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segunda-feira, 21 de março de 2011

FESTA FEIRENSE


                                        A Mesa Alta


                                     


POSSE Do Dr. GERALDO LEITE NA AFS
Na noite de quinta – feira, dia 17 de março tomou posse na Academia Feirense de Letras o Dr. Geraldo Leite,um dos mais ilustres médicos   de Salvador,que dedicou parte de sua vida à cidade de Feira de Santana,sendo o criador da sua Universidade e membro importante nesta comunidade.
Dr, Geraldo Leite,diplomado


Outros membros atuantes desta simpática cidade também foram agraciados com títulos e comendas,uma forma de manifestar a gratidão do povo feirense aos seus cidadãos.
A solenidade também foi marcada pela recondução da diretoria da Academia Feirense de Letras, para o biênio 2011/2012. 
Entreguei o diploma ao Secretário da Cultura do Município

Na presidência Eduardo Kruschewsky, primeiro vice-presidente Raimundo Gama; segundo vice-presidente Milton Britto; primeira secretária Sônia Maria Alves Pires e demais membros.  
Na mesa de honra estiveram presentes, além do prefeito Tarcízio Pimenta e do presidente Eduardo Kruschewsky, o deputado federal Fernando Torres; a presidente da Academia de Letras e Artes de Feira de Santana, Lélia Vitor Fernandes; a representante da Academia de Letras e Artes da Bahia, Mírian Sales; o presidente da CDL, Alfredo Falcão; Milton Britto e Raimundo Gama.

terça-feira, 11 de maio de 2010

NOITE DE AUTÓGRAFOS

A autora,autografando na Bienal de Salvador.

Todo autor sabe disto. Não existe provação maior do que Noite de Autógrafos.
Conheço muita gente boa que se recusa a escrever um livro só para não passar por essa tortura medieval.
O livro fica pronto –uma tetéia! – lindo de viver ,capa perfeita , miolo perfeito ,papel do melhor ,impressão gráfica ,perfeita.A gente o toma nas mãos ,como um bebê ,coração acelerado ,inundado de felicidade.
Enfim ,você é um escritor.Colega de Dostoievski , Balzac ,Machado e outros menos votados.
Você fica imaginando como é que a Literatura Brasileira sobreviveu todo esse tempo sem a sua presença.
Ai,alguém lhe lembra a famigerada noite.Você recua ,ou melhor ,tenta recuar.Sem sucesso!
Amigos ,editores ,livreiros ,todos conspiram visando essa noite.
Os vizinhos perguntam:
-Quando será o lançamento? Onde?
Intimamente ,pensam:
-Será que vai ter cock-tail ?Ao menos , uma cervejinha...
Bom, um filho teu não foge à luta ,Brasil!
E,invocando a coragem dos cristãos que entram na arena e a displicência e serenidade dos pagãos que encaravam a fogueira ,você marca a data.
Nunca aos domingos ,mas ,pode ser nas segundas –ou quartas. Nas noites desses dias as pessoas não têm o que fazer e, se tiver boca livre ,virão com certeza.
Você começa a cumprimentar mais cordialmente seus vizinhos ,inclusive o velhote do quarto andar que acha os escritores uns sem que fazer e desconfia de todos os poetas ,até mesmo dos concretistas ,que ele pensa que são uma espécie qualquer de engenheiro.
Os parentes serão todos lembrados.
Até mesmo aqueles que você não vê e nem fala há milênios.
No shopping encontra seu primo ,aquele morador da Ceilândia que sempre lhe dava coques na cabeça quando sua mãe não estava olhando.
Muito mais forte que você que abria o berreiro ,chamando a atenção de todos
-EU!? Eu não fiz nada , tia, invenção desse garoto.
E,que, ao passar ao seu lado, segredava:
-Mariquinhas!
Pois é ,você encontra o primo ,apressa o passo ,o cumprimenta efusivamente e pergunta pela mãe dele.
Ele o olha torto.
Mamãe morreu fazem cinco anos.
Prá isso serve ser escritor ,você tem bate – pronto.
-Morreu prá você ,filho ingrato;ela continua viva no meu coração.
O primo ,azedo ,pergunta:
-E, você, faz o que!?
-Sou escritor.A propósito queria lhe convidar para o lançamento do meu livro ,depois de amanhã.
Você engasga.
Escritor!? Kakakaká.Mamãe sempre disse que você não daria mesmo prá nada...
E,deu um risinho superior.
Mas,chegou a grande noite.
Há três dias de caganeira , nervoso ,mãos sempre úmidas, você indaga aos seus botões:
-E se ninguém for?
Pronto. A sorte está lançada.
Você está sentado na sua mesa florida junto a uma pilha de livros pronta para ser vendida e autografada.
Você até comprou uma caneta Cross, brincando com ela entre os dedos,enquanto conta, mentalmente ,pela décima vez ,quantas pessoas poderão vir.
A sorte são os filhos , noras e netos.
Intimados ,vieram todos, sua mãe inclusive ,pois a boa velhinha nunca lhe faltou ,desde o dia do seu nascimento;estava ali ,firme e forte.
Bem, havia ali umas vinte pessoas.Pelo menos ,a sala não ficaria vazia.
O cheiro dos salgados do patrocinador que você arrumou e as idas e vindas do garçon enluvado, carregando a bandeja com uísque, começava a atrair curiosos.
Bem ,com as mãos úmidas ,você começou a dar autógrafos.
A pilha, ao seu lado, começa a diminuir.
Você respira, aliviado.
De repente ,um senhor alegre ,entra trazendo uma turma de dez pessoas.
Você sabe que o conhece, mas , igual a seu computador ,você ,não tem memória ,só uma vaga lembrança.
Nem sabe seu nome.
O velho vai chegando ,lhe dá um abraço de quebrar ossos e diz:
-Muito bem .Estou aqui com uns amigos.Mas,a gente só compra seu livro se você lembrar o meu nome.
Você sua frio.
Um branco total invade seu cérebro; fugiram todos os neurônios. O velhote espera.
Dê repente ,fez-se a luz; você se pega,dizendo:
José Joaquim Figueira do Nascimento ,meu prezado vizinho em Niterói.
O velho e a turma compra o resto dos livros.
Você respira fundo. Acabou.



domingo, 2 de maio de 2010

PEQUENAS LEMBRANÇAS!

Meus pais


As manhãs de domingo eram agradáveis naquela remota cidadezinha do interior da Bahia, onde passei minha infância.
Meu pai gostava de receber seus amigos para uma cervejinha antes do almoço, prosear, contar e ouvir novidades, dar boas risadas, pois isto ajudava a passar o tempo numa cidade onde quase nada acontecia. Seus companheiros de prosas mais constantes eram o padre e o pastor presbiteriano da cidade. Vinham religiosamente todo domingo, não só pela prosa divertida, mas, também pelo doce de leite que minha mãe, excelente senhora, nunca deixava faltar (que era de se comer rezando).

Meu pai já era ecumênico , antes desta palavra virar moda. Neste dia , estavam discutindo as vantagens da doutrina de cada um e qual credo era mais eficiente para levar os pobres mortais até o Céu , depois do desenlace , é claro. Cada um falava mais enfaticamente da sua crença; quem venceria ,o Papa ou Lutero? O padre, muito vermelho e dogmático , o pastor falando alto , seu vozeirão enchendo a sala; meu pai, a tudo assistia, com um riso divertido no canto da boca , até que se saiu com esta:

- Meus amigos se acalmem, pois, quando a gente morre fica mais longe do Céu sete palmos.
*Essas e outras estórias deliciosas estão no livro "CONTOS E CAUSOS" .Pedidos através desse blog.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

TROVAS E TROVADORES

Detalhe de uma iluminura das Cantigas de Santa Maria(códice E)extraida do google busca


TROVAS E TROVADORES:UM RÁPIDO ESTUDO
COMO NASCERAM AS TROVAS?
SABE-SE QUE É A MAIS ANTIGA EXPRESSÃO POETICA DO OCIDENTE;COMO NÃO PODIA DEIXAR DE SER TEVE UMA ORIGEM GALAICO-PORTUGUESA.
SÓ O PAÍS QUE INVENTOU A PALAVRA SAUDADE, PODERIA SER O BERÇO DOS TROVADORES.
A TROVA NASCEU NA PROVENÇA, MAS,DESENVOLVEU-SE EM PORTUGAL,BERÇO DOS MAIS FAMOSOS TROVADORES DO PASSADO:JOÃO SOARES DA PAIVA,BERNAL,O REI D. DINIZ E SEU BASTARDO,PEDRO DE BARCELOS,ENTRE OUTROS.
A PALAVRA TROVA VEM DO LATIM TROBAIRE QUE SIGNIFICA POETA,QUE POR SUA VEZ,ORIGINOU-SE DO VERBO TROBAR,QUE SIGNIFICA INVENTAR.A TROVA MAIS ANTIGA QUE SE CONHECE É “O SENHOR DE NAVARRA”,DE JOÃO DA PAIVA,DATADA DE 1200,PROVAVELMENTE UMA HOMENAGEM A ALGUMA SENHORA,JÁ QUE,EM TEMPOS TÃO REMOTOS,NÃO SE USAVAM PALAVRAS QUE DIFERENÇAVAM HOMEM DE MULHER.
NA VERDADE ,A TROVA É UM POEMA DE 4 VERSOS SETESSILABICOS COM RIMA E SENTIDO COMPLETO;PARECE FÁCIL DE COMPOR,MAS,NÃO É:TODA A IDEIA DO AUTOR TEM QUE CABER EM QUATRO VERSOS,POIS,SEGUNDO OS MAIS SÁBIOS,POETA QUE É POETA ,TEM QUE SABER METRIFICAR,CONTAR O VERSO;SE NÃO SOUBER O QUE É ESCANSÃO,OU SEJA,CONTAR O VERSO,SÓ COMETE POESIAS,NÃO É POETA.
HOJE,ESSE CONCEITO ESTÁ MUDANDO,EXISTE TODA ESPECIE DE POESIA,O TEMPO É CURTO E O CUIDADO LITERARIO,ANACRONICO.HELÁS!
AS MAIS IMPORTANTES FORMATAÇÕES DA TROVA PORTUGUESA,DE ORIGEM MEDIEVAL,DO TEMPO DOS CAVALEIROS,DAS CRUZADAS,DOS ROLANDO,DOS AMADIZ DA GÁLIA,DOS MONTEMÓR,TODOS CAVALEIROS ANDANTES A DEFENDER A HONRA DAS DONZELAS,ERAM AS CANTIGAS DE AMOR,TROVAS EM HONRA DAS DAMAS DE SEUS SONHOS OU
AS CANTIGAS DE AMIGO,NO QUAL SE DESTACAVA D. DINIZ,O REI TROVADOR,ESTA FORMA LIGADA Á PROCURA DE AMIGOS ESPALHADOS PELAS GUERRAS,COMO SE VÊ NESSA CANÇÃO DE D.DINIZ:AI FLORES.AI FLORES DE VERDE PINO
SE SABES NOVAS DE MEU AMIGO
AI,DEUS,E U É?
HAVIA TAMBÉM AS CANTIGAS DE ESCARNIO,SATIRICAS,FEITAS PARA EMBARAÇAR E CRITICAR,COMO A DE JOÃO DA PAIVA,PARA UMA SENHORA DESGRACIOSA QUE SE QUEIXOU AO REI,”QUE ELE NÃO A LOUVAVA”.ELE CANTOU:
AY,DONA FEA,FOSTE VOS QUEIXAR
QUE NUNCA A LOUVO
NO MEU CANTAR...
HAVIA UMA SUTIL DIFERENÇA SOCIAL ENTRE OS TROVADORES,DE ORIGEM NOBRE E OS JOGRAIS,ORIUNDOS DO POVO;ESSES ,SEMPRE A SERVIÇO DE ALGUM PODEROSO;LEMBRAM-SE QUE,QUANDO O REI INGLÊS RICARDO CORAÇÃO DE LEÃO,FOI APRISIONADO PELOS SARRACENOS,SEU JOGRAL,SAIU EM BUSCA DAS PRISÕES E PERTO DE CADA TORRE,CANTAVA A MELODIA FAVORITA DO REI,ATÉ QUE O ENCONTROU E ELE FOI,ENFIM,LIBERTADO.
OS PRIMEIROS LIVROS DE POESIA PORTUGUESES FORAM OS CANCIONEIROS.ERAM UMA COLEÇÃO DE TROVAS E A GENTE PODE CONHECE-LOS NA TORRE DO TOMBO,EM LISBOA,FONTE DE TODAS AS MINHAS PESQUISAS HISTORICAS,NAS VÁRIAS VEZES QUE POR LÁ PASSEI.
PORTUGAL.MEU AVÔZINHO,FONTE DE TANTA SABEDORIA E DE TANTO CANTAR!



sexta-feira, 30 de outubro de 2009

#O LIVRO#


UM ESTUDO E UMA HOMENAGEM NO SEU DIA
“Se em troca de meu amor à leitura me oferecessem as riquezas da Ìndia,ou as coroas de todos os reinos da Europa,eu os recusaria.”
(François de Fénelon)
QUANDO o homem começou a pensar,começou também a escrever.Necessário se fazia registrar seus pensamentos e descobertas.
Os primeiros livros eram feitos de tabuinhas de barro cozido com caracteres gravados, encontrados na Biblioteca de Alexandria,no Egito Antigo.Até chegarmos aos livros impressos e de grandes tiragens,muita areia passou por debaixo dos pés e muita água rolou por debaixo da ponte.
Mas,graças a esse processo mecânico,ficou possível se transmitir fatos,acontecimentos históricos,assinar tratados,registrar descobertas,repassar conhecimento,ou ,simplesmente,diversão.
O livro é uma mercadoria, sim;pode ser comprado,vendido,alugado,trocado,armazenado,difundido.
Porém,é também o maior(e,em alguns séculos atrás,o único)material de difusão de conhecimentos,transmissão de idéias e entretenimento.a palavra escrita venceu o tempo,está vencendo até a tecnologia moderna,pois,um fato curioso vem acontecendo;apesar da Internet e da rapidez da comunicação,hoje,o livro impresso continua imbatível.Quando é lançado um filme,ou séries de TV,o livro ,de onde se originou o tema,passa a ser mais procurado e vendido.
Os escritores são o motor da sociedade e são movidos por ela.
Geralmente escolhem temas e frases, transmitem idéias e conceitos em voga no seu ambiente social,ou seja o que foi mais significativo no momento histórico em que viveram;na verdade,o livro reflete idéias e pensamentos de determinados grupos sociais,permitindo inclusive,o estudo desses grupos no futuro.
Desde Platão até o mais humilde e obscuro escritor de sites,essas pessoas,mudaram de alguma forma,uma pequena(ou grande)coisa na sociedade em que viveram.
Antigamente , o escritor interagia pessoalmente com seu público,composto exclusivamente de letrados(não esquecer a quantidade de analfabetos,da época)e,”primus inter pares”,divulgava as suas idéias e pensamentos “”fazendo o povo pensar”,como queria o poeta.Só uma pequena minoria tinha acesso á cultura.Entre os séculos XVI e XVII a cultura se espalhou,saindo dos conventos para as ruas,atingindo burgueses e comerciantes.
Hoje, o mundo lê muito mais.Ainda é um produto caro apesar dos livros de bolso,mais acessíveis.Na nossa sociedade,o livro ainda é sinônimo de status e cultura,pessoas que querem “crescer” socialmente,entulham a casa de livros comprados” a metro”,só para enfeite e para demonstrar uma erudição que,na realidade,não têm.Mas,o livro é para ser lido.Alguém já disse que,fechado é um amigo que espera,aberto nos leva ao mundo mágico do conhecimento.

sábado, 17 de outubro de 2009

CAROS AMIGOS!

CAROS AMIGOS!
Acha um amigo e terás um tesouro
Diz a Bíblia e é uma frase de ouro...
No tempo da Bíblia só existiam amigos reais;amigos de carne e osso,que você podia pegar,cheirar,abraçar.
Hoje,nos tempos da internet,nos enriquecemos com um milhão de amigos que não conhecemos fisicamente nem pudemos usar nossos braços para abraçar.
Mas,eles nos conhecem muito melhor do que nos conheciam os de antanho,para usar uma palavra do meu tempo,quando as amizades eram mais duradouras que as de hoje.
Porque conhecem a nossa alma!
Descobrir e reconhecer um amigo entre milhões de palavras escritas é uma arte; o “feeling” tem que funcionar.
Não sei que mistério mais secreto que o de Elêusis me faz separar o joio do trigo;entre muitos,escolho os mais caros ao meu coração.
Um deles, o piauiense Adalberto Antonio de Lima,cidadão do mundo,escritor inteligente,narrador de sagas,cujo livro “A Saga dos Marianos”
releio sempre que quero mergulhar no universo gostoso dos nossos sertões,presenteou-me com um artigo daqueles que só os bons amigos podem escrever.
Não sei se sou merecedora daquelas palavras, escritora mediana que sou,sempre lutando com as palavras,vivendo entre elas,tentando transformá-las em sentimentos e paixões.
Mas, sou merecedora ,sim,de amigos como Adalberto e outro bom nordestino “da molesta”,Geraldo Lyra.
Geraldo tem o dom de perceber coisas onde os outros não percebem,reunir pérolas esparsas e fazer um colar dourado e fulgurante,que vai embelezar com engenho e arte o colo marmóreo da Deusa Cadela,como D.H.Lawrence chamava a Literatura.
Refiro-me à coletânea “Jangadas”,que recebi,ontem, como um mimo do escritor,que reuniu num livro imperdível as trovas mais belas do Nordeste.
Parodiando Caymmi,digo que quem não gosta de trovas,bom sujeito não é.Deve ser mesmo ruim da cabeça.
O livro foi editado pela Scortecci e tem grude; quando a gente pega prá ler não solta mais;a imaginação enfuna as velas,desliza nos verdes mares da poesia e realiza uma viagem de sonhos pelas praias nordestinas,conduzida pelo grande timoneiro que nos presenteou com roteiro.
Aqui,uma das trovas(como escolher a mais bela!?) que enriquece o livro:
Saudade,um mar de lembrança
Na praia do pensamento,
Onde a jangada balança
No sopro leve do vento.
Geraldo Lyra(PE)
Editores,acordem!Tanta gente boa nesse Brasil de meu Deus e vocês continuam a comprar “best-sellers” americanos!?