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segunda-feira, 28 de março de 2011

A ORIGEM DA LITERATURA DE FICÇÃO





A ORIGEM  DA  LITERATURA DE  FICÇÃO
Sem o desenvolvimento da escrita seria impossível haver Literatura.
Os povos primitivos, como os arianos,tinham memorizadas todas as suas emoções   que  extravasavam  nas canções dos menestréis,nos contos e estórias  frutos da tradição oral,nos preceitos morais e religiosos,tudo  preservado através dos bardos,mestres cantores que atravessavam o pais,encantando o povo com a narrativa épica ou romântica,trazidas às praças ,templos e palácios.
Os dois poemas de Homero, a Ilíada e a Odisséia,embora cantados pelo bardo cego ,nas praças, só foram escritos por volta do ano 700 A .C.,assim mesmo porque Pisístrato ordenou  que fossem colecionados.
Esses poemas tiveram várias versões que se perderam na noite dos tempos.
Os gregos afirmavam que os dois poemas eram obra do mesmo poeta ,Homero,que se acreditava nasceu em sete diferentes cidades(cada uma puxando a brasa para sua sardinha) e em diferentes datas que se estendem de 1100 a 800 A.C.
A única certeza sobre ele é que era cego.
Só depois de muito  tempo,observou-se que os referidos poemas eram muito diferentes no estilo,no espírito,no tom e na qualidade,como o som de um piano difere  do de um trompete.
Imagina-se que nunca poderia ser obra do mesmo autor. .Talvez,Homero ,tenha ouvido essas canções e recitações de várias pessoas em vários lugares e compilado todas,formando uma única peça;seja como for,ambas são um presente para a humanidade;seja pela poesia,pela beleza,pela sabedoria,que –infelizmente! – nenhuma tradução jamais conseguiu captar.
Em ambas as obras existem lances de grande sentimento, muita observação ,muito saber a respeito das paixões humanas,muito entusiasmo e merecem ser consideradas como obras supremas do espírito humano.Suas estórias atravessaram séculos ,inspiraram escritores e poetas,escultores e pintores.
Mas, Homero,por muitos considerado um mito, não está sozinho;a seu lado surge Hesíodo,esse,sem dúvida uma pessoa real.
Os seus poemas Trabalhos e Teogonia  refletem,o primeiro,a vida e a luta pela sobrevivência dos camponeses da Beócia;o segundo,um texto religioso fala da origem dos deuses gregos e suas relações com os homens,muito íntimas,aliás.
A primeira poesia que nasceu entre os gregos foi a épica, poesia ariana por excelência.
Depois floresceram os outros: a elegia,doce e terna cantada ao som da flauta lídia;o lirismo,cantado ao som da lira de sete cordas.
Precursores e imbatíveis no gênero surgem Píndaro e Simônides;não esquecer uma mulher,Safo,de Lesbos,uma das maiores poetisas líricas do seu tempo.
O drama ,outro gênero literário importante,surgiu como parte da celebração dos cultos dionisíacos,regados a muito vinho e festas.
A festa consistia numa consagração cantada em coro,onde eram descritos os feitos do deus.
Um ator, o corifeu, levantava  -se e recitava sozinho e o coro lhe respondia; Èsquilo,mais tarde,introduziu um segundo ator que também,de pé,dialogava com o primeiro.Com Sófocles veio o terceiro ator;estava criada as bases para o teatro moderno.
Os dramas começaram representados em  plataformas  de madeira;depois,por volta do sec.V,surgiram os teatros.
Um século mais tarde o drama grego atingiu o ápice ,pois,aos outros veio juntar-se Eurípedes,Aristóteles, Menandro;ao mesmo tempo despontava a comédia,uma forma leve e divertida,apresentando quadros de costumes e aspectos do cotidiano.Nessa arte  Menandro era o rei.
A comédia é uma necessidade humana;a imitação,o motejo,a sátira sempre existiram entre as comunidades humanas desde o seu começo. Os escritores de comédia satisfaziam a paixão sempiterna do ser humano pela fofoca em torno das pessoas  importantes ,pois,assim,os deixava numa situação em que se aproximavam mais do homem comum,normalmente intimidado com o Poder.Só muito mais tarde,quando o ler e escrever estavam bastante difundidos entre os povos é que houve lugar para o conto e a história, necessária para se conhecer assuntos graves e  a saga dos países,bem como  os feitos dos seus antepassados.Não podemos deixar de falar de Heródoto,O Pai da História, que visitou Atenas nos gloriosos dias de Péricles,quando a tragédia grega chegava ao apogeu.
Mais tarde,Tucídides narrou a Guerra do Peloponeso e Xenofonte escreveu “Anábase”.
Infelizmente, quase toda a obra grega se perdeu para o mundo;exceção ,talvez,para os discursos de vários famosos  oradores  e autores como Sócrates  e  Platão,dono de uma prosa argumentativa,precisa e dramática.
O método de Sócrates era  profundamente cético;acreditava que a única virtude possível era o conhecimento do verdadeiro;não tolerava nem crença,nem esperança que pudesse enganar o ser humano acerca do seu destino.
Paremos por aqui,lembrando que a melhor maneira de conhecer e entender a Literatura é debruçando-se nas obras originais.


IMG:Busca Google
Texto:Miriam Sales

sexta-feira, 4 de junho de 2010

VAMOS PRESERVAR NOSSA MEMÓRIA


Os exemplos são inúmeros e tristonhos. Não é privilégio do Brasil ,acontece no mundo todo.Mas,aqui,em muito maior número. Refiro-me ao esquecimento em que caem nossos poetas ,escritores,historiadores,quando a morte os leva ou,o que é pior,ainda em vida. A diretora de uma conceituada biblioteca pública de Salvador ,ciosa das nossas tradições,queria fazer uma homenagem ao 2 de julho,nossa data maior,relatando a história dos nossos heróis,hoje no limbo do esquecimento. Seria muito oportuno ,pensou,que alguém,um poeta,quiçá,recitasse o belo poema de Castro Alves ,”Ode ao 2 de Julho”,uma das mais belas poesias do renomado vate baiano.Pois é,lutou,lutou,mas,não encontrou. Pediu ajuda a uma poetisa (continuo chamando poetisa às mulheres da poesia ,não como palavra depreciativa,mas,porque acho verdadeiramente ridículo,chamar uma mulher de poeta,uma palavra nitidamente masculina.Para mim,poetisa soa mais doce e pronto!) que conhece e é conhecida nos meios poéticos,mas,não teve muito sucesso. A poetisa enviou um e-mail” comunitário” ,pedindo ajuda. Recebi e telefonei imediatamente para a diretora oferecendo-me para declamar. Seu suspiro de alívio me aliviou,também. Desde adolescente,sempre fui convidada para recitar esses versos em praça pública,durante os festejos da nossa Independência. Houve uma época em que ,adolescente rebelde e pouco afeita à exposições,cheguei a mudar o nome dos versos:transformei-os em “Ódio ao Dois de Julho”,revoltada com essa tarefa repetida todos os anos.Que me perdoe o poeta,ele,também um revolucionário e transgressor. Mas,voltando ao tema inicial;é terrível perceber como esquecemos dos nossos maiores literatos. Augusto dos Anjos ,Bastos Tigre,Bilac,Cyro dos Anjos,Adonias Filho, Menotti Del Picchia,quem os lê!? Artur e Aloísio Azevedo,Tobias Barreto,onde estarão?Que foi feito de Dionélio Machado? Guimarães Rosa dizia que um poeta não morre ,fica encantado. Mas , o desencanto persiste.Um livro só tem serventia se for aberto e lido.Um escritor conquista a imortalidade pelas suas obras. Se Deus necessita de homens , o escritor precisa do leitor. Não qualquer,mas, leitor inteligente e consciente que leia e entenda as sutilezas do texto,que absorva o simbolismo da linguagem,que perceba as abstrações e capte as diferenças de estilo,os meandros e claro – escuro dos versos,as entrelinhas do texto impresso. Muitos jovens que conheço confessam que não gostam de ler.Querem apenas o “canudo”,pois,num pais de bacharéis,que nunca deixamos de ser,exige-se diploma de curso superior para tudo.Mesmo que o diplomado escreva cachorro com x e macaco com k. Como alguém que não lê nada pode chegar ao ensino superior? Mistérios! Como escritora desejo ser preservada; pretendo que meus livros falem por mim , depois que eu virar pó. Do contrário, as minhas se transformarão em letras mortas, sem ninguém que abra meus livros e eles acabem como calço para mesas desequilibradas.Como acontece nos países de mentes desequilibradas. Por precaução, enviei meu livro “A Bahia de Outrora” para a Biblioteca da Universidade de Harvard;foi aceito,com muita honra,segundo o responsável. Lá ,pelo menos,tenho certeza que não acabará calçando cabeceiras de cama mal ajambradas.
IMG:Busca Google

COM A PALAVRA,O LEITOR:

04/06/10 21:47 - Euripedes Barbosa Ribeiro



Pois é minha amiga. Conheço graduados que entraram e sairam da


Universidade, devidamente munidos do tal canudo, sem que tenham lido


um unico livro inteiro: apenas os capítulos recomendados para as


avaliações. Então não é surpresa que tantos ótimos e imortais autores


sejam esquecidos. O hábito da leitura que já não é tão incentivado,


concorre agora com outros hábitos, surgidos com a diversidade de


mídias disponíveis. * Parabéns pelo belo atualíssimo artigo. Beijos.


Uma boa noite. P.S. Pensei que voce iria hoje lá na Cantina da Lua.




06/06/10 12:32 - EDNA LOPES




Ótima reflexão Miriam...penso que será das novas gerções se ESSA não

acordar para o caos que se avizinha.. li algo de saramago que dizia,

da pouco habilidade de escrita e de leitura que testemunhava:

CHEGAREMOS AO GRUNHIDO...É duro reconhecer que do jeito que vai...

*bjss















sexta-feira, 18 de dezembro de 2009




VERSOS DE NATAL
Manoel Bandeira
Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados;
Espelho, amigo verdadeiro
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado,obrigado!

Mas,se fosses mágico,
Penetrarias até o fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta este homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera de Natal
Ainda pensa em pôr os seus chinelinhos atrás da porta.