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domingo, 14 de março de 2010

CASTRO ALVES, O POETA DA ESPERANÇA!



Em 1847,nascia, na Fazenda Cabaceiras, Antonio de Castro Alves,um dos maiores poetas brasileiros.
Filho de médico,o pai mudou-se ,mais tarde,para Muritiba,cidade do Recôncavo Baiano,para que o filho aprendesse as primeiras letras.
Em 1854 a família mudou-se para Salvador e o menino Cecéu foi matriculado no Colégio Sebrão;mas,logo foi transferido para o Ginásio Baiano,do emérito professor Abílio César Borges.
Ávido leitor dos poetas franceses,como Vitor Hugo,aos 13 anos escreve sua primeira poesia.
Indo estudar Direito no Recife,onde foi colega de Tobias Barreto,consegue publicar num jornal desta cidade,”A Destruição de Jerusalém”,provavelmente influenciado por Torquato Tasso,célebre poeta italiano.
Belo,elegante,vasta cabeleira negra,olhos pretos devoradores,o jovem fazia sucesso entre as mulheres;até a famosa atriz Eugênia Câmara,depois sua grande paixão,declamou versos seus no Teatro Santa Isabel.
Em 1864,porém,coisas terríveis aconteceram.Seu irmão mais velho suicidou-se e ele contraiu uma tuberculose;após a primeira hemoptise voltou à Bahia,para tratar-se.
Um ano depois volta para Recife com Fagundes Varela e declama “O Século” na abertura dos cursos jurídicos.Funda uma sociedade abolicionista.
Começam as viagens,Salvador,Rio de Janeiro,sempre em companhia da amada Eugênia Câmara.
Quando ele aparecia nos saraus ou na platéia dos teatros, belo e forte como um jovem herói,irrepreensivelmente vestido de negro que lhe ressaltava a palidez romântica,os homens o aplaudiam com vigor e as mulheres suspiravam,comovidas.Todos os que ouviam a sua voz melodiosa e retumbante,eram presas de fortíssima comoção e prorrompiam em brados entusiasmados.
Cursa o terceiro ano de Direito em São Paulo,na Faculdade do Largo de São Francisco.
1868 foi um ano produtivo. Escreveu e declamou “o Navio Negreiro”,foi aprovado nos exames,seu poema “Gonzaga” estreou no Teatro São José e rompeu com Eugênia.
Parece que a tragédia foi sua companheira,pois,ao sair para uma caçada, pulando para atravessar um riacho,detonou sua própria espingarda e baleou o pé,que teve que ser amputado,sem anestesia.
A conselho médico vai para Curralinho;tenta a cura em Santa Isabel;melhor,volta para Salvador para o lançamento do seu livro “Espumas Flutuantes”.
Em 1871, aos 24 anos,morre o poeta maior da Literatura brasileira.Desaparecia tão cedo a sua formosa mocidade e gênio;foi o guia e chefe dessa geração de jovens desassombrados,que lutava pelo que considerava certo e pela liberdade dos despossuídos.
Já o era no seu tempo como é agora, idolatrado pelo povo;Sofreu com a inveja e a “panelinha” literária da época,que existe e persiste até os nossos dias.Mas,a admiração anônima e espontânea dos leitores é o que interessa ao escritor porque o leva à fama e à posteridade.
Os sábios distinguem e julgam;só o povo ratifica a justiça ou o gosto dessas sentenças;a admiração popular nunca faltou a Castro Alves.
Ainda hoje me emociono até às lágrimas quando recito “Ode ao Dois de Julho” ou “Navio Negreiro”;do mesmo jeito que me emocionava nos idos de ’60,quando na Escola Normal ou nos festejos do 2 de Julho era chamada a recitá-los,em público.
LEIA TAMBÉM:
Um poema de Castro Alves,no blog:wwwfiatluxblogspotcom.blogspot.com
FALA O LEITOR:
Paulo Martins 13:19 (30 minutos atrás)
Grandiosíssimo Poeta! Pena que tenha vivido pouco, não é mesmo, cara Miriam!Mas penso que pessoas assim não morrem de fato!Abraço e ótima semana
Paulo

domingo, 21 de fevereiro de 2010

CÃO FIEL!



Os donos daquele sitio sentiam-se em segurança..
Era uma propriedade grande na Estrada Velha do Aeroporto,zona meio insegura ,por ser muito afastada da cidade e com favelas ao redor.
Mas, tinha Fido.
Era um pastor alemão dócil com as crianças,mas,terrível para os inimigos.Seu tamanho e corpulência assustava.
Bem treinado,só comia o que os donos lhe davam portanto não corria o risco de “bolas”.
À noite era visto correndo a propriedade, atento a tudo,fuçando tudo,escorraçando gatos vadios ou vadios humanos.
Mas,um dia,deu a louca no Fido;era lua cheia e o cão pulou o muro e ganhou a rua.Estava tudo calmo àquela hora e a rua deserta;gatos vadios faziam sonetos ao luar.
O cachorro foi seguindo o muro da casa até chegar na esquina,sua velha conhecida;era lá que Joca,o filho do patrão,o levava para passear.
Encruzilhada é sempre complicado até para humanos decididos,mas,Fido,após pensar um pouco,dobrou à esquerda.
Caminhando sem aparente destino certo,chegou perto de uma grande casa com jardim,onde percebeu a presença de alguém do sexo oposto.
Todos os seus instintos afloraram e ele parou,observando.
Criando coragem tentou empurrar o portão do jardim;não conseguiu.Reparou no muro,muito alto,mas,isso era lá problema para um cão atlético,bom corredor e acostumado a pular muros?
Tomou distancia e...pronto:pulou facilmente o muro.
O que aconteceu lá dentro não vou contar porque não sou nenhuma mariazinha e não fico tomando conta da vida dos outros;mas,que demorou um bocado lá dentro,demorou.E que saiu com uma cara muito satisfeita lá isso saiu,sim,senhor...
Terminado o encontro,saiu pelo mesmo caminho e voltou prá casa.
No poste da esquina, deixou sua marca,sem culpa,pois aqui não é proibido fazer xixi na rua,ainda mais de madrugada.
Pulou o alto muro de sua casa,ágil,lampeiro,feliz,desafogado e começou sua ronda de todas as noites.
Dentro de casa,aconchegados,os donos dormiam despreocupados.

Gosta de cachorros?

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IMG:Billie,meu cachorro de estimação

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

TROVAS E TROVADORES

Detalhe de uma iluminura das Cantigas de Santa Maria(códice E)extraida do google busca


TROVAS E TROVADORES:UM RÁPIDO ESTUDO
COMO NASCERAM AS TROVAS?
SABE-SE QUE É A MAIS ANTIGA EXPRESSÃO POETICA DO OCIDENTE;COMO NÃO PODIA DEIXAR DE SER TEVE UMA ORIGEM GALAICO-PORTUGUESA.
SÓ O PAÍS QUE INVENTOU A PALAVRA SAUDADE, PODERIA SER O BERÇO DOS TROVADORES.
A TROVA NASCEU NA PROVENÇA, MAS,DESENVOLVEU-SE EM PORTUGAL,BERÇO DOS MAIS FAMOSOS TROVADORES DO PASSADO:JOÃO SOARES DA PAIVA,BERNAL,O REI D. DINIZ E SEU BASTARDO,PEDRO DE BARCELOS,ENTRE OUTROS.
A PALAVRA TROVA VEM DO LATIM TROBAIRE QUE SIGNIFICA POETA,QUE POR SUA VEZ,ORIGINOU-SE DO VERBO TROBAR,QUE SIGNIFICA INVENTAR.A TROVA MAIS ANTIGA QUE SE CONHECE É “O SENHOR DE NAVARRA”,DE JOÃO DA PAIVA,DATADA DE 1200,PROVAVELMENTE UMA HOMENAGEM A ALGUMA SENHORA,JÁ QUE,EM TEMPOS TÃO REMOTOS,NÃO SE USAVAM PALAVRAS QUE DIFERENÇAVAM HOMEM DE MULHER.
NA VERDADE ,A TROVA É UM POEMA DE 4 VERSOS SETESSILABICOS COM RIMA E SENTIDO COMPLETO;PARECE FÁCIL DE COMPOR,MAS,NÃO É:TODA A IDEIA DO AUTOR TEM QUE CABER EM QUATRO VERSOS,POIS,SEGUNDO OS MAIS SÁBIOS,POETA QUE É POETA ,TEM QUE SABER METRIFICAR,CONTAR O VERSO;SE NÃO SOUBER O QUE É ESCANSÃO,OU SEJA,CONTAR O VERSO,SÓ COMETE POESIAS,NÃO É POETA.
HOJE,ESSE CONCEITO ESTÁ MUDANDO,EXISTE TODA ESPECIE DE POESIA,O TEMPO É CURTO E O CUIDADO LITERARIO,ANACRONICO.HELÁS!
AS MAIS IMPORTANTES FORMATAÇÕES DA TROVA PORTUGUESA,DE ORIGEM MEDIEVAL,DO TEMPO DOS CAVALEIROS,DAS CRUZADAS,DOS ROLANDO,DOS AMADIZ DA GÁLIA,DOS MONTEMÓR,TODOS CAVALEIROS ANDANTES A DEFENDER A HONRA DAS DONZELAS,ERAM AS CANTIGAS DE AMOR,TROVAS EM HONRA DAS DAMAS DE SEUS SONHOS OU
AS CANTIGAS DE AMIGO,NO QUAL SE DESTACAVA D. DINIZ,O REI TROVADOR,ESTA FORMA LIGADA Á PROCURA DE AMIGOS ESPALHADOS PELAS GUERRAS,COMO SE VÊ NESSA CANÇÃO DE D.DINIZ:AI FLORES.AI FLORES DE VERDE PINO
SE SABES NOVAS DE MEU AMIGO
AI,DEUS,E U É?
HAVIA TAMBÉM AS CANTIGAS DE ESCARNIO,SATIRICAS,FEITAS PARA EMBARAÇAR E CRITICAR,COMO A DE JOÃO DA PAIVA,PARA UMA SENHORA DESGRACIOSA QUE SE QUEIXOU AO REI,”QUE ELE NÃO A LOUVAVA”.ELE CANTOU:
AY,DONA FEA,FOSTE VOS QUEIXAR
QUE NUNCA A LOUVO
NO MEU CANTAR...
HAVIA UMA SUTIL DIFERENÇA SOCIAL ENTRE OS TROVADORES,DE ORIGEM NOBRE E OS JOGRAIS,ORIUNDOS DO POVO;ESSES ,SEMPRE A SERVIÇO DE ALGUM PODEROSO;LEMBRAM-SE QUE,QUANDO O REI INGLÊS RICARDO CORAÇÃO DE LEÃO,FOI APRISIONADO PELOS SARRACENOS,SEU JOGRAL,SAIU EM BUSCA DAS PRISÕES E PERTO DE CADA TORRE,CANTAVA A MELODIA FAVORITA DO REI,ATÉ QUE O ENCONTROU E ELE FOI,ENFIM,LIBERTADO.
OS PRIMEIROS LIVROS DE POESIA PORTUGUESES FORAM OS CANCIONEIROS.ERAM UMA COLEÇÃO DE TROVAS E A GENTE PODE CONHECE-LOS NA TORRE DO TOMBO,EM LISBOA,FONTE DE TODAS AS MINHAS PESQUISAS HISTORICAS,NAS VÁRIAS VEZES QUE POR LÁ PASSEI.
PORTUGAL.MEU AVÔZINHO,FONTE DE TANTA SABEDORIA E DE TANTO CANTAR!