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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

SONETO DE NATAL


Um homem, — era aquela noite amiga,
Noite cristã, berço no Nazareno, —
Ao relembrar os dias de pequeno,
E a viva dança, e a lépida cantiga,
                                                        *

Quis transportar ao verso doce e ameno
As sensações da sua idade antiga,
Naquela mesma velha noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno.

                           *


Escolheu o soneto... A folha branca
Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,
A pena não acode ao gesto seu.
                                                      *

                                                                                  

E, em vão lutando contra o metro adverso,
Só lhe saiu este pequeno verso:
"Mudaria o Natal ou mudei eu?"

                                           *



                                                                                   MACHADO DE ASSIS 

sábado, 19 de dezembro de 2009

O NATAL E EU!



HÁ um verso de um poema do Mestre Machado em que ele perguntava: -“mudou o Natal ou mudei eu”?
O certo é que faz tempo que o Natal não é mais a festa da família, da confraternização, das preces conjuntas,da tradição e das grandes consoadas; mesas fartas,o peru reinando sobranceiro,a macarronada caprichada,as frutas secas,o ponche(receita,segredo de cada família,guardado a sete chaves),o champanhe.
Hoje,o Natal é a festa do deus Consumo.
Ficaram em segundo plano,as vetustas catedrais com seus coros de anjos,a Missa do galo,missa injusta,aliás,pois o festejado é o galo,mas,quem é comido é o peru.Foram substituídas pelos alegres shoppings-centers, cada vez mais atrativos do que as velhas igrejas e seus cantos gregorianos.
Restaram as músicas;o “Jingle Bells”,importado,as velhas canções portuguesas como o lindo “Adeste Fidelis”,o “Noite Feliz”,tocado e cantado por todos,e,a clássica infantil ,com o belo versinho,tão verdadeiro:Papai Noel vê se você tem,
A felicidade
Prá você me dar.
E,essa tal felicidade,no Natal,ela chega?
Pressurosa, para as crianças com seus brinquedos,para a velha senhora que recebe os filhos e netos,para o comerciante,contando os lucros,chega com a visão da bela mesa posta para a ceia,o rebrilhar das pratas e dos cristais,o perfume dos incensos e das velas,a s luzes feéricas das mangueiras elétricas s seus pisca-piscas cada dia mais sofisticados,pois o Natal é a festa da luz;ou,como escreveu um conhecido que é um grande escritor(embora ele nem suspeite disto):”Deus por entre temperos e açúcares”.
Mas, a verdadeira luz tem que brilhar de dentro para fora; a gente tem que estar de bem consigo mesmo,interagir com nossos semelhantes,doar;Natal também é doação.doação de si mesmo,esparzir a sua luz sobre todos,espalhar felicidade e,sobretudo,agradecer;agradecer o Bem e o Mal;o Bem,visto como recompensa;o Mal,como aprendizado.
Alguns se dizem cansados do Natal: a mesmice,os mesmos votos,a mesma festa,os mesmos presentes,a mesma ceia.Como o poeta Drummond,mineiro bão,escreveu:
“menino,peço-te a graça
de não fazer mais poemas
de Natal.
Uns dois ou três,inda passa.
Industrializar o tema
Eis o mal.”

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009




VERSOS DE NATAL
Manoel Bandeira
Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados;
Espelho, amigo verdadeiro
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado,obrigado!

Mas,se fosses mágico,
Penetrarias até o fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta este homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera de Natal
Ainda pensa em pôr os seus chinelinhos atrás da porta.