferentes, essas práticas possuem modelos organizacionais semelhantes. São descentralizadas, baseadas na colaboração aberta de indivíduos dispersos geograficamente, envolvidos de forma voluntária e autônoma por afinidades políticas, culturais e morais.
Mas, assumindo que a natureza humana não mudou na última década e meia, quais são as bases materiais que possibilitam a emergência dessas iniciativas no centro da economia capitalista mundial?
Uma resposta breve para essa pergunta reside no colapso dos custos de comunicação a longas distâncias. No último século e meio, as tecnologias de comunicação tenderam a concentrar e comercializar a produção e a troca de informação na proporção em que ampliavam o alcance geográfico e social. Prensas mecânicas volumosos e o telégrafo, combinados com modelos de gestão para transformarem jornais locais de baixa circulação em mídia de massa. E na medida que esse modelo midiatico se expandia, o fluxo de informação se tornava, cada vez mais, uma via de mão única. A audiência crescia, assim como sua dispersão geográfica e social, e o discurso público (ou opinião pública) amplamente divulgada, formadora da base compartilhada da conversação política e do entendimento cultural provinha crescentemente dos produtores comerciais de capital-intensivo em direção a consumidores passivos e indiferenciados. Esse modelo foi adotado também pelo rádio, pela Tv, e posteriormente pelas comunicações a cabo e satélite.
A internet é o primeiro meio de comunicação moderno que amplia o seu alcance descentralizando o capital estrutural de produção e distribuição de informação, cultura e conhecimento. Os servidores e roteadores não são muito diferentes, do ponto de vista técnico e econômico, dos computadores pessoais. O mesmo não pode ser dito quando falamos do rádio e da televisão, por exemplo. Boa parte do capital físico que alicerça a rede mundial de computadores está descentralizada e pertence aos próprios usuários. Estas mudanças nas condições materiais de produção e distribuição de informação e cultura têm um impacto forte na forma como concebemos o mundo que ocupamos, assim como as alternativas de ação coletiva possíveis.
A produção social colaborativa, ou a produção social por pares, seja lá como descrevamos este fenômeno, é umas das alternativas que se tornaram viáveis. Há dez anos atrás, se alguem propusesse escrever a maior enciclopédia do mundo, baseada no trabalho voluntário de milhares de colaboradores, cujo produto seria disponibilizado gratuitamente para milhões de pessoas, no mínimo, duvidaríamos da sanidade mental do proponente. Pois a Wikipédia existe. Se há dez anos, alguém dissesse que o processador mais poderoso do mundo seria construído com base na contribuição voluntária de milhares de pessoas disponibilizando a capacidade de processamento ociosa de seus computadores pessoais, seríamos céticos dainte de suas possibilidades de sucesso. Pois o Folding@home existe. Isso tudo pra não mencionar o primeiro projeto de todos, e talvez o de maior sucesso baseado nesse modelo, o desenvolvimento do sistema operacional aberto/livre GNU/Linux.
As empresas capitalistas mais inovadoras reconheceram a importância do conteúdo produzido por usuários, e se utiliza dele para produzir valor. Como em qualquer mudança brusca de produtividade, as empresas mais ousadas buscam maneiras inovadoras de extrair lucros diante de um novo cenário produtivo. Youtube, Google, IBM são alguns exemplos paradigmáticos. Porém, o que há de peculiar neste cenário, é que boa parte deste novo modelo produtivo de informação, cultura e conhecimento extrapola o universo mercadológico. Estamos falando de ações coletivas que não se orientam pela necessidade de lucro, que não obedecem os modelos organizações das firmas.
É, justamente, na encruzilhada da possibilidade de exercitar maior liberdade e autonomia organizativa e de produzir uma cultura mais diversificada e livre que enxergo a iniciativa da Editora Plus. Uma editora que não depende do mercado para sobreviver, e que portanto não se baliza pela lógica de mercado para escolher suas publicações. Repito o exercício retórico que havia feito acima. Se há uma década, um grupo de pessoas se reunisse para fundar uma editora com o objetivo de publicar os mais diferentes autores, e distribuir suas publicações gratuitamente em todo o território nacional, teríamos certeza do insucesso desta iniciativa. Pois a Editora Plus existe.


AUTOR:LINEU OLIVEIRA,da Editora Plus

TEXTO EXTRAIDO DO SITE "LIVROS E AFINS"