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sábado, 6 de fevereiro de 2010

SÁBADO É DIA DE SONETO!


SONETO DE BOCAGE
Manoel Maria Barbosa de Bocage,poeta português

A teus mimosos pés,meu bem,rendido,
Confirmo os votos, que a traição manchara;
Fumam de novo incensos sobre a ara
que a vil ingratidão tinha abatido.



De novo sobre as asas de um gemido
Te of’reço o coração, que te agravara;
Saudoso torno a ti,qual torna à cara
perdida pátria o mísero bandido.



Renovemos o nó por mim desfeito,
que eu te maldiga o tempo desgraçado
em que a teus olhos não vivi sujeito;



Concede-me outra vez o antigo agrado
Que mais queres?Eu choro, e no meu peito
o punhal do remorso está cravado.
IMG:Busca google

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

LEVAVA EU UM JARINHO...



EVAVA EU UM JARRINHO...
(ANÔNIMO)
Levava eu um jarrinho
P’rá ir buscar vinho,
Levava um tostão
P’rá comprar pão,
E,levava uma fita
P’rá ficar bonita.
Correu atrás
De mim um rapaz.
Foi o jarro pr’o chão,
Perdi o tostão,
Rasgou-se-me a fita...
Vejam que desdita!
Se não levasse um jarrinho,
Nem fosse buscar vinho,
Nem tivesse um tostão,
Nem fosse comprar pão,
Nem trouxesse uma fita
P’rá ficar bonita,
Nem corresse atrás
De mim um rapaz
Para ver o que eu fazia,
Nada disto acontecia...

IMG:www.brazilpostcard.com.br


terça-feira, 5 de janeiro de 2010

HOJE É DIA DE POESIA...

ISTO
FERNANDO PESSOA

Dizem que finjo ou minto
tudo que escrevo.Não,
eu simplesmente sinto.
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
o que me falha ou finda,
é como que um terraço
sobre outra coisa ainda,
essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
do que não está ao pé,
livre do meu enleio,
sério do que não é.
Sentir?Sinta quem lê!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

SALVADOR/ALENTEJO,UMA ESTÓRIA DE AMOR




ADOLESCENTE tem bicho carpinteiro no corpo como diria minha tia Albertina,santa senhora adorada pelos sobrinhos.
Naquela aurora da minha vida eu costumava comprar a revista “O CRUZEIRO”,que era focada em intercâmbios entre jovens de vários países.Nos tempos pré-historicos, sem internet,nem e-mails,era tudo na base da escrita,o que me favoreceu muito,escrevendo em outras línguas e aperfeiçoando meu português.
Nesse troca-troca, nascia muita paquera internacional e eu,quase me caso com um sueco,chamado Sven,que era engenheiro da Phillips,na Holanda,e,estava se preparando para vir pro Brasil de mala e cuia,quando meu pai,desconfiado sertanejo,acabou com a igrejinha.
No colégio que eu estudava, tinha uma funcionaria da copa quarentona,mulata simpática e sempre risonha,com uma “derriére”,de enlouquecer qualquer português.
Muita amiga das estudantes (colégio de freiras não aceitava garotos),disse a gente que era solteirona e invicta,pois,nunca tinha tido namoro firme e já tinha passado a hora de casar;mas,não ia de bom grado levar prá S. Pedro,o problema é que os homens rareavam e ela já não tinha ilusões.
Sei que a idéia foi minha; escrever uma carta para um português de meia idade,morador de uma cidade alentejana,que queria casar com uma rapariga brasileira;mandei a missiva,como se fosse a Maria.
O gajo respondeu prontamente,dizendo ser um lavrador de pequenas posses,mas,bem aprumado,tinha a sua quinta e seu gado miúdo e dava no couro em qualquer quarto de lua,labrego alimentado a queijo de cabra e muito chouriço.Confessava,meio escabreado,não ter muitas luzes,mas,como Maria não tinha quase nenhuma,a coisa ia á mão de semear,como diria Saramago,o maior de todos.
Para encurtar a estória, depois de ocuparem o correio por algum tempo,Maria,na mais completa ignorância do que se armava,o gajo avisou estar vindo á Bahia,para buscá-la;casavam-se aqui mesmo e viajariam em seguida;.aí,foi um corre-corre para avisar Maria,contar-lhe o feito,convencê-la a encontrar o rapaz e casar com ele.
Mas,é fácil convencer quem quer ser convencida.Sem parentes ou aderentes,lá se foi Maria para o aeroporto,comigo e duas amigas,além de uma senhora idosa,sabedora do caso,para impor respeito.
O encontro deu-se, gostaram-se,casaram-se e,quando estive em Portugal,rumo á Évora,saindo de Lisboa,fui visitá-los no Alentejo,onde moravam prósperos e felizes.
Ao sair de lá, aproveitei para tirar uma foto no Quartel de Bombeiros,em Vendas Novas,cuja padroeira é Santa Bárbara,minha santa de proteção.
O fato é verdade e dou fé.