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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

YEMANJÁ,RAINHA DO MAR!





Dia 2 de fevereiro
dia de festa no mar...
(Caymmi)
Esse belo e poderoso orixá,muito cultuado na Bahia,tem origem ioruba.
Recebe oferendas rituais em grandes balaios rústicos,feitos à mão pelo povo,que os enche de flores,perfumes,espelhos,pentes,alfinetes,agulhas,pedaços de seda, talco,colares,brincos,anéis,leques,adereços,sabonetes,pois,a dama é muito vaidosa e adora pentear seus lindos e longos cabelos,sentada nas pedras,ao luar.
Os ofertantes,normalmente povo de santo,vestem-se de branco,cantando,embarcam e atiram os presentes num lugar de águas profundas.
Embarcações de todos os feitios e porte singram as águas,num festival de velas brancas,enfunadas ao vento;saveiros e canoas carregados de balaios com presentes rumam ao largo até o ponto onde podem jogar os balaios para que a deusa os recolha.
Os bilhetinhos estão lá,com os pedidos dos fiéis,na esperança de serem atendidos.
Se Yemanjá devolve os presentes –coitado dele –não será atendido,fica prá a próxima,camarada.
Orixá dos marítimos,protetora das viagens,está ligada,no sincretismo a Afrodite,Nossa Senhora,sendo também padroeira dos amores.
É uma moça de muitos nomes: D. Janaina,Princesa do Mar,Princesa de Aioká,Olôxun,Inaê,Dandalunda,pois não é ela a Senhora das Águas,mãe de tudo que existe sobre a face da terra?
Deus e as águas! diziam os antigos.Pois,D. Janaina abriu os seus fartos seios e deles nasceu o mar...
Como Afrodite foi pintada saindo de uma concha,esse também é seu fetiche;suas insígnias,o leque e a espada.
Seus alimentos sagrados são o pombo,o milho,o galo,o bode castrado;as cores vermelho ou azul.
Suas filhas usam colares de contas pingo d’água,pulseiras de alumínio;sábado é seu dia sagrado e o grito a que responde aos seus ekedes é”hin-hiyemin” ou “odo-yá,dependendo do grupo pelo qual é saudada.

Muitas vezes se apaixona;e,leva os amantes para o fundo do mar.O corpo nunca é achado.
“O marinheiro bonito
sereia do mar levou...
Dizem que é ciumenta,vingativa e cruel;enfim,é mulher...
Yemanjá é festejada também no Rio,na praia de Copacabana.
Em Angola,ela é Quianda,mora nos arredores da Ilha de Luanda e recebe seus presentes ,alimentos e bebidas,como nos antigos rituais.
Em Salvador,sai da sua casa ,a Casa do Peso, no Rio Vermelho,antiga colônia de pescadores,acompanhada
de baianas ricamente vestidas de branco,pelos obás, e por toda uma multidão alegre e esperançosa,esperando que seus presentes afundem rapidamente,indicando que foram aceitos.
Que Yemanjá ,Rainha do Mar,leve sob grilhões para o fundo do mar,toda a inveja que sobre mim possa recair,todas as lágrimas que eu tenha que chorar,para nunca o desespero ou a desgraça me alcançar...
ODO-YÁ!
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sábado, 19 de dezembro de 2009

O NATAL E EU!



HÁ um verso de um poema do Mestre Machado em que ele perguntava: -“mudou o Natal ou mudei eu”?
O certo é que faz tempo que o Natal não é mais a festa da família, da confraternização, das preces conjuntas,da tradição e das grandes consoadas; mesas fartas,o peru reinando sobranceiro,a macarronada caprichada,as frutas secas,o ponche(receita,segredo de cada família,guardado a sete chaves),o champanhe.
Hoje,o Natal é a festa do deus Consumo.
Ficaram em segundo plano,as vetustas catedrais com seus coros de anjos,a Missa do galo,missa injusta,aliás,pois o festejado é o galo,mas,quem é comido é o peru.Foram substituídas pelos alegres shoppings-centers, cada vez mais atrativos do que as velhas igrejas e seus cantos gregorianos.
Restaram as músicas;o “Jingle Bells”,importado,as velhas canções portuguesas como o lindo “Adeste Fidelis”,o “Noite Feliz”,tocado e cantado por todos,e,a clássica infantil ,com o belo versinho,tão verdadeiro:Papai Noel vê se você tem,
A felicidade
Prá você me dar.
E,essa tal felicidade,no Natal,ela chega?
Pressurosa, para as crianças com seus brinquedos,para a velha senhora que recebe os filhos e netos,para o comerciante,contando os lucros,chega com a visão da bela mesa posta para a ceia,o rebrilhar das pratas e dos cristais,o perfume dos incensos e das velas,a s luzes feéricas das mangueiras elétricas s seus pisca-piscas cada dia mais sofisticados,pois o Natal é a festa da luz;ou,como escreveu um conhecido que é um grande escritor(embora ele nem suspeite disto):”Deus por entre temperos e açúcares”.
Mas, a verdadeira luz tem que brilhar de dentro para fora; a gente tem que estar de bem consigo mesmo,interagir com nossos semelhantes,doar;Natal também é doação.doação de si mesmo,esparzir a sua luz sobre todos,espalhar felicidade e,sobretudo,agradecer;agradecer o Bem e o Mal;o Bem,visto como recompensa;o Mal,como aprendizado.
Alguns se dizem cansados do Natal: a mesmice,os mesmos votos,a mesma festa,os mesmos presentes,a mesma ceia.Como o poeta Drummond,mineiro bão,escreveu:
“menino,peço-te a graça
de não fazer mais poemas
de Natal.
Uns dois ou três,inda passa.
Industrializar o tema
Eis o mal.”