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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

ASSIM SEJA!




Seja prudente,cauteloso,até arisco,mas,não se furte dos necessários riscos.


Seja laborioso,ordenado e dinâmico,
mas,reserve sempre o  espaço dos seus sonhos.

Seja ético,polido,bem educado;
jamais formal ou sofisticado.

Seja amigo  fiel e acolhedor;
mas,nunca,em demasia protetor.

Seja caridoso.Fazer o bem jamais hesite.
Mas,rejeite o papel de encosto ou cabide

Seja abnegado,despojado e altruista
mas,sem usar os artifícios dos "artistas".

Seja valente,destemido e corajoso,
mas,se acautele das intrigas do invejoso.


Seja garimpeiro.Escave o solo se só lhe importa o ouro;
Mas,semeando a terra encontrarás tesouro.

E,seja ponte.Trace seus limites nos espaços livres,
e o teto,no leito abençoado da amplidão.


Maria Arlinda Moscoso,poetisa,educadora,advogada baiana.Membro efetivo da Academia de Cultura da Bahia.
M embro honorário da Academia Internacional de Letras,Artes y Ciencias com sede em Buenos Ayres
Conselheira do CEPA.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

TODO DIA É DIA DE POESIA!



À volta da mesa, por Henri Fantin-Latour, 1872, Rimbaud é o segundo à esquerda, tendo ao seu lado direito seu grande amor, o poeta Paul Verlaine



O Barco Ébrio
Quase ilha, a sacudir de meus bordos as querelas


E pássaros ladradores com olhos louros.


E eu vogava, quando através das cordagens fracas


Os afogados a dormir desciam aos recuos.


(…)


Mas, é verdade, muito chorei! Auroras são cruciantes,


Toda lua é impiedosa e todo sol amargo:


O áspero amor me embebeu em sonos embriagantes,


Que minha quilha estale! Que eu me faça ao mar!






Jean Nicholas-Arthur Rimbaud* Charleville, França – 20 de Outubro 1854 nasceu em Charleville e morreu em Marselha, França – 10 de Novembro 1891 .





Se vivesse hoje seria "roqueiro",esse grande poeta simbolista francês,uma das pérolas de Ardennes,jovem rebelde e inconformista.


Dele escrevia Henry Miller,seu mais ardoroso fã:


"Acho que existem muitos Rimbauds neste mundo e que seu número aumentará com o tempo. Acho que o tipo Rimbaud tomará o lugar, nos próximos tempos, do tipo Hamlet e do tipo Fausto. Até que o velho mundo morra de vez, o indivíduo 'anormal' será cada vez mais a norma. O novo homem se encontrará quando a guerra e a coletividade entre o indivíduo cessar. Veremos então o tipo de homem em sua plenitude e esplendor".


Fonte:
Henry Miller,Wikipédia
IMG:Busca Google

quinta-feira, 18 de março de 2010

SEXTA É DIA DE POESIA!



Partir sem saber para onde.
Repartir sem saber para quem
porque o coração nada sabe da linha reta.
E,o mundo,assim,
não mais será peso
nem apoio.
Mas,doce participação.
Lindolf Bell,poeta brasileiro.

domingo, 14 de março de 2010

CASTRO ALVES, O POETA DA ESPERANÇA!



Em 1847,nascia, na Fazenda Cabaceiras, Antonio de Castro Alves,um dos maiores poetas brasileiros.
Filho de médico,o pai mudou-se ,mais tarde,para Muritiba,cidade do Recôncavo Baiano,para que o filho aprendesse as primeiras letras.
Em 1854 a família mudou-se para Salvador e o menino Cecéu foi matriculado no Colégio Sebrão;mas,logo foi transferido para o Ginásio Baiano,do emérito professor Abílio César Borges.
Ávido leitor dos poetas franceses,como Vitor Hugo,aos 13 anos escreve sua primeira poesia.
Indo estudar Direito no Recife,onde foi colega de Tobias Barreto,consegue publicar num jornal desta cidade,”A Destruição de Jerusalém”,provavelmente influenciado por Torquato Tasso,célebre poeta italiano.
Belo,elegante,vasta cabeleira negra,olhos pretos devoradores,o jovem fazia sucesso entre as mulheres;até a famosa atriz Eugênia Câmara,depois sua grande paixão,declamou versos seus no Teatro Santa Isabel.
Em 1864,porém,coisas terríveis aconteceram.Seu irmão mais velho suicidou-se e ele contraiu uma tuberculose;após a primeira hemoptise voltou à Bahia,para tratar-se.
Um ano depois volta para Recife com Fagundes Varela e declama “O Século” na abertura dos cursos jurídicos.Funda uma sociedade abolicionista.
Começam as viagens,Salvador,Rio de Janeiro,sempre em companhia da amada Eugênia Câmara.
Quando ele aparecia nos saraus ou na platéia dos teatros, belo e forte como um jovem herói,irrepreensivelmente vestido de negro que lhe ressaltava a palidez romântica,os homens o aplaudiam com vigor e as mulheres suspiravam,comovidas.Todos os que ouviam a sua voz melodiosa e retumbante,eram presas de fortíssima comoção e prorrompiam em brados entusiasmados.
Cursa o terceiro ano de Direito em São Paulo,na Faculdade do Largo de São Francisco.
1868 foi um ano produtivo. Escreveu e declamou “o Navio Negreiro”,foi aprovado nos exames,seu poema “Gonzaga” estreou no Teatro São José e rompeu com Eugênia.
Parece que a tragédia foi sua companheira,pois,ao sair para uma caçada, pulando para atravessar um riacho,detonou sua própria espingarda e baleou o pé,que teve que ser amputado,sem anestesia.
A conselho médico vai para Curralinho;tenta a cura em Santa Isabel;melhor,volta para Salvador para o lançamento do seu livro “Espumas Flutuantes”.
Em 1871, aos 24 anos,morre o poeta maior da Literatura brasileira.Desaparecia tão cedo a sua formosa mocidade e gênio;foi o guia e chefe dessa geração de jovens desassombrados,que lutava pelo que considerava certo e pela liberdade dos despossuídos.
Já o era no seu tempo como é agora, idolatrado pelo povo;Sofreu com a inveja e a “panelinha” literária da época,que existe e persiste até os nossos dias.Mas,a admiração anônima e espontânea dos leitores é o que interessa ao escritor porque o leva à fama e à posteridade.
Os sábios distinguem e julgam;só o povo ratifica a justiça ou o gosto dessas sentenças;a admiração popular nunca faltou a Castro Alves.
Ainda hoje me emociono até às lágrimas quando recito “Ode ao Dois de Julho” ou “Navio Negreiro”;do mesmo jeito que me emocionava nos idos de ’60,quando na Escola Normal ou nos festejos do 2 de Julho era chamada a recitá-los,em público.
LEIA TAMBÉM:
Um poema de Castro Alves,no blog:wwwfiatluxblogspotcom.blogspot.com
FALA O LEITOR:
Paulo Martins 13:19 (30 minutos atrás)
Grandiosíssimo Poeta! Pena que tenha vivido pouco, não é mesmo, cara Miriam!Mas penso que pessoas assim não morrem de fato!Abraço e ótima semana
Paulo

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

UM POEMA DE JACK KEROUAC


O amor é o cemitério populoso da podridão.

O leite derramado dos heróis.

Destruição de lenços de seda pela tempestade de pó.

Carícia de heróis vendadospresos nos postes.

Vítimas de assassinatos aceitas nesta vida.

Esqueletos trocando dedos e juntas.

A carne trêmula dos elefantes da gentileza
sendo despedaçada pelos abutres.
Concepções de rótulas delicadas.
Medo de ratos espalhando bactérias.
A Fria Esperança da Gólgota pela Esperança do Ouro.

Úmidas folhas de outono contra o casco dos barcos.
As delicadas imagens de cola do cavalo-marinho.

Morte por longa exposição à desonra.

Seres assustadores encantadores ocultando seu sexo.

Pedaços da essência de Buda congelados

e fatiados microscopicamente em morgues do norte.

Pômos do pênis a ponto de semear.

Mais gargantas cortadas que grãos de areia.

Como beijar minha gata na barriga.

A suavidade de nossa recompensa.


O escritor Americano Jack Kerouac nasceu em Massachussets a 12 de março de 1922 e morreu em 21 de outubro de 1969;sua vida foi muito atribulada e destruída pelas drogas,pelo álcool e pelas sucessivas decepções com o mundo e a sociedade da época.Muito místico,esperava muito da humanidade e ,sempre insatisfeito,criou a literatura contestatória , foi um ícone da geração beat e um eterno crítico da “vida peripatética”.
Seus relacionamentos eram quentes e tumultuosos e sua maior obra “On the Road”,ainda vende bastante nos dias de hoje.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

GREGÓRIO DE MATOS GUERRA,O "BOCA DO iNFERNO"

A BAHIA DE GREGÓRIO DE MATOS



O POETA



CONSIDERADO por Glauber Rocha “gênio da raça”e estudado pelos maiores e mais renomados intelectuais baianos,Gregorio de Matos,continua tão enigmático hoje,como há 400 anos atrás,quando nasceu na Bahia considerado um dos mais importantes poetas seiscentistas. Por seus versos virulentos e ferinos,versos que apesar da Inquisição ,nunca economizaram o lombo dos poderosos e do clero,,era um poeta maldito,execrado pelos moralistas,uma espécie de bruxo-exu-guia das letras nacionais,principalmente as malcomportadas,no dizer de seu biógrafo Higino Barros.
Apesar de nascido em 1636 e morrido em1695,no Recife,o poeta continua tão atual pois nos tempos de Arrudas e mensalões ,políticas globalizantes,neoliberalismos e especuladores irresponsáveis,sua obra continua a espelhar a sociedade,com tanta propriedade,como se ainda estivéssemos no século em que viveu. A dificuldade de se reunir a obra de Gregório de Matos é que ele não deixou nada escrito e sua obra é quase toda focada na tradição oral.
Da sua vida,sabe-se pouco.Nasceu na Bahia em 23 de Dezembro de 1632,embora a data seja contestada por Pedro Calmon,que apostava no dia 20;sua família,de raízes portuguesas fez fortuna no Brasil,depois de deixar a Corte,graças ao seu avô,Pedro Gonçalves de Matos,que desembarcou aqui como mestre de obras,uma espécie de empreiteiro,enriquecendo rapidamente com a construção de quartéis,fontes e ladeiras.Era também,o único dono de um guindaste novo,para transportar mercadorias da cidade baixa para a alta.Some-se a isso,os engenhos da cana com 130 escravos,a fazenda de Inhambupe,atochada de gado e tem-se uma vaga idéia da posição social e econômica da família.
O pai do poeta,Gregorio de Matos,casou-se com Maria Guerra e teve cinco filhos,os mais conhecidos,o Padre Eusébio de Matos,famoso orador sacro e o nosso poeta,que de sacro e temente a Deus e á Igreja,não tinha nada. O pai só aumentou os bens da família e,seus filhos foram estudar em Portugal,na Universidade de Coimbra,ninho de todos os brasileiros ricos da época.Gregório estudou leis e casou-se com D.Michaela de Andrade,já magistrado e com uma boa posição.Ficou viúvo aos 42 anos e voltou para a Bahia como desembargador e ,agora,clérigo tonsurado,padre de batina e tonsura.
Parece que a entrada na vida religiosa foi uma jogada de mestre para conseguir o que queria,pois,mal aportando aqui,jogou a batina ás baratas,e,aconselhado por um amigo a viver de acordo com a Igreja,respondeu:”que não podia votar a Deus o que era impossível cumprir dado ao seu temperamento e fragilidade de sua natureza.” Meteu-se em brigas políticas,angariando inimigos e,enquanto seus amigos batiam-se em duelos com espadas,ele achincalhava os adversários com sua pena virulenta e temerária.O que é pior?Matar um homem ou reduzi-lo ao ridículo?Decidam vocês!
Teve mesmo que fugir para o Recôncavo,mas,voltou com a pá virada,transformado no cronista picaresco da cidade.Casou-se com uma viúva pobre,porém,a mais linda moça do lugar,D.Maria dos Povos,por quem era apaixonado.Teve um filho chamado Gonçalo, como vingança por uma desavença domestica para provar que “em casa em que não manda a galinha é porque manda o galo.”Mas,o casamento não o domou.Apesar de racista,meteu-se com negras e mulatas,lundus,modas de viola(andava prá todo lado com uma viola de cabaça que ele mesmo fez,para ganhar os bons favores das negras e mulatas jeitosinhas dessa terra.
Um milagre a Inquisição nunca tê-lo pegado,pois,seus alvos favoritos eram as freiras,os padres e o Papa e chegou a rimar Jesús com cús.
Tantas aprontou que,para não ser morto,seu amigo,o governador D.João Lencastre o despacha para Angola.num exílio forçado.Lá meteu-se em confusão,um motim e teve que ser repatriado,dessa vez para Pernambuco,proibido de fazer versos,onde morreu em 1696. Os poderosos,sossegaram;pois,o “Boca do Inferno,não alisava ninguém,e,dizem,foi o precursor do Tropicalismo,pois, seu escritório de advogado, era adornado com bananas e frutas tropicais,mais tarde considerado como símbolo de identificação cultural brasileiro(modernismo,tropicalismo,Carmem Miranda). O fato é que foi progressista demais para sua época;um artista livre,consciente de seu dom e do poder dos seus versos.Uma mais completa tradução do barroco baiano,de origens portuguesas,porém,plantado no Brasil. Eis uma amostra dos seus versos: Descreve o que era ,naquele tempo,a Cidade da Bahia(mas,serve também para o Brasil de hoje)


A CADA CANTO UM GRANDE CONSELHEIRO


QUE NOS QUER GOVERNAR CABANA E VINHA


NÃO SABEM GOVERNAR SUA COZINHA


E PODEM GOVERNAR O MUNDO INTEIRO.



EM CADA PORTA UM FREQUENTADO OLHEIRO


QUE A VIDA DO VIZINHO E DA VIZINHA


PESQUISA,ESCUTA,ESPREITA E ESQUADRINHA


PARA A LEVAR Á PRAÇA E AO TERREIRO.



MUITOS MULATOS DESAVERGONHADOS,


TRAZIDOS PELOS PÉS OS HOMENS NOBRES,


POSTAS NAS PALMAS TODA A PICARDIA.



ESTUPENDAS USURAS NOS MERCADOS,


TODOS OS QUE NÃO FURTAM, MUITO POBRES,


E,EIS AQUI,A CIDADE DA BAHIA.


terça-feira, 5 de janeiro de 2010

HOJE É DIA DE POESIA...

ISTO
FERNANDO PESSOA

Dizem que finjo ou minto
tudo que escrevo.Não,
eu simplesmente sinto.
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
o que me falha ou finda,
é como que um terraço
sobre outra coisa ainda,
essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
do que não está ao pé,
livre do meu enleio,
sério do que não é.
Sentir?Sinta quem lê!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

HOJE É DIA DE POESIA...


EMBALO PARA MEU FILHO

Alphonsus de Guimaraens Filho



No solar distante

do pais distante,

mora a princesinha,

neta do gigante.


Essa princesinha

loura,delicada,

vai ser filha minha:

-tua namorada.


Alphonsus de Guimaraens Filho,poeta mineiro nascido em Mariana,em 1918,fazia versos de um belo lirismo místico ,similares aos de Rilke.
Comentário:
Lindíssimo. Tanto a ilustração quanto o poema .
Maria Olimpia Alves de Melo,escritora mineira