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terça-feira, 27 de julho de 2010
UMA SÁTIRA POLÍTICA DE FERNANDO PESSOA
Conhecemos o magnífico trabalho poético de Fernando Pessoa e seus heterônimos: Ricardo Reis,Álvaro de Campos e Alberto Caeiro.
Mas,eu mesma,”pessoista”de carteirinha,nunca imaginei que ele fosse muito bom,também,na sátira política.
Portanto ,foi entre intrigada e deslumbrada que descobri esses versos satíricos que,sob o pseudônimo de Sidonio,ele fez para Salazar,o todo poderoso senhor de Portugal dos anos 30 aos 50.
Ei-los:
Antonio de Oliveira Salazar.
Três nomes em seqüencia regular...
Antonio é Antonio,
Oliveira é uma árvore,
Salazar é só apelido.
Até ai está bem,
o que não faz sentido
É o sentido que isto tem.
Este senhor Salazar
é feito de sal e azar.
Se um dia chove,
a água dissolve
o sal,
e sob o céu
fica só azar,é natural.
Oh, c’os diabos!
Parece que já choveu...
Coitadinho
do tiraninho!
Não bebe vinho
Nem sequer sozinho...
Bebe a verdade
e a liberdade,
e com tal agrado
que já começam
a escassear no mercado.
Coitadinho
do tiraninho!
O meu vizinho
está na Guiné,
e o meu padrinho
no Limoeiro
aqui ao pé,
mas, ninguém sabe porque...
Mas,enfim,é
certo e certeiro
que isto consola
e nos dá fé:
que o coitadinho
do tiraninho
não bebe vinho,
nem até
café...
N.A.
Limoeiro,temível prisão em Lisboa
IMG:Pessoa e seus heterônimos
Busca Google
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
HOJE É DIA DE POESIA...
ISTOFERNANDO PESSOA
Dizem que finjo ou minto
tudo que escrevo.Não,
eu simplesmente sinto.
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
o que me falha ou finda,
é como que um terraço
sobre outra coisa ainda,
essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
do que não está ao pé,
livre do meu enleio,
sério do que não é.
Sentir?Sinta quem lê!
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
CANTINHO DA POESIA!...
MAR PORTUGUÊS
Fernando Pessoa
Ó mar salgado,quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães
Choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso,ó mar!
Valeu a pena?Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena!
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas,nele é que espelhou o céu!
Fernando Pessoa
Ó mar salgado,quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães
Choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso,ó mar!
Valeu a pena?Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena!
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas,nele é que espelhou o céu!
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